Férias parte III – Monte Alegre e Oriximiná

Esse é o primeiro post que escrevo já estando de volta na minha cidade. Muitos sentimentos contraditórios. Cheguei em Blumenau e me apaixonei pela cidade de novo, achando tudo lindo, tudo novo, tudo colorido, ruas com calçadas (no centro né, sei bem que existe periferia em Blumenau), paisagens bonitas… Ou seja… Foi mais fácil voltar dessa vez do que da última.

Sigamos com o relato, pois.

Dia 10

Tantos dias se passaram desde a última vez que escrevi o diário da viagem que tenho quase certeza que perdi a maior parte de todos os detalhes. Foi muita informação, muitas pessoas incríveis e muita história.

Estávamos onde mesmo?

Ah, Monte Alegre, a cidade dos mirantes.

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Antes de Monte Alegre ser Monte Alegre, era apenas uma missão dos jesuítas holandeses, a Vila do Marissó. Quase todas as cidades e vilas dessa região tinham nomes indígenas ou pelo menos diferentes do que tem hoje. Mas daí nosso amigo Marques de Pombal (quem lembra dele?) mandou seu culega, Francisco Xavier, intendente do Grão-Pará, dar umas bandas rio acima. Foi quando ele decidiu mudar o nome de todas essas cidades, e como ele era bastante criativo deu para essas cidades paraenses nomes de cidades portuguesas. Óbidos, Mont’Alegre, Santarém…

Combinei com o Roberto de ele ir me buscar na casa da Suaiden cedinho para irmos ao Parque Estadual. Era bem longe do centro, se não me falha a memória pelo menos uma hora de moto e mais uma subida numa trilha, para chegar até a Pedra do Pilão.

Eu fiquei super surpresa com o solo de Monte Alegre, muito arenoso, muito mesmo, tipo areia de praia. Depois fui descobrir algo que eu nunca tinha imaginado (quando a gente pensa que conhece pelo menos o básico da Amazônia…), que o solo da Amazônia é super pobre. Quase impossível de acreditar, né? Então basicamente onde desmata (ou mesmo onde não tem mata) o que sobra é aquilo, areia. Não foi fácil lidar também com a informação de que o Rio Amazonas é o maior e ao mesmo tempo um dos mais jovens rios do mundo.

Então. Andar de moto na areia não foi fácil não. Deu medo em muitas partes. Paramos na casa de uma amiga do Roberto para tomar água e deixar os capacetes e dar oi pro Piloto, o cachorro parceiro de aventuras (que estava adoecido, então não nos fez companhia).

Pedi para usar o banheiro e lembrei dos meus dias na aldeia indígena, porque na casa dessa senhora era patente, buraco no chão e eu de cócoras mesmo. E no caminho para o banheiro passei pela horta dela e tive VÁRIAS ideias para colocar em prática lá em casa. Será lindo esse restinho de 2015, agricultura familiar vai bombar no Garcia.

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Ela me mostrou duas coisas que eu nunca tinha visto: sementes de andiroba e castanhas de sapucaia. Coisa már linda. Fiquei com vergonha de pedir pra provar. Eu, né, aquela contradição em pessoa, tem coragem de pedir posso dormir na sua casa pras pessoas mas não tem coragem de dizer posso comer uma castanha?. Vai entender.

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Fomos. Subimos a trilha, em meia hora estávamos no Pilão. Eu sei que isso está ficando repetitivo já, mas eu realmente não tenho palavras para descrever a vista que eu tive lá de cima. Não existe fotografia que possa registrar o que os olhos viram – ainda mais eu sendo uma fotógrafa tão xexelenta. Foram algumas horas em que a única coisa que eu queria era ficar ali, paradinha, olhando aquela imensidão de tudo.

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Meu guia, Roberto de Deus

Meu guia, Roberto de Deus

O índio com a língua de fora.

O índio com a língua de fora.

A cabeça de cobra.

A cabeça de cobra.

Cactos na Amazônia? SIIIIMMMM! E muitos!

Cactos na Amazônia? SIIIIMMMM! E muitos!

Imensidão de tudo.

Imensidão de tudo.

[abre parênteses] Enquanto estávamos indo para o parque, e em vários outros momentos da viagem, eu ficava maravilhada com alguma coisa e pensava: nossa, como pode isso aqui no meio do nada… Burrice minha que eu pensava no automático. A Amazônia, nenhum lugar dela, é o meio do nada. Ali é o centro de tudo. [fecha parênteses]

O Roberto, meu guia, é um entusiasta da fotografia, então levou uma câmera bem melhor que a minha e ficamos lá algumas horas, batendo zilhões de fotos – que aliás não vejo a hora de receber no meu email, cadê cadê cadêeeee??? E seguimos para as cavernas.

