A história se repete, o tempo inteiro. A pessoa está meio sozinha, com poucos amigos ou mesmo com pouca coisa para fazer, decide que está na hora de arregaçar as mangas e fazer revolução. E daí se junta a alguma organização, seja ela um coletivo, uma frente, um partido político. E se anima e se engaja e pega tarefa.
Daí de repente vem aquele período de calmaria. Nenhum crime horrendo nas manchetes, nenhum familiar sofrendo em um relacionamento abusivo, parece que o mundo está ok. Então de repente surgem outras prioridades, tipo o(a) namorado(a) novo, ou aquela pessoa que você não simpatiza muito te olha atravessado na reunião do partido e daí era o que bastava. Você se afasta das organizações revolucionárias das quais fazia parte porque né? Prioridads.
8 de março 2015

Dia Internacional da Mulher. Ato/passeata da Av. Pauista até a Pç. Roosevelt. São Paulo, 08 de março de 2015. Foto: Roberto Parizotti.

Daí aparece uma manchete horrorosa tipo mulher estuprada por 30 homens ou o golpe que o país sofreu e então você percebe que não, apesar da sua temporária alienação, nada está bem. E decide voltar.
Eu perdi a conta de quantas pessoas entraram, saíram, voltaram, saíram. Do coletivo feminista, de frentes, do partido. E eu sempre tenho a mesma conversa com todo mundo quando entra: não deixe circunstâncias atrapalharem a luta, não use o coletivo/organização/partido pra fazer amigos só porque você está momentaneamente carente. Não abandone a organização assim que achar um namorado(a) pra chamar de seu, ou assim que achar que dormir sábado a tarde é mais interessante do que ir a uma reunião.
É por isso que a gente (movimentos sociais) não vai pra frente, ou se vai, vai tão vagarosamente. E é por isso que essas manchetes não param. Eu não vejo disciplina a longo prazo, pombas, não vejo disciplina nem a médio prazo!
Cansamos, dentro do Coletivo Feminista, de engavetar projetos que foram sugeridos por participantes super ativas que de repente simplesmente desapareceram. Eu conto nos dedos de uma mão as participantes que estão na luta desde que o Coletivo foi fundado, há 3 anos. Talvez dê para contar nos dedos de duas mãos as participantes que estão na luta nos últimos 12 meses sem intervalo.
E isso me frustra, frustra mesmo, especialmente em épocas em que todo mundo acha que compartilhar posts no Facebook = ser militante feminista. Reconheço a importância das redes sociais como ferramentas de informação e mobilização, mas continuo batendo na tecla de que revolução e mudanças estruturais se fazem com a cara na rua – e eu acho que não preciso colocar aqui uma série de provas disso, né?
Não sei se sou muito fora da casinha em ver a minha militância como uma profissão. Profissão no sentido de que não é lazer. É minha obrigação. EU PRECISO fazer isso, e para que eu consiga fazer alguma coisa legal, preciso antes fazer trocentas coisas chatas, como por exemplo, fazer uma reunião pra planejar a próxima reunião. Eu também me ofendo, me magôo, brigo com pessoas queridas em debates políticos – e as vezes até por questões pessoais. Mas eu não vejo nenhuma treta ou mesmo circunstância pessoal como motivo suficiente para abandonar o trem. Porque as coisas têm que ser feitas, e alguém precisa fazer, e esse alguém sou eu, é você. Meus problemas pessoais eu resolvo comigo mesma, ou na terapia. E organização política não é divã, é para lutar por direitos. Para termos mais direitos, para preservarmos os que já temos e para não retrocedermos nesses direitos.
Não vai ser um olhar atravessado para mim que vai me levar pra debaixo das cobertas. E não deveria ser assim com você também.

É preciso ir além. Nossa ação tem que ir além de nós mesmos, de nossos confortos e desconfortos individuais. Isso é política. Nossa luta tem que ir além dos momentos de ação direta e das reivindicações pontuais, se quisermos construir uma sociedade livre de toda exploração, se quisermos ser donos de nós mesmos, de nosso tempo, de nosso trabalho, do conhecimento e dos bens materiais e simbólicos que produzimos.

Acabou o amor.

A hora é de lutar, resistir. E essa luta e resistência precisam ser bem costuradas, articuladas, com a construção de um projeto de sociedade. Não se trata de pautas específicas. Os fatos políticos nos mostram que pautas específicas não darão conta. Se conseguir defender o SUS, ele será em seguida sucateado, ou o aborto será definido pelas igrejas, ou vão privatizar a educação básica e superior. Os inimigos têm a máquina estatal, os investimentos do grande capital internacional, o apoio político do Império (Temer é citado na Wikileaks como informante da CIA, estão sabendo? A embaixadora dos EUA presente no Brasil nesse processo de impeachment era a mesma que estava no Paraguai e no Equador nos seus respectivos golpes recentes, etc.). Nós temos as nossas mãos.

Façamos nós por nossas mãos.

Leia esse post acima completo, é incrível, AQUI.

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