‘Mãe’ de cachorro é mãe?

Nunca antes na história desse país eu vi tanto post de facebook falando sobre a condição de mãe de bicho. Se pode, se não pode, se tá certo, se é ofensivo. Estava lá, em todas as timelines de gentes que eu amo que eu admiro, e outras que nem u nem outro. Aparentemente nenhuma questão dentro do feminismo é mais urgente do que definir se eu posso ou não posso me entitular mãe dos meus cães e gatos.

E daí eu fiquei pirando em cima disso, tentando ignorar meu reflexo automático de dizer sou mãe dos meus bichos sim, quem é você pra dizer que não? e refletir criticamente sobre tudo que as minas tavam falando.

Meus amores, mas não minhas filhas.

Meus amores, mas não minhas filhas.

E o fato é que elas têm razão. Mãe de cachorro, mãe de gato, mãe de tartaruga, não é mãe.

A carga social sobre mães de humanos é infinitamente diferente da carga social sobre mães de bichos. Uma coisa não é comparável a outra a ponto de se usar o mesmo nome. Ser mãe é opressor, dentro do mundo em que vivemos hoje. E eu já falei aqui mil vezes, nada acontece no vácuo, não dá pra ignorar todo o significado que uma palavra aparentemente inocente carrega e tudo o que essa palavra traz para a vida das mulheres.

A maior parte das mães que eu conheço jamais admitiria que ser mãe é algo opressor, até porque admitir isso seria quase como admitir que eu não teria filhos se pudesse não os ter tido. Aos olhos dos leitores atuais, é isso que se entenderia. A romantização da maternidade e a dificuldade que as mulheres têm em reconhecer que não, não é o paraíso. Ser mãe, hoje, é, exclusivamente e nada além da realização de um sonho. O sonho de toda mulher. Que mulher em seu juízo perfeito não vai querer ser mãe? Só as loucas, as promíscuas, as safadas, as que nenhum homem quis, as egoístas, as párias da sociedade têm a audácia de rejeitar o papel da maternidade compulsória.

O peso de ter um bebê humano é um milhão de vezes pior do que o de se ter um animal. Por mais que eu, pessoalmente, veja a responsabilidade como igual. Não é assim que O MUNDO vê. É sobre os ombros das mães de humanos que vêm todas as pressões e cobranças. É a mãe de humanos que é julgada, que tem pessoas conhecidas e desconhecidas metendo o bedelho na gravidez, no parto, na criação, na educação e na alimentação dos filhos. Na minha prática pode não ser, mas para a maior parte das mulheres os papéis são muito diferentes.

E nem estou falando apenas da questão psicológica, da pressãozinha social para dar de mamar até os 6 meses e afins. Falo de coisas práticas também. Bichos não atrapalham dificultam sua vida como um bebê humano faz. Bichos não precisam de creche e você não precisa acampar dois dias antes da abertura de matrículas na frente do CEI para conseguir uma vaga para um gato de modo que você consiga ser mãe e trabalhar. Ninguém te enche o saco perguntando se você tem gatos? Pretende ter gatos? Por que não tem gatos? Quando vai ter mais um gato? Mas ter gatos é a realização de uma mulher! Com quem você deixa seus gatos quando viaja? Quando eles ficam doentes você precisa faltar ao trabalho para cuidar deles? Ninguém te olha torto no trabalho depois de você faltar porque seu cachorro estava com catapora.

Mãe é mais do que esse amor transcendental que nós idealizamos. Porque se fosse só isso, sim, eu sou mãe de todos os meus bichos. Mas infelizmente não. Ser mãe, além desse amor todo e cuidados e expectativas com relação à prole, também é um papel social. A gestação também é um período de opressão especialmente em um país como o nosso onde o aborto é proibido pela lei e pela cultura. A socialização feminina nos cria para a maternidade compulsória, para que esse, juntamente com o casamento, seja nosso objetivo de vida e nossa suposta realização pessoal como mulheres. Ninguém é socializado desde o berço para ser mãe de bicho, é? E isso vale não só para quem gestou, mas também para quem assumiu o cuidado como mãe. As opressões são as mesmas.

