Preocupações morais nos animais

Esse é o terceiro e mais longo post sobre o assunto. E também o último. Daí acabei tudo que precisava dizer sobre a vida moral dos animais e posso me concentrar em outros temas. Mas precisava falar disso antes de morrer, mesmo que ninguém leia. A introdução é a mesma, para que as pessoas que não leram os posts anteriores (Sororidade Bonoba e Ainda os bonobos) possam entender de onde eu tirei isso tudo. Para quem já leu, siga direto para o terceiro parágrafo.


Há pouco tempo concluí mais um curso do Coursera, chamado Moralities of Everyday Life. O curso tinha como objetivo discutir como o ser humano somos capazes de tanta bondade e tanta crueldade. Como chegamos a opiniões sobre aborto, casamento gay, ações afirmativas, e tortura. Como a evolução, cultura e religião moldam nossa natureza moral. O professor explorou a ciência moderna no que diz respeito a crenças e ações morais, atravessando disciplinas como ciência cognitiva, neurociência, economia e filosofia. Pesquisas de laboratório, pesquisa social, bebês, macacos e psicopatas. As alegações sobre diferenças morais entre homens e mulheres, liberais e conservadores, cristãos e muçulmanos, Falou sobre preconceito e ódio, sexualidade e pureza, punição, vingança e perdão, enfim. Foi lindo, definitivamente o melhor curso que fiz no Coursera até hoje, e olha que nem foi ministrado pela minha paixão platônica Michael S. Roth.

Sim, eu tenho minhas muitas inúmeras infinitas ressalvas com o que chamam de psicologia evolucionista, mas essa crítica eu vou deixar para fazer em outro post. Hoje eu quero falar somente sobre preocupações morais nos animais. Assistimos a uma palestra com a Laurie Santos, uma professora de psicologia e ciência cognitiva em Yale que pesquisa as origens evolucionárias da mente humana comparando as habilidades cognitivas de humanos e não humanos, especialmente primatas e cães. Laurie Santos: diva, linda, maravilhosa. Cheguei a sonhar uns dois dias com a palestra dela e o quanto a minha cabeça quase explodiu com tudo o que ela falou.

Acredite se quiser (e se tiver mais do que dois neurônios): nós não somos os únicos organismos no mundo que podem ter preocupações morais. Um pouco de perspectiva histórica: Imagine-se você, residente de alguma cidade na Europa, mas não hoje em dia. Digamos que você esteja em uma cidade européia em 1600. Muitas das coisas seriam exatamente como você imagina, mas algumas outras coisas pareceriam um pouco descabidas, a partir da nossa perspectiva moderna.

Então imagine que, nesse dia fatídico, você esteja andando pelo parque com seus amigos, talvez a caminho do almoço. E você ficaria surpreso com o que estava acontecendo em sua cidade aquele dia porque a colônia estava participando de uma execução pública de alguns criminosos que foram julgados aquele dia. Então, no parque você não vai ver pessoas jogando frisbee, mas sim forcas posicionadas, pessoas sendo mortas. E esse dia em particular era especial, porque não era apenas um único indivíduo que estava sendo executado, mas sim nove conspiradores diabólicos que a sentença disse terem cometido um crime lamentável contra Deus e os homens. E isso provavelmente seja algo muito ruim. O que esses caras fizeram?

Bem, você consegue ter uma ideia do que esses caras fizeram ao olhar para os indivíduos. E se você olhar para os relatórios do que aconteceu nesse dia você vai encontrar uma lista. Nessa lista tem um cara, chamado de Mister Potter, que tem em torno de 50 anos de idade. E é isso o que você encontra de informação sobre ele. E menos informação ainda sobre os outros oito conspiradores envovidos. São apenas listados como: uma vaca, uma bezerra, três ovelhas e duas porcas. E você se pergunta: o que diabos esse grupo de nove conspiradores fez? E você vê o crime relatado e diz: é, até que faz sentido. São indivíduos que cometeram o perverso crime de bestialidade (prática de atos sexuais com animais).

Agora, se você olhar com os olhos da modernidade, provavelmente você vai olhar para um crime como esse e para todos os conspiradores executados e pensar: aposto que dentre esses nove conspiradores algum deles é o mentor de todo esse crime de bestialidade enquanto os outros apenas concordaram. Mas de acordo com os registros você estaria errado, eles são muito detalhados a respeito das vidas desses indivíduos. Sobre o Mr. Potter, dizia as seguintes coisas: ele era um cara legal, muito devoto, tinha o dom da oração, dedicado em reformar os pecados de outras pessoas, um cara totalmente honrado. Foram os outros oito indivíduos que eram o problema aqui. Foi dito que eles eram demônios impuros, e possuídos pelo diabo. Tão possuídos pelo diabo que usaram sua possessão demoníaca para convencer e seduzir e tentar esse cara inocente que teve que ir à forca também porque acabou cedendo a esse crime odioso.

