Férias Parte I – Rio de Janeiro

Acredito que não seja segredo para ninguém que tenha uma proximidade mínima comigo: sou completamente apaixonada pelo Norte do Brasil. E é amor verdadeiro mesmo, daquele tipo que me faz não conseguir conversar mais do que dez minutos com uma pessoa sem mencionar que a Amazônia isso, o Pará aquilo, quando eu fui pra Manaus aconteceu isso…

Eu costumo dizer que ter feito a melhor viagem da minha vida em 2013-2014 também foi a pior coisa que me aconteceu. Ter conhecido a Amazônia estragou meu ano de 2014. Porque eu voltei para Blumenau convencida de que meu lugar não era ali, mas sim em Santarém – PA. Eu sempre tenho essa sensação quando volto de viagem, sempre decido me mudar para o último lugar que visitei, mas dessa vez havia sido diferente. Porque, de fato, eu não consegui ser feliz depois daquela viagem. (Agora estou OK, não se preocupem.)

Sim, também tive muitos outros contratempos em curto espaço de tempo depois do meu retorno, a morte da Duda, problemas com a minha graduação, ano eleitoral super puxado, apertos financeiros… Outras pessoas num estado psicológico normal teriam tirado de letra esses revéses. Eu não. Acho que o que eu tive foi depressão mesmo.

Nesse exato momento, enquanto escrevo esse post, estou no avião, rumo a Santarém. Quando o piloto leu aquela saudação introdutória de praxe e falou que em Santarém temos tempo bom, temperatura de 32 graus, escorreu uma lágrima. A primeira de muitas, com certeza. (Aliás, que ideia besta essa de passar The Middle e Modern Family sem legenda na TV do avião da TAM e não termos fones de ouvido para escutar?!?)

Minha parada no Rio de Janeiro foi um mero erro de programação. Meu plano era correr a maratona do Rio, em meados de julho (minha única meta para 2015) e então sair de férias. Reservei 5 dias para o Rio, dois dias para chegar e me ambientar, um para correr, outros dois para me recuperar das dores e daí, férias. Meu erro foi ter comprado as passagens antes de fazer minha inscrição para a maratona. Eis que quando chegou fevereiro, época de fazer a inscrição, em duas semanas elas se esgotaram.

Até aí tudo bem. Poderia muito bem escolher outra maratona para correr. E fiz: maratona de Florianópolis, dia 16 de agosto. Mas nessa data eu ainda estaria nas férias. Então decidi adiar as férias para depois da maratona de Florianópolis, que seria dia 16 de agosto. Mas não tinha mais como retirar do roteiro, mesmo transferindo as datas das passagens, aqueles cinco dias que reservei para o Rio.

Não me entenda mal. Sou M-A-L-U-C-A pelo Rio de Janeiro. Mas sou ainda mais maluca por Santarém, então só fiquei pensando que cinco dias no Rio significavam cinco dias a menos na Amazônia. (No final das contas acabei quebrando o tornozelo em abril, o que me deixou sem correr/treinar por quase três meses, então adiei mais uma vez a minha maratona, que vai ser a de Fortaleza, em 01/nov.)

Dia 1

Eu sou dessas que gosta de férias sem stress. Tenho sim vontade de conhecer tudo, mas ao mesmo tempo tento respeitar meu corpo. E férias é pra passear sim, mas também é pra descansar. Tenho sempre pronta a minha programação super esquematizada mas não sinto culpa alguma se jogar tudo pro alto e passar o dia dormindo.

Cheguei no Galeão ao meio-dia e peguei o Frescão (ônibus que sai do Galeão e passa pelo Santos Dumont, Botafogo, Flamengo, Ipanema, Copacabana, Leme etc, custa R$ 16,20 mas é o jeito mais fácil de chegar na cidade) até Botafogo, de lá um taxi até a casa da Renata na Urca. Fiquei absolutamente embasbacada com o quanto o trânsito do Rio está insustentável.

Enfim. Cheguei na casa da Renata lá pelas 15h e preferi ficar em casa de boas. Saí com ela to run some errands e buscar a Liz na escolinha. O que dizer sobre Liz? Não há o que dizer sobre Liz, essa menininha genial que no auge dos seus 3 aninhos me fez de gato e sapato. Acho que vou sentir uma falta danada dessa pequena me acordando mais cedo do que eu gostaria todos os dias dizendo: Tia Géo, vamo acordá, o sol já acordou!

Vista da Urca

Vista da Urca

À noite, arrumamos o guarda-roupa da Renata, que decidiu ser minimalista e menos consumista. Ou seja: decidiu se livrar de todas as roupas possíveis. Como eu ainda não cheguei nesse estágio e continuo acumuladora de roupas… Minha meta de mochileira foi por água abaixo. Saí de Blumenau com uma mochila e mais nada, feliz da vida. Agora estou com uma mochila e mais uma bolsa ENORME, cheia de bolsas e livros. Quero ver se consigo despachar essa bagagem extra para casa, mas se isso for muito caro estou simplesmente fodida (alguém tem sugestões?).