O discurso que me incomoda é a romantização da maternidade. Por que nós, mulheres, temos que ser MÃES dos nossos bichos? A maternidade como como imperativo biológico, ou seja, se você falhou como mulher no seu papel de gerar uma criança, vai exercê-lo através dos animais, mas de qualquer maneira vai exercê-lo. Porque, até inconscientemente, consideramos o amor materno como o mais nobre, aquele mais incondicional, aquele que nós como mulheres precisamos sentir para nos sentirmos completas. Por que não podemos ser irmãs dos bichos? Tias? Nem todo amor precisa ser materno. Porque só a maternidade é associada a esse amor, cuidado, renúncia da vida pessoal, etc. Porque essa é uma imposição social à maternidade. E a romantização da maternidade é uma das ferramentas mais poderosas do patriarcado para nos manter exploradas e ocupadas demais para lutar contra ele.

Existe a expectativa de que as mulheres abandonem toda a sua vida, tudo aquilo que faz dela uma PESSOA antes de ser uma MÃE, todos os planos, carreira e etc, todas as suas necessidades humanas, fisiológicas e emocionais quando se tornam mães. (Sim, eu sei que tem mulheres que mantém suas carreiras, ai mddc…) E existe também punição e julgamento constante quando isso não acontece. E essas mesmas pessoas que estão sempre de vigília monitorando cada passo que uma mãe de humano dá, que dão pitacos, avaliam, fazem fofoca, tecem julgamentos, simplesmente desaparecem quando é necessário atender qualquer necessidade da mulher.

Mas ainda assim, somos criadas para desejarmos a maternidade mais do que tudo no mundo. E daí nós, mães desde que nascemos, tentamos dizer que amamos TANTO nossos bichos quanto uma MÃE DE HUMANO ama seu humano. Sendo que esse amor materno não é uma escolha. Sério, não é uma escolha.

Sabe qual é a prova disso? Eu não vejo, nunca vi, em nenhum dia dos pais, nenhuma campanha masculina reivindicando o papel de ~pai de bicho~. Apesar de eu ter me relacionado com alguns homens que se entitularam papais da Simone, eu não preciso ir muito longe do meu portão para ver que eles foram exceções (e exceções bem xexelentas porque não to recebendo pensão de nenhum para ajudar com as despesas veterinárias dela). Pois homens não sofrem essa pressão cultural, essa necessidade definidora de identidade de serem progenitores/provedores de alguém. (Sempre tenho que fazer disclaimer, ai que saco. Sim, eu sei que muitos homens querem ser pais, mas se liga, o peso social para que ele de fato o seja é infinitamente menor do que o que recai sobre as mulheres.) A paternidade é vista mais como escolha do que como qualquer outra coisa.

E se você não quiser ser mãe? Depois de já ter tido o filho? Primeiro, que se o seu filho for um animal, você pode muito bem decidir doar ele, sem problema nenhum. Sim, na opinião dos protetores eu vou estar sendo uma tremenda babaca. Mas levanta a mão quem já de desfez de um animal, seja lá por qual motivo? Muito bem, vejo todos com a mãozinha levantada. Porque PODEMOS fazer isso. E mesmo eu, que nem sou exatamente uma pessoa dada a crianças, nem quero filhos, nem sou de fofuras com bebês, e digo aos quatro ventos que amo meus animais mais do que tudo no mundo… MESMO EU SEI QUE ESSE AMOR NÃO É A MESMA COISA.

É a mesma coisa para mim, porque é o mais próximo que eu vou chegar de algum sentimento próximo ao da maternidade. Mas uma amiga no facebook levantou um ponto que ilustra bem: e se o seu pet morrer? Sim, eu vou sofrer, eu vou chorar muito, eu vou ficar muito mal durante muito tempo, como de fato fiquei quando minha Duda – o maior amor que eu já conheci – me deixou. Mas menos de um ano depois estou aqui, viva, e adotei outra cachorra para tentar preencher aquele espaço. Coisa que é impossível de se fazer quando o assunto é filho humano. Ninguém perde um filho e decide fazer outro. Ok, algumas pessoas talvez, mas jamais com a justificativa de que ~vagou um lugar~.

Dentro de uma perspectiva vegana eu tenho até medo de escrever as coisas que estou escrevendo aqui. Porque faz parte da minha luta como defensora dos direitos dos animais incentivar as pessoas a terem mais consciência na adoção de um animal. E dar ao animal a mesma consideração que se dá à filhotes humanos. Gostaria de não precisar hierarquizar essas relações, de dizer que a responsabilidade por um e por outro é a mesma. Lutar para que todos possam escolher ter ou não filhos e ter ou não cachorros, e que a responsabilidade com relação aos filhos e aos pets sejam as mesmas para o homem/pai e para a mulher/mãe, e etc. Mas, né? Estaríamos falando de um mundo feminista ideal onde as relações de gênero já sejam igualitárias e então só precisaríamos de uma forcinha para elevar o status dos pets. Não chegamos lá ainda…

E pra encerrar esse assunto, porque pra variar meu tempo é limitado, essas perguntas que eu encontrei em algum desses posts ilustram ainda melhor a diferença entre filhos humanos e filhos animais:

* Quantas vezes você deixou de ser contratada porque tem um animal de estimação?