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A vênus...

A vênus…

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Segundo o Roberto, essas formações rochosas restaram da época em que a Amazônia ainda era mar. Ou seja, quando o Amazonas nem tava pensando em virar esse rio todo que ele é hoje.

Cavernas, mil morcegos, pinturas rupestres. Algumas de dez mil anos atrás, quando o cachorro nem era ainda amigo dos humanos. Aliás, taí outra coisa que eu nunca tinha feito, entrar numa caverna cheia, lotada de morcegos. Roberto me mostrou uma coruja que come morcego e achei uma piração só. A bicha come, mastiga, engole tudinho e depois vomita os ossos. E encontramos mesmo uma caveira de morcego regorgitada por essa coruja e fiquei wtf?!?

Cabeça de morcego...

Cabeça de morcego…

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Enfim. Eram cavernas lindas, enormes (e pequenas também) habitadas por uma galera – mas só os morcegos e uma única coruja se mostraram pra mim, com stalactites e em cada buraco uma vista privilegiada para o rio que banha Monte Alegre (não, não é o Amazonas).

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Voltando às pinturas rupestres, na Caverna d Pedra Pintada. Não tem muita pesquisa sobre essas coisas nos confins das cidades e – PASME – 90% das pesquisas sobre a Amazônia são conduzidas por pesquisadores estrangeiros. Não temos mesmo muito interesse no que é nosso maior patrimônio. Então não tem muita pesquisa sobre as pinturas rupestres de Monte Alegre também. Mas o que o Roberto me falou foi que não há evidência nenhuma de que aquelas pinturas foram feitas num momento isolado 10 mil anos atrás, mas muito mais provavelmente foi um processo contínuo. E me mostrou lugares onde as pinturas eram muito parecidas mas com as cores muito mais vivas, como se realmente fossem mais novas.

O apelido carinhoso do povo montealegrense é pinta-cuia. Não consigo pensar em nada mais adequado para os descentes de um povo que sempre foi dazarte. Começou pintando parede, depois aprendeu a fazer cerâmica e continuou pintando. As cuias pintadas pelas artesãs montealegrenses são realmente muito famosas, e cada uma tem uma pintura única. Muito arrependimento por não ter tido tempo de procurar esses artesanatos.

Hora de voltar… Mas não sem antes tomar um banho de rio, no Lago do Paytuna. Melhor lugar: uma igreja, uma escola e a casa do professor. Mais nada. Pensa que delícia as crianças saindo da aula correndo pra água… Sonhei muito com isso, aliás.

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Na hora de entrar na água, perguntei se tinha bicho (sempre pergunto). Ele disse: só arraia. Hummm, que bom, só arraia, beleza. E jacaré? – Jacaré só ali (e apontou para um lugar tipo a 10m de onde a gente tava. Adoro quando as pessoas me botam medo. A minha regra geral é não ter medo de nada. Nunca tenho medo, assim, sozinha. Mas sou altamente sugestionável. Se quiser me ver com medo, é fácil: me ponha medo. Daí tava lá, Roberto, totalmente cauteloso, entrando na água e me pedindo para arrastar os pés ao invés de pisar (arraias ficam enterradinhas na areia, e atacam quando você PISA nela, então para prevenir melhor sempre arrastar os pés). E ao mesmo tempo que eu tenho medo eu também sou nojentinha e não gosto de demonstrar meu medo, então tava eu lá, com o cu na mão, mas fazendo de conta que tava tudo maravilhoso.

Depois que saímos na água, Roberto percebeu que no jardim da escola tinha um pé de sapucaia cheio de ouriço. Aquela noz que eu tinha visto lá na casa da titia, lembra? Ele colheu um pra mim. Chegando na casa da Suaiden de volta ele abriu o ouriço pra mim e pude provar a tal castanha. G-E-N-T-E. Mas que coisa maravilhosa, que delícia. Segundo as pessoas ao meu redor, ela é menos oleosa que as outras oleaginosas. Já fiquei me imaginando comendo baldes daquilo sem me sentir pesadona depois… Muito maravilhosa mesmo, eu merecia ter um pé desses em casa, merecia sim.

