Comer animais é uma escolha pessoal?

Todo vegano já percebeu isso. Existem poucas coisas mais ofensivas para as pessoas do que a sua decisão de não comer mais animais e derivados. Você pode pisar no pé de uma pessoa, esbarrar nela, ou mesmo jogar cocô na cara dela e ainda assim nada vai deixar essa pessoa mais irritada e defensiva do que quando você diz a elas o que (não)comer.

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Muitas conversas sobre veganismo simplesmente acabam no momento onde a outra pessoa diz: “Bom, você não pode falar para outras pessoas o que comer. Isso é uma escolha pessoal.” E essa resposta geralmente vem acompanhada do ditado: eu respeito o seu direito de ser vegano, você deveria respeitar o meu direito de não ser.

A questão aqui não é ser contra as escolhas individuais. Talvez até o contrário disso. O deveríamos nos perguntar é: e quando essas suas escolhas pessoais alimentares começam a infringir os direitos dos outros (no caso, dos animais), quais direitos têm prioridade?

O que nós escolhemos comer tem um enorme impacto no mundo das mais variadas formas, inclusive ambientalmente, socialmente e moralmente. A indústria de produtos de origem animal é a força mais destrutiva ao ambiente no planeta. E nossa escolha de comer carne, laticínios e ovos impacta muito mais do que apenas nossos estômagos. Destrói florestas, utiliza quantidades insanas de água, cria poluição massiva, e usa mais de 80% das plantações do mundo para alimentar os animais, alimentos esses que poderiam facilmente alimentar todas as pessoas que estão passando fome no mundo.

Então ao mesmo tempo em que respeitar a sua escolha pessoal de comer produtos de origem animal possa parecer algo importante por uma perspectiva de direitos individuais, o que fazer sobre respeitar o ambiente e as futuras gerações que terão que viver com a nossa destruição? E quanto a respeitar todas as pessoas que não conseguem colocar comida em seus estômagos porque o seu direito de comer produtos de origem animal teve preferência?

Esse pode parecer um efeito bem indireto das escolhas da sua dieta, mas as conexões são óbvias quando você procura por elas. A maneira que vivemos hoje nos mantém muito longe da origem da nossa comida e do impacto que ela tem. Nós andamos por uma mercearia e pegamos alguma coisa ou passamos por um drive through sem nem pensar sobre de onde a comida vem ou quem a produziu e a que custo.

Nós falamos de escolha individual e respeito enquanto animais são torturados e mortos por causa dos nossos apetites. Então alguém precisa te dizer isso: se você escolhe comer produtos de origem animal, então você deveria estar consciente de tudo que essas escolhas incluem.

Não é difícil encontrar na internet vídeos sobre o sofrimento que os animais passam em matadouros e em fazendas de laticínios. Se você não consegue assistir esses vídeos, fica a pergunta: se não é bom o suficiente para os seus olhos, por que seria bom para o seu estômago?

Quais direitos são mais válidos: nosso direito de comer laticínios ou o direito de uma vaca mãe de não ter seu filho arrancado de si e enviado para a morte?

Quando você escolhe comer laticínios, você apoia a indústria de vitela, você sentencia uma vaca mãe a uma vida de gravidezes forçadas, ordenhas infinitas e infecções, tudo isso culminando em seu corpo entrando em colapso 20 anos antes de sua expectativa de vida normal, e ela sendo enviada à morte para virar uma carne barata.

Quando você escolhe comer ovos, o seu direito ao café da manhã vem ao custo de incontáveis vidas. Pintinhos machos são moídos vivos já que eles não tem serventia para a indústria de ovos. Galinhas poedeiras são mantidas em jaulas superlotadas, umas em cima das outras, mesmo quando se fala em galinhas orgânicas. Seus bicos sensíveis são cortados fora sem anestesia.

Quando você escolhe comer carne, você está literalmente colocando o seu direito de escolha acima do direito de outro ser vivo viver. Você pode dizer: “mas são apenas animais”. Sugiro que olhe nos olhos de um animal na fila do abate e diga: o que ele sente não é medo? Eles não sofrem? Eles sabem o que está para acontecer quando se vêem na fila da morte. Eles escutam os barulhos. Eles sentem o cheiro de sangue.

É importante que nós comecemos a viver como se estivéssemos interconectados uns com os outros, com os animais e com o planeta. Porque nós estamos! O que eu escolho colocar dentro do meu corpo afeta mais do que apenas eu.

Eu não estou dizendo com isso que os direitos individuais não sejam importantes. Na verdade eu estou dizendo o oposto. Mas meus direitos acabam onde começam os direitos do outro. Assim como meus direitos não se estendem até a possibilidade de eu dar uma surra em alguém, da mesma forma o meu direito de escolher o que comer não deveria se estender à escolhas que são ambientalmente devastadoras, que retiram comida dos famintos, e que torturam e matam outros seres vivos.

Porque isso é o oposto de direitos individuais e liberdade. Isso é injustiça. E injustiça é algo que eu não vou respeitar.

Então me diga de novo: o que você está me pedindo para respeitar?

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