* Quantas vezes você deixou de ir a uma entrevista de emprego porque não tinha com quem deixar seu cachorro?

* Você teve que parar de estudar por não ter com quem deixar seus gatos?

* Com quem você deixa seu cachorro quando quer sair a noite?

* Quanto você paga de mensalidade da escola?

* Como você faz para que seus animais se interessem em estudar? Dicas?

* Quanto tempo você ficou na fila de espera para conseguir vaga na creche do seu animal?

* Quanto tempo depois de adotar seu animal você conseguiu voltar para o mercado de trabalho? Seis meses? Dois anos?

* Qual plano de saúde você tem para o seu cachorro? Ou usa o SUS mesmo?

* O que as pessoas costumam dizer quando vocês vão pra balada mesmo sendo mães de bichos?

* Vocês são julgadas por serem mães solteiras de animais? Como?

Qualquer coisa que fale nesse amor espiritual como se ele e a responsabilidade sobre ele existisse no vácuo revela apenas falta d empatia e excesso de privilégio.

37 comentários sobre “‘Mãe’ de cachorro é mãe?

  1. Eu não tenho a mínima vontade de ser mãe de um ser humano. Nunca tive, nunca. Acho que a maternidade não me cabe. Ser “mãe” de animais é mais confortável e bem menos estressante, sem falar do amor puro que existe nessa relação❤ .

    • Apoiada Gle, eu nunca desde a minha adolescência
      quis ser mãe de humanos. Cada um tem sua escolha, prefiro 10.000,00 vezes er mãe de filhos de quatro patas.

    • Por mim a raça humana deveria ser extinta. Ô raça miserável e egoísta. Quanto menos cria essa maldita raça der melhor. Os animais é que deveriam reinar, com certeza esse universo seria muito melhor. Basta ver o ciclo natural da natureza. PERFEITA, mas basta a bosta do ser humano colocar a mão para estraga tudo.
      Ahhh você vem me dizer que também sou humana. Infelizmente, pois seria mais digno ser uma animal.

    • Concordo c/ vc. Tb não tenho vontade de ter filho humano. Fora q o amor deles é incondicional enqto dos humanos, mtas vezes, é condicional: Gosto/cuido de vc enqto vc me traz algum benefício. Fora que tb deixamos mtos programas sociais por causa deles, mtas pagam creche (cerca de 500,00/mês), voltamos mais cedo se vamos a alguma festa, temos q faltar ao trabalho qdo adoecem (e é bem mais fácil sermos olhadas de cara feia do q mãe de humanos), os gastos veterinários são altíssimos pois nem SUS pra eles têm, é tudo particular… E quem escolhe ser mãe, seja de humano ou de animal, o faz pq quer, então não tem q ficar reclamando, fazendo drama ou comparando.

      • Andressa, concordo com vc tirando que ser mãe de humano é sempre uma escolha. Eu não tenho vontade de ter filho humano, mas sei que todas corremos o risco de engravidar (o único método infalível é não fazer sexo) e aí não tem jeito – legalmente falando – de não ser mãe.

  2. Tanta coisa pra te dizer… tanta…. mas estou muito ocupada, estou com duas filhas doentes, tenho 5 filhos. Uma humana, e quatro animais, cães. Se não se considera mãe de animais, o problema, ou a vontade de não o ser é sua, mas deixe as outras pessoas à vontade, mulher.

    • Ué.
      Tô aí apontando uma arma na tua cabeça te proibindo alguma coisa? Estou te deixando super a vontade.
      Um feminismo que não problematiza não me serve. Vou problematizar sim, tudo o que eu quiser, sempre.