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Passei o restinho da tarde dormindo e lembra que ~ontem~ nós tínhamos ido num bar de roquenrou onde tava rolando o esquenta pro show de hoje? Então. Me arrumei (leia-se vestido e havaianas) e o marido da Suaiden me deixou lá na frente da igreja, onde ia rolar o bate-cabelo. O tema do show era Tributos, então ia rolar basicamente cover de qualquer coisa. Tocou até Amado Batista. Teve Geórgia se apaixonando a cada cinco minutos. Mas, principalmente, tocou bastante Raul e Legião, então eu estava muito bem servida obrigada. E ali comecei a ter certeza de que, realmente, o paraense bebe, mas bebe mesmo, bebe muito. E olha que eu sou da ~terra da cerveja~, Oktoberfest o ano inteiro cervejaria por tudo, mas égua, no Pará eu fico pensando inclusive se isso não chega a ser um problema de saúde pública…

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Dia 11

Acordei cedão e desci andando até a hidroviária de Monte Alegre para pegar a lancha de volta a Santarém, minha casa. Na volta, ao contrário da ida, tinha banquinhos na parte de trás da lancha para eu ficar do lado de fora olhando o rio. Odeio ar condicionado gente, odeio mesmo, sério, nasci pra passar calor. E parece que justamente por fazer tanto calor nesses lugares equatoriais as pessoas pulam pro outro extremo na hora de regular o termostato, então aqui ou você está suando bicas ou você está batendo queixo. E eu acho rudico demais você estar na Amazônica e ter que carregar um casaquinho… Oi????

Chegando de volta ao hotel, dormi, acordei, banho e tacacá. Tacacá forever. Andando pra lá e pra cá na orla, pensando na vida e no segredo do universo, tomei a decisão de não correr mais maratona esse ano. Depois de tanta enrolação, ossos quebrados, etc etc, viagem, estava sendo muito mais um item de stress na minha vida do que de satisfação. E eu gosto de fazer as coisas que me dão prazer, não as que me trazem mais problemas. Eu estava tendo muita dificuldade em manter a resistência nas longas distâncias que tinha que correr nesses treinos, as cidades com calçadas irregulares, ou mesmo ter que descobrir lugares onde podia treinar… Tava um saco.

A meta de 2015 é voltar aos meus modestos 5K e conseguir bater meu recorde (22 min). Depois quem sabe tentar bater o recorde dos meus 10K (48 min) e vamos vendo o que vai ser. Não pense que tomar essa decisão foi algo fácil, aliás tão difícil foi que marcou esse dia em Santarém.

Os dois dias seguintes foram uma tragédia total porque caí num vácuo da miséria, onde não tinha mais nenhum dinheiro sobrando de agosto e ainda não tinha começado a receber as granas de setembro, e ainda estava lutando contra alguns problemas pessoais – sendo a desistência da maratona um deles – que estavam rolando dentro de mim e em Blumenau… Acabei ficando isolada do mundo assistindo séries no quarto, andando pela orla, lendo…

Dia 12

Tive uma surpresa desagradável quando descobri o auê que são as festividades de 7 de setembro pela região de Santarém (não sei como é no resto do Pará muito menos no resto da Amazônia). A comemoração toda dura uma semana, e soube disso na manhã do dia primeiro de setembro quando ouvi os preparativos do desfile, que passava na frente do hotel. Achei bizarro. Sete dias???? O desfile do primeiro dia durou quase três horas, e era só de alunos. Achei legal ver como tem bastante escola quilombola e indígena por ali, achei estranhíssimo as crianças todas usando luvinhas brancas – no calor paraense – oi??? Mas né, pelo menos algum acontecimento num dia das férias que passaria em branco.

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Representante loiro catarina

Representante loiro catarina

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Já no dia primeiro a tarde entrou um $$$ e pude comprar minha passagem para a cidade que eu mais queria conhecer porque me apaixonei pelo nome desde a primeira vez que escutei: O R I X I M I N Á.

Dia 13

Foram sete horas intermináveis dentro daquela lancha, a viagem mais chata que já fiz nesses rios todos. Mas eu queria por toda lei conhecer o Rio Trombetas, pois tenho essa meta romântica de conhecer o maior número de rios que for possível por motivos de preciso ter certeza de que sou filha mesmo do Tapajós e de mais nenhum.

