De amor e amores

(Porque agora que eu decidi escrever um livro, teremos cada vez mais posts da categoria Íntimo e Pessoal aqui. Se os posts são autobiográficos ou não, já adianto: tudo que escrevo é biográfico. Mas se aconteceu de verdade, cada detalhe, comigo ou com outra pessoa, são outros quinhentos.)


Oh well.
Vamos lá.

Fiquei chateada com tudo o que aconteceu. Não, fiquei triste mesmo. E em alguns momentos bastante braba.

Porque não é a primeira vez que isso acontece… De uma pessoa presumir coisas sobre mim e me botar em caixinhas.

Vou te falar como que eu filtrei esse rolê todo. E, claro, posso estar completamente equivocada, mas foi assim que as coisas chegaram até mim.

No começo foi assim, dentro da sua cabeça: “ah, Georgia, feminista, solteirona convicta, tchanam, relacionamento 100% casual, coração gelado, yeah!”

Daí seguiu assim. Aquela coisa leve que estávamos tendo. Sem glúten.

Eu não me dei conta que talvez você realmente não estivesse sentindo por mim o que eu estava sentindo por você. Até porque todas as demonstrações eram de que estava tão envolvido quanto eu. Não me preocupo tanto com o que as pessoas FALAM quanto me preocupo com o que elas FAZEM.

Sem me conhecer (e também sem fazer perguntas a respeito), você presumiu uma coisa que não era verdade. EU NÃO SOU solteirona convicta. Eu sou solteira-feliz-de-bem-comigo-mesma, independente, autônoma, bem-resolvida, blablabla. Mas ser solteira-solitária eterna NÃO É minha bandeira de vida, nem uma meta a cumprir, saca?

Eu não sou contra relacionamentos. E eu sou super romântica e me apaixono bem fácil. Se vier alguém legal, somamos. Se não vier, sigo feliz, como sempre. Eu não luto contra envolvimento.

Aí eu falei, do jeito mais claro que consegui, que tava apaixonada e talz. (Eu já tinha falado lá em Santarém, no quarto gelado de hotel, mas imagino que naquele momento você tenha pensado que era apenas infatuation.)

IMG_1500

E subitamente, senti como se você me colocasse imediatamente dentro da caixinha diametralmente oposta à primeira. Parecia que você havia presumido que, na real, ao invés de eu ser sem glúten, sou na verdade a solteirona-desesperada-pra-casar.

Porque eu vi a nossa discussão como um freak-out seu. Tipo “como assim apaixonada? não era essa imagem que eu tinha de você.”

O que talvez eu não tenha explicado, é que isso NÃO IMPLICA EM NADA ALÉM DE EU ESTAR APAIXONADA. Não quer dizer que eu espero por uma aliança, nem que eu vou engravidar nem que eu vou virar monogâmica nem porcaria nenhuma. Não quer dizer NADA além da boniteza do amor.

Você não viu boniteza, você viu compromisso. Presumiu um mundo. Parece que projetou dois anos pra frente numa realidade alternativa, numa casa cheia de gatos. Daí terminou, disse que não era isso que você esperava, não era isso que você queria, que você “me idealizou” – e, contraditoriamente, me acusou de não saber demonstrar sentimentos, quando o que eu mais desejei era tê-los escondido.

Imagino que não tenha passado pela sua cabeça que seria natural eu ficar chateada por não ser correspondida. Que eu quis pensar por dois dias no que isso significava. Que eu merecia esse tempo. Pra pensar em como eu lidaria com isso, e em como seria essa parada unilateral. E no final das contas, pensei que, bem, foda-se, né.

O que eu não deixei claro, e também não havia como você ler nas entrelinhas (e talvez por isso se apressou em presumir) é que nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Nem preto, nem branco. Havia uma miríade de configurações de relacionamento que nós poderíamos ter tido – inclusive a alternativa nenhum relacionamento ou a alternativa relacionamento via whatsapp.

O que eu nunca falei, porque nunca veio ao caso, e porque eu jamais pensei que o que aconteceu fosse ultrapassar os limites santarenos, é que eu já tenho um relacionamento. Relacionamento esse que nunca me passou pela cabeça terminar. Porque to bem assim, porque ele não me impede de viver outras coisas, e de me apaixonar perdidamente nas férias de inverno.

O que eu queria, quando me declarei para você, era que você se sentisse lisonjeado, especial e amado, porque você é. E sim, por alguns momentos esperei saber que você sentia o mesmo, mas enfim, depois de trabalhar isso aqui dentro percebi que nem tinha tanta importância assim, se o que a gente tava tendo tava tão fofo e legal. E a intenção era justamente deixar claro que eu tava curtindo MUITO tudo isso, e que eu ficaria feliz se continuasse. Mas o tiro saiu pela culatra. Acontece.

Um comentário sobre “De amor e amores

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s