  3. E TANTA ASNEIRA ESCRITA QUE NEM TIVE PACIENCIA DE LER TUDO ,ESSA FULANA TEM QUE SE DESCOBRIR PRIMEIRO PQ ISSO NÃO E FEMINISMO COISA NENHUMA ,SOU MÃE DE QUEM EU QUISER ,TENHO TRES FILHOS HUMANOS E DOIS PELUDOS ,ME CONSIDERO MÃE DOS CINCO E ISSO E PROBLEMA MEU , GORGIA VOCE DEVE TER ALGUM PROBLEMA COM MATERNIDADE ,VAI PROCURAR UM PSIQUIATRA OK….

    • Ninguém tá medindo amor, estamos falando de papéis sociais mesmo. Vc pode se entitular o que quiser dos seus bichos, ninguém tá proibindo ninguém de fazer nada. O post foi um convite à reflexão e ao debate, mas sem respeito e com violência é complicado.

      Fui eu quem escrevi o post, sou tutora de 9 animais que amo mais do q tudo no mundo.

      • Cada filho da um tipo de problema: com filhos humanos vc tem um tipo de problema com filhos caninos ou felino vc tem outro. A maioria das minhas colegas que tem filhos humanos dizem que voltariam atras e não teria tido e a maioria que tem filhos caninos não se arrependem da escolha. Achei bem interessante essa prorpoção de arrependimento quanto a maternidade.

    • Concordo Geórgia! Tem muita Anta q não entendeu seu post .. Mãe de cachorro, infinitamente MELHOR!! Você sabe com quem está lidando… Filhos humanos??? Você nunca vai ter a certeza o q ele vai virar um dia! Ué… Quantos filhos depois de tanto amor, te matam …vai saber né???

  4. Eu sou mãe de 2 gatos e ninguém vai tirar esse título de mim. É cada coisa que “problematizam” que daqui a pouco não resta nada a se viver sem críticas. O negócio é ignorar, até pq o feminismo tem questões mais urgentes. Parece mesmo um grande recalque das que não tiveram peito pra não ter filhos humanos, sabe? Eu desde os 15 anos já dizia que não seria mãe. Hoje, aos 30, raramente ouço “quando vai ter filhos?”, SABE PORQUÊ? Pq eu bati de frente, peitei a maternidade compulsória e mandei cada familiar e amigo impositor ir cuidar da sua vida. Se essas mães de humanos sofredoras não tiveram peito enfrentar isso, problema delas! Eu tive, então não venha me dizer o que eu posso ou não fazer. Lutei pela minha liberdade e isso inclui ser mãe de pet, e NINGUÉM vai tirar isso de mim. Tão revoltadas? Doem os filhos e adotem cachorros, vocês são livres, sabia?

    • esse seu comentário é a prova de que te falta interpretação de texto.
      não conseguiu nem entender que eu nem tenho filhos humanos. tenho 9 animais, quatro cachorros e cinco gatos.
      daí fica difícil debater, né? quer discordar e nem sabe do que se está falando.

  5. Vi tanta gente metendo o pau no seu texto, e vejo que muitas pessoas não sabem interpretar um texto simples, tao simples. Sou mãe e tenho sim bichinho de estimação, e digo não é a mesma coisa. Os ser humano (lixo do jeito que é) que “humanizar” e se apossar de tudo (talvez o motivo dos et’s nos evitarem haha). Ninguém (principalmente você) duvidou de um amor de um dono para com o pet, inclusive voce diz que não tem filhos e tem sim bichinhos e os ama demais, tanto que no começo foi difícil para você mesma aceitar que não era “mãe” dos seus pet’s. Realmente existe uma pressão enorme com as mães, nós precisamos ser perfeitas, aquelas que cuidam, cozinham, passam, renunciam a vida, tudo em prol do filho, e neeem ousamos dizer que temos dificuldades nisso, que existem dias que você esta estressada, que é esta de saco cheio de ser mãe e queria colocar os filhos, o marido (se houver), e todo mundo dentro de uma nave e mandar para a Lua. Que as vezes o que você quer é ficar sozinha, e pensa será que foram escolhas certas? Como seria minha vida sem meus filhos? Mas claro que nunca uma mãe vai ousar a falar isso em voz alta, alias ela nem demora muito com esse pensamento, temos medo de acreditar nisso também, é como se estivessemos falhando como mulheres, como mães. SOMOS HUMANAS. O ato de amar demais e cuidar não é ser mãe, se não poderiamos ser tias, irmãs, madrinhas de pet’s. Alias, se os bichinhos soubessem falar, aposto que desaprovariam a nossa criação de “mãe pet” com os nosso bichinhos. Amar, cuidar, tratar, não é apenas isso ser mãe. Apenas uma pergunta. Se você tivesse um bebê e descobrisse que ele tem uma doença cronica e severa com alergia a pelo (ou qualquer outra coisa animal), e não poderia estar no mesmo ambiente que um cachorro, gato, ramister, enfim. Você doaria ( mesmo com a maior tristeza do mundo) seu filho ou seu pet? Nâo banalizem o nome “mãe”. O amor com os animais é enorme, mas não é ser mãe.