Só que essa lancha era pinga-pinga entããããããão paramos em duas cidades totalmente fora de mão – Óbidos, que eu também era pra ter conhecido mas não deu por causa desses dias de miséria; e Juruti. O banco da lancha é confortável para, sei lá, 3 ou 4 horas de viagem mas para SETE… Eu queria deitar e dormir, não levei casaco, o ar condicionado estava ridiculamente frio, enfim, foi só sofrimento. AND, devido a todos os meus problemas com conexão a internet (chip da Vivo continuava imprestável) eu não consegui pesquisar nada antes de ir. Infelizmente, foi uma perda de tempo e dinheiro, no final das contas. Por incompetência minha, não que a cidade não valha a pena ser conhecida, só faltou planejamento mesmo.

Cheguei lá e não vi nada de novo na cidade em si: a chegada zoada, muitos barquinhos, milhares de moto-taxis oferecendo serviço, e eu só queria uma agência do Banco do Brasil para ter algum dinheiro em espécie. Fui caminhando escadaria acima até o banco, e vi que logo na frente tinha um hotel, parei lá mesmo.

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Eu fui muito burra, mesmo. Se tem um momento da viagem em que eu mereço vários tapas na cara, o momento foi esse. Porra, eu tenho muitos muitos amigos no Pará, certeza que vários deles conheciam alguém em Orixi, eu não falei com nenhum, eu não pesquisei nada, eu simplesmente cheguei na cidade e torci pelo melhor. O que eu não contava, mas deveria ter antecipado, afinal de contas AMAZÔNIA, era que a cidade é simplesmente enorme.

Não, minha amiga, não é enorme tipo grande. É enorme tipo bizarramente enorme tipoa terceira maior cidade DO MUNDO, e inclusive é maior do que Santa Catarina, meu estado inteiro. Daí que você olha na internet e vê que Orixi tem a cachoeira tal mas não pensa que pra chegar em tal cachoeira você vai levar tipo 10 horas de carro.

012E de fato, a cachoeira que eu mais queria conhecer levaria umas 4h de carro. Nos raros momentos em que o wifi do hotel funcionava pesquisei e descobri outra cachoeira, que também ficava horas e horas de distância. Até que pedi socorro-pelo-amor-da-deusa para a dona do hotel e ela me sugeriu ir numa outra cachoeira cujo nome não lembro, que ficava tipo 1 hora de distância, mas para ir de carro ele me cobraria $ 300,00. Não, né, miga. Mas não mesmo. Chorei chorei insisti insisti até que ela achou um moto-taxi que me levaria até lá por $ 80,00. Combinamos de ele me buscar na manhã seguinte cedinho, fui dar uma volta no centro da cidade – leia-se praça da igreja – tomei um sorvete de açaí maravilha, jantei uma salada incrível num restaurante que achei por ali e cama.

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Dia 14

Tomei um café da manhã de rainha, com muitas frutas e minha amada tapioquinha. Aliás, note que tapioquinha se come assim como na foto. Enrolada. Nada disso de dobrar no meio tipo pastel. E juro que enrolada é bem melhor, viu? Tenta aí, vamos descolonizar esse lance de tapioquinha.

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Moto-táxi chegou e pedi um cacho de bananas pra dona do hotel que ficou tipo wtf??? Descobri que lá cacho é penca e penca é cacho. Refiz meu pedido, a senhora pode me dar uma penca de bananas por favor? Ensaquei as queridinhas e fomos.

Eu não sei se todas que me lêem aqui são de Blumenau ou conhecem Blumenau, então acho importante mencionar que a minha cidade (e região) é abençoada no que diz respeito a belezas naturais. Temos parques, mato, mata atlântica, cachoeiras, riozinhos fofos, e nas cidades próximas idem, tipo a Rota das Cachoeiras em Corupá. Então para eu me surpreender com beleza natural tem que ser realmente algo extraordinário. E não era o caso dessa cachoeira, tadinha. Era bonita, claro, e tinha toda a mística (para mim) de estar no meio da Amazônia, então rolou um certo significado. Mas no mais, era apenas uma queda d’água.

