Mulheres e ativismo social

A minha cara de alegria quando finalmente eu pude entender um dos motivos que faz ser TÃO difícil convencer mulheres a se engajar na luta contra o patriarcado foi indescritível. Estava lendo sobre feminismo e veganismo preparando ua partilha que vou fazer no 1o Bazar Vegano de Florianópolis quando me deparei com os resultados de um novo estudo, que descobriu que…  A OBJETIFICAÇÃO SUPRIME O DESEJO DAS MULHERES DE SE ENGAJAR EM ATIVISMO SOCIAL.

Trocando em miúdos, esse novo estudo mostrou que a objetificação pode fazer com que mulheres em idade universitária aceitem mais facilmente o status quo e torna menos provável que elas se engajem em ativismo social, contribuindo potencialmente com a desigualdade de gênero.

A pesquisa focou em auto-objetificação, que é uma auto-perspectiva que muitas mulheres adotam como consequência primária de encontros regulares de objetificação sexual, segundo a pesquisadora Rachel M. Calogero, da Universidade de Kent, no Reino Unido.

Esse estudo foi publicado em 2013, na revista Psychological Science. E às vezes fico de cara que, por mais que eu tente sempre ficar ligada nessas coisas, só soube essa semana. Mas ok, antes tarde do que nunca.

Mulheres que foram preparadas para avaliar a si mesmas com base em sua aparência e apelo sexual tinham uma motivação diominuída para desafiar desigualdades e injustiças baseadas em gênero.

“A auto-objetificação tem sido relacionada à muitas consequências negativas na saúde física, mental e comportamental em garotas e mulheres, e até em alguns homens. A pesquisa foi mais longe, testando a noção teórica de que a prática da objetificação SUSTENTA a desigualdade em níveis mais amplos – está conectada à motivação das mulheres em desafiar o status quo.

sex-doll

No estudo foram feitos dois experimentos separados para investigar a relação entre auto-objetificação e ativismo social. O primeiro experimento testou se mulheres que depositavam um valor maior em atributos baseados em aparência tinham maior probabilidade de aceitar o status quo. O resultado não foi surpreendente: aquelas que aceitavam o status quo tinham menor probabilidade de se pronunciar a respeito de desigualdade de gênero ou mesmo assinar uma petição de apoio aos direitos das mulheres.

Valorizar e investir prioritariamente em coisas relacionadas a aparência e ser a si própria em termos de objeto sexual está relacionado às mulheres se desvalorizando e investindo menos em ação social que serviria melhor o seu intra-grupo (por exemplo, apoiando candidaturas femininas). Esse padrão parece emergir porque quanto mais as mulheres se auto-objetificam, menor é a probabilidade de perceber que há alguma coisa errada com o status quo do gênero, então por que muder?

Embora Calogero tenha encontrado uma ligação clara entre auto-objetificação e os esforços para promover igualdade de gênero, seu segundo experimento procurou entender melhor as relações causais dessa correlação.

Calogero pediu a um grupo de universitárias que lembrassem de uma experiência onde elas se sentissem objetificadas, enquanto um segundo grupo pecisou escrever sobre como elas gastariam um vale-presente de 50 dólares. Ambos os gripos também precisaram se descrever em dez frases, e completar questionários para saber sua opinião sobre relações de gênero e seu desejo de participar em ativismo social.

As mulheres que lembraram de ter sido objetificadas tiveram maiores probabilidades de descrever suas aparências físicas, confirmando que elas foram incentivadas a objetificar a si mesmas. Elas também demonstraram uma aceitação bem maior de normas de gênero e relataram que teriam menor probabilidade de participar de ativismo social no futuro.

Levando em conta as fontes numerosas de objetificação feminina na sociedade ocidental, desde olhares ofensivos no transporte coletivo até propagandas altamente sexualizadas, o assunto precisa de mais atenção da ciência. Embora pensadoras feministas estejam discutindo há muito tempo sobre as consequências – e até do suposto empoderamento – que resulta da objetificação, o tema foi pouco explorado em pesquisas acadêmicas.

“Por que nós objetificamos os outros? Por que nós objetificamos compulsivamente garotas e mulheres, em idades cada vez mais jovens, em nossa cultura? Eu acho que há forças múltiplas e convergentes em jogo. O que sabemos é que as evidências de objetificação de mulheres em uma variedade de mídias e fontes interpessoais é absurda e que isso faz mal tanto às mulheres quanto aos homens. Tenha em mente que a objetificação sexual inclui uma variedade de encontros, de menos a mais extremos. Não é só olhar para os corpos das mulheres ou os retratos femininos na mídia, mas também o assédio sexual e a violência”, diz a pesquisadora.

Não a toa, se formos ver a maior parte das feministas (pelo menos no meu círculo) são justamente as mulheres que já tiveram conflitos com o tal status quo desde jovens. Ou por não gostar de maquiagem ou por querer brincar como moleque, ou por falar alto (ou mesmo tagarela) ou por não querer usar vestido. Tudo isso também relacionado a ferramentas para reforçar nossa objetificação. O desafio é como chegar nessas mulheres que acabaram sendo levadas a entrar no padrão. Como engajar todas?

Um comentário sobre “Mulheres e ativismo social

  1. Faz todo sentido!
    Obrigada pelo texto, tenho pesquisado sobre como os padrões de beleza midiáticos são capazes de construir e desconstruir opiniões estéticas que até então serviam como parâmetro e como se torna cada vez mais difícil moldar a nossa visão do que é bonito ou feio a partir do que realmente acreditamos o ser e não a partir daquilo do que nos é ou foi apresentado. Acho que a minha visão se relaciona com o seu texto quando pensamos acerca da aceitação, já que se busca e se constrói uma imagem com base no olhar do outro e não no nosso próprio olhar. Enfim, algumas impressões pessoais inspiradas por esse teu texto…

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