    • nossa, helô, você foi uma das poucas que entendeu EXATAMENTE o que eu quis dizer com o texto.
      uma pena o linchamento virtual. li e reli e realmente não sei se eu conseguiria ser mais clara do que fui.

  6. Não entendo exatamente em que ponto a relação “materna”, no aspecto de dedicação, cuidado, carinho, não pode ser aplicada a um animal e necessariamente é um desrespeito às mães. Conheço mães de humanos que não se dedicam um terço do que eu me dedico ao meu animal, e olhe que não sou chegada a exageros. Enquanto muitas crianças são apenas acordadas às pressas para comer e seguir com sum rotina, meu cão recebe religiosamente um bom dia com afagos, muito carinho e troca de olhares através do qual sei que entende nada do que falo, mas se sente amado e seguro, da mesma forma ocorre antes de dormir, após escovar seus dentes. Quem não se emociona com a história da tripulante do Titanic que ao pegar um dos barcos salva vidas e ter o cão excluído não titubeou e saiu do barco para continuar protegendo seu cão, mesmo que custasse sua vida, como custou. Que amor materno não justificaria e explicaria isso. Uma coisa é a visão romântica da maternidade, que deve ser banida pelo bem das mulheres, em nome de sua liberdade e igualdade social. Os exageros e pressões que não as qualificam como boas ou más mães, mas apenas as forçam a preencher as lacunas deixadas pelos pais. Outra coisa é a denominação de um afeto tão grande e que pode ocorrer entre qualquer espécies e inclusive não ocorrer entre humanos. O que dizer dos pais que tambem se dedicam aos filhos com mesma intensidade, embora exemplos sejam escassos. Em devidas proporções, sim, perco tempo dedicando ensinar meu cão, desde o lugar certo para fazer o xixi, que não deve comer sapato, mastigar fio, subir na cama, com o “não” sonoro e bem aplicado aprendido em livro que me ensinou a entender como interpretam o mundo, já quantos país se dedicam a compreender como seus filhos interpretam o mundo? Sim, passo noites sem dormir ao lado se está doente e tem febre, limpo vômito, sofro se está sentindo dor, cuido de vacinas, higiene, reservo tempo para atender sua necessidade de socialização, assim como uma criança nos primeiros anos de vida que nunca ficará independente e que provavelmente eu o enterrarei, como uma bebê senil, que nunca precisou ir a uma escola, mas desde quando esse tipo de obrigação se confunde com o sentimento de ser mãe? Acho que há donos de animais e mães, assim como há mães e meras tutoras responsáveis. Amor é amor, seja lá onde surja.

  7. Agora, a autora do post não tem condições muito menos não deve julgar o quanto uma pessoa AMA seu filho pet como um filho. Julgar os sentimentos ou quão profundo ele é, dona do post, é muito feio isso mostra quão pequena é a capacidade de entender a amplitude da palavra amor ou mesmo de senti-lo. Quem sabe um dia vc aprende que AMAR não serve só para humanos. Procure deus, vc vai ver que ele diz amai o próximo como a ti mesmo. Procure entender o PLENO significado dessas palavras, amai o proximo não são só pessoas e julgar sentimentos não é sinonimo de amor. PROCURE DEUS ele pode te ensinar um pouco mais sobre esse sentimento tão nobre e lindo. DEUS TE ABENÇOE PARA QUE VC POSSA AMOLECER ESSE CORAÇÃOZINHO TÃO JULGADOR E DURO.

    • Olha só, que interessante, o que você sabe da minha vida para dizer se eu tenho ou não condições de falar qq coisa sobre qq coisa?
      Ninguém tá medindo amor, estamos falando de papéis sociais mesmo. Vc pode se entitular o que quiser dos seus bichos, ninguém tá proibindo ninguém de fazer nada. O post foi um convite à reflexão e ao debate.
      Não tem absolutamente NADA de duro nesse meu coração aqui, que já resgatou e salvou centenas de animais e hoje vive feliz com seus gatos e cachorros que tem vida melhor do que muita criança por aí.