Dia 2

Na manhã seguinte, acordei meio preguiçosa e como o tempo não estava aquelas coisas, chutei o plano de ir conhecer a Vista Chinesa – ainda estou pensando se essa decisão foi correta. Peguei um ônibus e fui caminhar por Ipanema / Copacabana. Gosto de ficar sentadinha na pedra do Arpoador, e as paisagens cariocas não me cansam nunca.

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Final da tarde fui para a casa do Alex Castro, em Copacabana. Nem me dei conta que já faziam quase dois anos que a gente não se via. E parece que foi logo ontem. Algumas pessoas nos dão essa sensação. Colocamos TODOS os assuntos possíveis em dia, conheci a estrela da casa, a hiperativa linda Capitu (nova cachorrinha dele) e a noite ele recebeu dois leitores dele, veganos, que se propuseram a fazer uma janta para nós. Pessoas veganas são as mais legais, eu sei. Alex falando sobre Cuba e o próximo livro que vai lançar e eu ali, como sempre, amando cada segundo.

Eu, Alex e a Capitu!

Eu, Alex e a Capitu!

Dia 3

Seguindo a mureta...

Seguindo a mureta…

Meu primeiro treino nas férias foi nesse dia, 5K. Fui e voltei seguindo a rua da mureta, pela Urca mesmo. Não existe comparação: treinar com essa vista, sol e ventinho é infinitamente melhor do que em qualquer outra circunstância. Estava me sentindo incrível (como me sinto toda vez que corro)!

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Quando cheguei em casa, Renata me avisou que Alex ligou me chamando para almoçar com ele e o pai dele no Leme. CLARO! Botei um dos vestidos menos periguete que ganhei da Renata e fui. Passei frio, como sempre. Aliás, só passei frio nessa cidade. Daí os cariocas riram de mim dizendo “Ué, é inverno!” e eu bem turista burra dizendo ser impossível existir inverno no Rio, que Rio é verão o ano inteiro, fui enganada!!!

Mas enfim, não teve um dia sequer que fiquei sem casaco, nem um dia sequer que tenha dormido sem edredon. Ficou a lição pra vida: faz frio no Rio.

Depois do almoço, pai do Alex me deixou na casa da Renata e aproveitei a tarde livre para fazer a trilha que sobre o Pão de Açúcar. Eu sempre soube que era uma trilha super leve, mas como eu nunca tinha usado a minha bota de trekking pra nada, achei que seria uma boa oportunidade para testá-la.

Fui. Eis que a subida era muito mas muito leve mesmo. Praticamente um passeio no parque. Com direito a parada para ver os macaquinhos bem de perto. As botas, claro, me deram calos nos dois calcanhares (bem mais no esquerdo do que no direito).

morri de amor

morri de amor

A trilha que eu fiz, que sai da Praia Vermelha (Urca) sobre a pedra do meio (primeira parada do bondinho). Chegando lá em cima, você pode descer de volta pela trilha (acho que é a melhor alternativa) ou paga $20,00 para descer com o bondinho. Mas não tem como subir para a próxima estação, a mais alta e consequentemente mais bonita. Comi um açaí gigantesco e desci de bondinho porque sou turista deslumbrada e também porque os calos me doíam.

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Dia 4

Eu fiquei quase quatro meses sem treinar. Quando finalmente me recuperei da fratura no tornozelo, tive que fazer umas micro cirurgias para retirar uns sinais que eram perigosos do meu corpo, sendo que um desses sinais era num dos dedos do meu pé. Uma coisa atrás da outra. E o cronograma de treinos correndo – eu não tenho como pausar ele ou começar de novo porque o tempo mínimo de treino para a maratona – no meu caso – é de 4 meses. Então depois da fratura e das mudanças de datas eu reiniciei o cronograma de treinos em julho, que é o limite. Ou seja: eu simplesmente perdi os treinos que passaram, e estou sentrando no trem agora para sentar na janela.

Então essas primeiras semanas serão muito sofridas mesmo, com treinos super pesados. Treinos esses que seriam super OK se eu não tivesse perdido mais essas três semanas em agosto. Eu já deveria ter corrido 16K num domingo desses que passou, por exemplo, então correr 12K hoje teria sido moleza. Inclusive os primeiros 6K foram moleza mesmo, como você pode perceber pela minha animação nesse vídeo:

Mas não foi. Corri 12K de manhã cedo e simplesmente morri para o mundo o resto do dia. Inclusive fiquei com febre e muita dor de cabeça a tarde. E nem foi uma corrida com muito esforço, fui bem tranquila. E foi linda, pela ciclovia de Botafogo e Flamengo, domingo de manhã e a rua fechada, milhares e milhares de pessoas passeando com seus bichos, com seus filhos, fazendo picnics, andando de bici, de roller, correndo, caminhando, jogando vôlei de praia… E a vista, né. Foi incrível, maravilhoso, e obviamente na hora eu não senti nada, à tarde é que o bicho pegou.