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Por sorte, na hora de voltar eu perguntei pro motoboy se ele conhecia mais algum lugar próximo, claro que ele disse que não. Pensou um pouco e disse: ah, tem uma praia depois do lixão. Eu: bora! E fomos. AINDA BEM! A praia de Caipuru de Fora era simplesmente linda, incrível, amei! – Tem bicho? – Nesse horário não. E entrei na água bem feliz. Fiz amizade com os dois vira-latas que moravam lá, a Léssi e o Chorão, esmaguei muito eles para compensar a saudade que estava sentindo das minhas… Aquela praia é uma comunidade de pescadores, e como era dia de semana estava simplesmente deserta. Só uma titia na sua venda, relaxando na rede. Valeu muito a pena conhecer essa praia… Por ser linda e por ter dogs dóceis. A maioria dos cachorros que eu conheço no Pará são maltratados, porque andam soltos pelas ruas, então eles sentem muito medo de humanos. Toda vez que eu tento chegar perto eles saem correndo. Quando eu consigo chegar perto e estico a mão para fazer carinho eles já colocam o rabo entre as pernas e se abaixam, pensando que vão apanhar. Vida de cachorro paraense é muito foda e eu ficava um pouco mais triste cada vez que via o pavor no rostinho de cada um deles…

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Na venda da titia eu comprei o rango para a minha viagem de volta na lancha, beiju. Mas não, não é aquela casquinha de beiju que a gente encontra nas praias catarinenses que lembram muito casquinha de sorvete, não. É simplesmente uma das piores coisas que já comi. Ever. Parece aquele beiju que a gente compra no mercado, sabe? Aquele bolachão? Só que mil vezes mais duro. Eu não sei como que essa gente não é banguela, de tanta comida super dura que come. Não soube lidar, comi um, machuquei a boca toda (fresca!) e larguei mão.

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A volta para Santarém fez só uma parada, em Óbidus, então foi uma viagem bem mais curta. E não tinha ninguém sentado ao meu lado. E eu lembrei de levar o saco de dormir comigo ao invés de deixar no bagageiro com a mochila. Então vim dormindo bem linda deitada no banco.

Dia 15

Acordei cedo e fui comprar minha passagem para ir de barco para Macapá. Super animada para viajar de barco e todo aquele clima rede-brega-tocando-novas-amizades. Só para descobrir que um azar cósmico fez com que justamente nesse dia não saísse nenhum barco para Macapá.

Os barcos Santarém-Manaus (viagem que eu fiz ano passado) saem do porto da Cargill (o lugar mais deprimente que pra mim simboliza o fim da Amazônia), mas os barcos Santarém-Macapá saem da Praça Tiradentes, e lá na frente tem uma agência de passagens, Até daria (disseram) para entrar e tentar negociar um valor mais em conta na passagem direto com as pessoas que trabalham nos barcos, mas eu né, que não sei negociar nem… nem nada, preferi ir direto para a agênciazinha.

Muito bem, esqueci quanto paguei, mas ACHO que foi $ 130,00. Depois de chorar muito. – Moço, como assim não sai barco hoje? E ele me explicou, sei lá o que, que sai mesmo todo dia, mas que o barco tava na manutenção ou qualquer outra coisa que não me interessava porque eu só queria saber como eu ia resolver meu problema. Eu reservei todos os dias possíveis para Santarém, então o resto da minha viagem estava com o cronograma SUPER apertado e não podia ~perder~ um dia. Pois bem, perdi. Pensei será que dá pra pegar um vôo hoje mesmo, será que dá pra ir de ônibus, será que tem lancha pra lá, outro barco de outra empresa, qualquer coisa eu imploro?!? Não. Comprei a passagem, e fui pro sebo.

Nunca imaginei, mas em Santarém tem um sebo bem legal. Não extraordinário, mas legal. Perto da Praça Tiradentes mesmo. Eu descobri isso na noite anterior, quando estava conversando na porta do hotel com o Moisés e de repente vejo um carrinho de livros passando, sendo empurrando por um menino lindo. Atravessei a rua e fui ver do que se tratava, e o nome do sebo é Caboclo Leitor. Não encontrei o que eu queria, queria livros sobre a Amazônia, qualquer coisa. Mas achei dois livros legais, aliás eu já tinha reservado esses livros lá no carrinho: um sobre o impacto do golpe militar em Alenquer e outro sobre a história de Santarém. Fora isso encontrei três livros incríveis e praticamente imperdíveis, dois do Levi-Strauss e um do Sartre. Os três em francês!!! Mas o preço não estava nada legal pra um sebo. Não pude levar, after all.

Próxima parada: Macapá e suas surpresas incríveis.

3 comentários sobre “Férias parte III – Monte Alegre e Oriximiná

  1. Georgia, naão gostei!!! Não vieste a Óbidos, a mais portuguesa das cidades da Amazônia! Da próxima vez, passa aqui!!!🙂

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