  8. Georgia, eu entendi exatamente o que o seu texto quis dizer. Há um peso em ser mãe que os tutores de animais não tem. Isso é certo. Não quero medir amor, responsabilidades, sofrimentos… não faz sentido. Isso dá ao título MÃE um significado tirado de toda essa posição em que a mulher que tem filhos humanos está submetida. Eu entendi isso. Mas não vou deixar de me chamar de mãe de gato, nunca vai ter o mesmo significado pra mim (ser mãe de gente e mãe de bicho), só que eu acho que toda dedicação, sacrifício e amor que tenho pros meus bichanos é digno de um título de mãe. Salvei dois deles da morte na rua, não sou apenas uma alimentadora, protetora, eu os amo muito, já deixei de fazer muito por conta deles (incluindo a chance de ser removida pro exterior, porque não vou deixá-los). Não pretendo “doar” meus felinos em hipótese alguma pois pra mim, eles são um compromisso de vida inteira. No meu ponto de vista, uma pessoa ao adotar um ser vivo não pode desistir dele quando não é mais conveniente. Provavelmente as pessoas em geral não levem essa responsabilidade tão a sério quanto a de ser mãe, eu entendo, a pressão na mãe é imensa, mas eu levo. Se minha mãe e outras mães vieram até mim e dividiram comigo o título de mãe (de gato, óbvio), não recusarei.

    • Quando eu chego em casa e meus cinco cachorros e cinco gatos, todos resgatados, vêm correndo me receber, eu digo “oi meus bebês, a mamãe chegou!!!” Tenho dívidas infinitas no veterinário, durmo com todos eles, planejo minha vida e escolho onde morar baseada no conforto e bem estar deles, etc etc etc. Pra mim, bicho é responsabilidade pra vida, é amor incondicional, etc etc etc. Mas pra mim né.

      Se amanhã eu falasse: “tenho q me mudar pra Austrália não posso levar meus bichos”, certamente teria pessoas para adotá-los e quase nenhuma me julgando pelo abandono. Agora tente, como mãe, fazer isso com filhos humanos. E nesse caso eu não estou nem julgando se o abandono seria moralmente aceitável ou não (a meu ver, NÃO) mas sim o peso social que essas diferentes “maternidades” exercem sobre as mulheres.

      Mas achei importante pontuar que, no dia das mães, não, eu não mereço parabéns. Mãe de humano é OUTRA coisa.

  9. Georgia, além do seu texto eu li vários outros comentários no Facebook sobre esta questão de ser mãe de pet. No início eu discordei, mas agora que eu li bem o seu texto eu entendi perfeitamente o que você, e outras mulheres querem dizer.
    Eu tenho um cachorro e eu amo ele como poucas pessoas na minha vida, mas, não sendo mãe de humano, eu sei que jamais eu vou entender o que é ser mãe de humano. Eu, você, e milhares de pessoas hoje escolhem ser só mães de pet, e, pelo menos para mim, é justamente porque NÃO é a mesma coisa que ser mãe de humano.
    Sim, eu gasto com vacinas, eu fico com ele quando ele está mal, eu compro brinquedos, caminha, comida, mas eu conheço pessoas que sacrificam seus pet por terem leishmaniose, por exemplo, sendo que há tratamento, que, no caso, é para vida. Ninguém julga essas pessoas, porque é uma escolha que elas podem fazer, não é um crime sacrificar um animal doente. Claro que eu sou contra, se o meu filho peludo tivesse a doença que for eu ia tentar levar até o fim, e não desistir sem ao menos tentar algum tratamento. Uma mãe de humanos tem um papel completamente diferente. E, sim, eu vou continuar chamando meu cachorro de filho, e me chamar de mãe, mas eu não vou colocar posts no Facebook de dia das mães, porque eu sei que a relação. Eu tenho com o meu bichinho amado não é nem um pouco perto de uma mãe com o seu filho humano.

    • “Eu, você, e milhares de pessoas hoje escolhem ser só mães de pet, e, pelo menos para mim, é justamente porque NÃO é a mesma coisa que ser mãe de humano.”

      pra mim esse argumento é o q faz tudo tão óbvio que eu nem sei como q as pessoas não entendem

  10. Excelente texto. Eu nunca tive nenhum desejo em ser mãe, hoje tenho um filho e sinto além do meu amor incondicional, toda essa pressão e responsabilidade, um filho muda completamente a sua vida. Já tive um cachorro há anos atrás, e não tem como fazer nenhum tipo de comparação.