Então decidi não fazer nada mesmo. E o medo de cair doente o restante da viagem???

Dia 5

Recuperada do mal-estar do dia anterior, ainda assim acordei com preguiça. Mas levei tudo no meu tempo. Fiz minha contabilidade de manhã, cadastrei todos os gastos, entradas, saídas etcéteras no meu programinha de controle financeiro e fiquei me preparando psicologicamente pro que seria o ponto alto dessa minha estada no Rio: subir o Corcovado a pé, pela trilha.

Muitas bananas e mamãos depois, fui. De ônibus, até o Parque Lage. Aliás, eu fui nesse parque da última vez que estive no Rio, e acho que ele realmente merece um dia inteiro só pra ele. O lugar é incrível! Mas como já eram 15h e eu estava com medo de acabar perdendo a hora – sabe-se lá quanto tempo eu levaria para subir!, passei direto pelo Solar e fui para a trilha.

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Gruta com stalactite <3

Gruta com stalactite❤

Um pé de jaca! Eu nunca tinha visto!

Um pé de jaca! Eu nunca tinha visto!

O começo do sofrimento...

O começo do sofrimento…

Eu não sei se realmente o troço era difícil, ou se eu ainda estava com o cansaço acumulado da corrida dois dias seguidos, só sei que foi pra matar. A subida te engana, começa super tranquila e você pensa que está subindo o Spitzkopf. De repente fica íngreme e você praticamente tem que subir a porra de gatinho. E eu sou encarnada, eu não gosto de parar nem de ir devagarzinho, eu vou em marcha, ritmo constante, para o alto e avante! Mas quando chegou na parte onde você tem que se segurar nas correntes para escalar as pedras, eu arreguei, parei e gravei um vídeo. Naquele momento eu estava realmente com a língua arrastando no chão.

Quando chega na parte em que a trilha encontra os trilhos do bondinho, parei novamente para descansar e um macaco prego veio falar comigo. Aliás, que bicho lindo, hein? Vontade de abraçar e dar beijinhos! Tentei chegar perto, mas fiquei com medo porque não sei se eles são agressivos, enfim. Me arrependi de não ter levado bananas para dar pra ele.

Se não fossem essas raízes...

Se não fossem essas raízes…

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não dá pra ver mas ali tem um macaco...

não dá pra ver mas ali tem um macaco…

olha!

olha!

Chegando na entrada do Cristo, $ 11,00. Subi e para meu desespero completo, estava rodeada por nuvens e a visibilidade era NENHUMA. Não conseguia ver nem a cabeça do cara. Nossa, que frustração. Não se via nada em nenhuma direção, nem pra cima nem pra baixo nem pra frente. Desci até a lanchonete para comer um folhado de qualquer coisa e tomar mais água e chorar as mágoas com a atendente da lanchonete…

Eis que quando acabei meu lanche, o tempo simplesmente abriu. Tipo oi?!? E lá foram meus pézinhos ultra calejados e minhas perninhas ultra-doloridas subir tooooooda aquela escadaria novamente pra ver a cara do cidadão e a vista lá de cima. Dessa vez com sucesso!

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E para descer, já que eu subi pela trilha, como faz?

Simples: $ 40,00 de bondinho ou descer 2,5km e pagar $ 15,00 pela van que me deixaria no Cosme Velho. WHAT? Foda-se essa merda, desço andando. Desci mesmo. Pela estrada dessa vez, que dá mil voltas, mas pelo menos era morro abaixo dessa vez.

Chegando no Cosme Velho, que eu não sei exatamente o que é mas parecia uma comunidade, ninguém sabia como fazer para chegar na Urca. Que bom. Até que a décima pessoa que passou informou que teria que pegar o ônibus que me deixaria no Largo do Machado e lá eu teria que pegar outro ônibus. Gente, desculpa aí minha ignorância, mas no Rio não tem terminal de ônibus não? Cada busão é uma tarifa que paga?

Bom, enfim, fiquei que nem uma tonta esperando no ponto errado por um ônibus que nunca passou até estranhar e perguntar para um fiscal e ele me informar que meu ônibus pra Urca passava lá na praia do Flamengo e não ali no Largo. Muito boa notícia para quem já tinha andado, sei lá, trocentos kilômetros.

Cheguei em casa, morta de novo, fiz o rango high-carb mais fácil do mundo (de novo!!!): nhoque de batata da Hemmer + Pomarola + brócolis. E bora arrumar as malas porque teria que sair de casa as 4 da madrugada para a próxima e mais esperada etapa das minhas férias…

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