  11. *A cadela faltou ao trabalho pra cuidar do filhote?
    *A gata acampou na fila da creche?
    *A ursa usa SUS?
    *A tigresa é julgada como menos mãe?
    * Perguntaram para a porquinha da Índia quando ela vai ter mais um filho?

    Então está proibido postar foto de bichos com suas mamães tbm bichos como card de dia das mães. Mãe bicho de bicho não é mãe, é ofensivo postar fotos disso e também está proibido curtir o ensaio fotográfico daquela cadelinha grávida.

    Kkkkkkkkkkkkkkk

  12. Engraçado que, quando surge um post explicando que: se você ouve uma mulher falando que isso ou aquilo é machismo, você se cala e escuta; se um negro diz que isso é racismo, escute ele; um gay tá dizendo que você tá sendo homofóbico?, pare e reflita; esse mesmo post só falta ser publicado no diário oficial facebookeano, com um verdadeiro enxame de abelhinhas zumbindo um sem-fim de hashtags como “ApenasPare”, “EntendeuOuQuerQueDesenhe”.
    Aí vem um monte de mãe dizer que por favor, não nos banalizem desse jeito, e a reação dessas mulheres ~desconstruídas é ridicularizá-las e puní-las clamando que “eu me chamo do que eu quiser”? Mas que merda de raciocínio é esse, eu me questiono.
    Tá me lembrando demais todos os discursos que nós negros estamos exaustos de ouvir, “mas eu fui discriminado também, me chamavam de leite azedo na escola”, anrã, sei. Quer falar de maternidade justificando com CRECHE DE PET? Gastos, recusa em ir PARA O EXTERIOR por causa de bicho? É uma inversão de percepção preocupante. Falta de empatia nem chega perto de definir. Mas eu sou mãe também, eu compro reação. Okay.
    No sertão do meu estado tem mãe que acha que exterior é outro planeta (aliás, tem um bocado que nem entende a concepção de exterior). Quer olhar pra essa mãe e dizer que é tão mãe quanto ela porque passou a noite em claro quando seu gatinho ficou doente e teve que fazer uma cirurgia? Não faz mal, ela vai olhar pra penca de filhos, que nunca tomaram nem vacina (coisa a que seus ~filhos peludos tiveram acesso desde cedo, porque né?, vai ser ~mãe, tem que ser direito, com tudo conforme o figurino) e pensar que você é um ET, daquele planeta lá longe, a cidade. Mas você sempre vai poder escrever um comentário raivoso, clamando que é mãe siiiiiiim, sua desconstruída.
    Ampliem seus olhares, por favor a vocês. Tem muitas mães no mundo, não tomem por modelo as que rodeiam só os seus mundinhos. E tenham empatia, respeito, amor. Ouçam o que elas têm a dizer, reconheçam suas condições de não-mães e amem muito, mas muito seus bichinhos, eles não têm nada a ver com o entendimento seletivo de vocês, que bradam que alguém aqui tá dizendo que não é amor, ou que vocês amam menos se alguém disser que não, você não é mãe.
    Ah, mas tem muita mãe por aí que não cuida dos filhos como eu cuido dos meus bichos. Ok, que maravilhoso pro seu cãozinho. Isso não muda o que é ser mãe. Tem muita Marcella Temer por aí dizendo que mulher tem que ser bela, recatada e do lar, isso muda o conceito de vocês sobre o que é ser mulher? Não acredito.
    Em tempo: nem sou mãe, nem tenho bichos atualmente, tenho sim é muito respeito por quem tira um cachorrinho da rua e cuida dele, tanto quanto por quem perde uma entrevista por causa do bebê. Só acho que são eventos completamente diferentes um do outro.
    Entendeu, ou quer que desenhe?

  13. Está certíssima, Georgia. Sou mãe e tenho pets também. Bicho dá trabalho? Dá, sim! Eu me dedico aos meus animaizinhos? Claro! Eu os amo? Muito! Mas também sou consciente o suficiente para entender que o papel de mãe de humanos carrega muito mais peso, comprometimento, pressão da sociedade e mudanças na sua vida do que criar animais de estimação. Acho que cada um deve ter a liberdade de se intitular do que quiser, mas daí a dizer que a pressão da sociedade na maternidade é equivalente a ter pets… por favor, né, migas? Somos criadas para sermos mães. Tentam a todo momento provar que existe instinto materno e que nosso corpo foi feito para isso. Tentam modelar a nossa maternidade ao gosto do patriarcado a todo instante. O papel de mãe é muito mais que os laços de amor e a responsabilidade que temos com nossos filho, e seu texto retratou isso muito bem. Parabéns. Abraços.

  14. Georgia, obrigada e parabéns pelo texto! Sou mãe, trabalho, compro (sempre que posso) produtos veganos, conscientizo meus filhos diariamente sobre respeitar a natureza, admirar a beleza dos animais, reduzir consumo de produtos de origem animal, ser carinhoso e respeitar os pets dos vizinhos.
    Tive pets (antes de ser mãe) e amei a todos imensamente. Mas esta coisa de se intitular “mãe/pai de gato/cachorro” começou a me incomodar quando muitas amigas (sem filhos humanos) no Facebook começaram a revindicar ao direito de ser chamada de mãe e tentando desesperadamente mostrar a semelhança entre as duas coisas. Acho que todo mundo tem o direito de se sentir mãe de bicho, mas ficar brigando por isto é (como você mesma disse) uma tremenda romantização da maternidade e falta de enxergar os próprios privilégios.
    Filho tem esse lado B que é punk: Filho decepciona, se decepciona com os pais, magoa, mente, esconde coisas, bate porta na cara dos pais, é sincero além da conta, joga coisas na cara dos pais, cobra promessas, tenta manipular… Coisas que um pet jamais vai fazer. O pet sempre estará lá abanando o rabo quando chegarmos em casa.
    Um filho reclama “Mãe, me busca mais cedo hoje na escola?”, “Mãe, você tá com um sovaco/bafo/chulé hoje!” “Mãe, esta roupa te deixa gorda!” “Mãe, a mãe do fulano não trabalha, ela faz uns bolos maravilhosos, ela quer levar a gente lá naquele lugar suuuuper legal, posso?” “Mãe, por que você está trabalhando tanto?” Um pet jamais vai te comparar, te reduzir, te cobrar este tipo de coisa que te faz sentir a pior pessoa do planeta.
    Filho também tem “Eu queria tanto aquele óculos/jeans/sapato/relógio…” “Mãe eu queria taaaaanto fazer aula de natação/fotografia/teatro/artesanato…”, pet nunca vira consumista, nunca se compara com os outros pets da turminha, nunca vai precisar daquele livro super caro ou ter que ir naquela excursão super legal e cara da escola. E os pais se culpam por serem duros demais, moles demais, ou por não poderem realizar o desejo do filho.
    Pais de pet não tem medo de pedófilo, de sequestrador, de bandido, de estuprador, de slut shamers, de gravidez precoce, DSTs, se tá usando camisinha, se tá mandando nude, se tá respeitando as mina, se tá dirigindo bêbado, se tá usando droga, se tá comendo junk food, se tá colando na prova, se tá matando aula, se tá em má companhia, se tá com depressao ou se é só uma fase…
    Pais de pet não se preocupam se o pet vai passar no vestibular, se vai virar alguém na vida ou se vai ficar vagabundeando às custas dos pais até os 30.
    Pet nunca vai ter esse lado B. O pet sempre está lá feliz porque você chegou, independente de quantas horas você ficou fora, sovacuda ou não, com dinheiro ou não, disposta a ficar com eles ou não.
    A pessoa pode se intitular como ela quiser, na boa, só essa forçação de barra, essa disputa nas redes sociais, essa nivelação com mães de humanos é que não está legal!

  15. Eu tenho 4 cachorros e 7 gatos e sou mãe de todos eles, me preocupo com todos dou atenção, carinho gasto muito com remedios, veterinario, me acordo de madrugada se ouvir barulhos, alugo casas que sejam proporcionais para o bem estar deles, cuidados que muitas mães de humanos nunca fizeram metade a unica diferença ai que eu concordo é que se deixa sozinhos enquanto vc sair na esquina as criança podem se matar, também gastos com educação, materiais e a satisfação a sociedade que vivemos mais pra elas que pra nos mesmo, mas referente a amor, cuidados e a mesma coisa, sem conta que o pet com certeza vc sabe que o ama e os filhos a gente cria sem sabe, quando cresce as vezes toma caminhos errados, começam a ser ingnorantes, respondem e quando até não dão o pagamento matando os pais.
    Então deixa eu ser mãe dos meus animais que os amo profundamente e sei que eles tbm me amam e ja tenho responsabilidades demais com eles.

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