Isso para nós hoje seria algo bastante curioso e peculiar. Mas não deveria. Porque lá nos anos de 1600, antes do Iluminismo, havia muitos casos estranhos de animais sendo colocados a julgamento, condenados a morte e assim por diante. Então não era nada incomum 300 anos atrás.

E hoje, nós imaginamos: por que? O que mudou no mundo que faz com que achemos isso tão estranho?

Não, não foi porque animais subitamente tornaram-se muito mais angelicais e menos tentadores. Sabemos que os nossos animais de estimação de hoje são tão diabólicos quanto os animais domésticos de 300 anos atrás. E também não é porque nós nos tornamos um pouco menos bárbaros na maneira que aplicamos a pena de morte, até porque sabe-se que muitos países, inclusive os Estados Unidos, ainda aplicam a pena de morte e não tornaram-se menos bárbaros.

Uma das coisas que de fato mudou é que hoje nós temos uma visão pós-iluminismo com relação ao status moral de animais. E quero deixar claro que a visão que temos agora consegue ser um pouco pior do que a que tínhamos antes, porque a visão que temos hoje é extremamente conflituosa. Muitas vezes nos vemos bastante confusos sobre o que achamos que seja o status moral de animais.

(E quando falo do status moral de animais, não estou falando daquele status que você pode estar pensando, que é dos animais com status de pacientes morais, organismos sobre os quais decidimos ou não ter preocupações morais a respeito. Esse é um assunto controverso e muito conflituoso, debates sobre se é ok usar animais como alimento, como sujeitos de experimentação e etc, mas não é sobre isso que vou falar agora.)

O que quero falar é sobre nossa percepção de animais como agentes morais, indivíduos que, como nós, têm preocupações morais. E especialmente como seres que podem ter neuromecanismos psicológicos para lidar com questões como será que algo é adequado ou bom ou admissível ou passível de punição.

Charles Darwin foi o primeiro a pensar sobre isso, sobre essa ideia de que os animais tem preocupações morais, e que preocupações seriam essas, porque em seus primeiros escritos ele explicita algumas dessas contradições. ele começa seu tratado sobre isso no livro The Descent of Man, sabendo que existem todas essas diferenças entre humanos e os animais inferiores. O senso moral é de longe o mais importante. E ele rapidamente expõe isso, que nós somos a única espécie que está fazendo as coisas que estamos fazendo agora. Estudando, escrevendo um post para um blog, tentando entender quais deveriam ser as preocupações morais da sociedade, falando sobre ética e considerações morais. Estamos sozinhos no reino animal fazendo essas coisas. E Darwin, claro, reconhecia isso. Mas ele continuou dizendo que, se você olhar cuidadosamente, você pode ver muitos animais que tenham esses instintos sociais bem marcados e perceber algo como um senso moral, ou uma consciência.

Nós costumamos pensar que é muito óbvio que somos bastante diferentes de outros animais. Mas baseado no fato de que a seleção natural opera em nós da mesma forma que opera em outras espécies, não seria uma surpresa descobrir que outras espécies com preocupações sociais desenvolvam um senso moral relativamente parecido. E fica pior ainda quando começamos a olhar para o comportamento natural dos animais, porque o que vemos quando olhamos para outros animais são todos esses exemplos onde é aparente que os animais estão prestando atenção a coisas que parecem preocupações morais, onde eles estão preocupados com outros indivíduos se ferindo, estão ajudando outros indivíduos, talvez reforçando normas sociais.

Isso realmente levanta as questões: será que outros animais tem preocupações morais? Será que elas são muito parecidas com as nossas? O que podemos aprender sobre o senso moral dos humanos ao acessar o senso moral dos animais?

Afinal, os animais não-humanos compartilham conosco alguns dos tipos de preocupações morais que achamos ser exclusivamente nossos? Sofrimento e dano, hierarquia, autoridade, reciprocidade e justiça… Em inúmeros casos, vemos marcas de preocupações morais humanas em animais não-humanos e também importantes diferenças. E nossos parentes mais próximos na árvore evolutiva? O que as vidas morais deles têm a nos dizer sobre nossa própria moralidade? O que vemos é que quando olhamos com atenção para os nossos parentes primatas mais próximos, encontramos algumas pistas de que os tipos de ações imorais que os humanos são capazes parecem ser diferentes que as do restante do reino animal, mas ao mesmo tempo parecidas com as ações imorais de outras espécies parentes.

Restrições morais universais

Será que um animal não-humano compartilha preocupações relacionadas a sofrimento e dano? Talvez algumas pessoas pensem que a natureza jamais construiria criaturas que se preocupem com moralidade da mesma forma que nós nos preocupamos. Nós temos essas noções fixas de natureza, de que não existe preocupação alguma com sofrimento e dano no mundo natural. E que, na verdade, o mundo selvagem inclusive promove sofrimento e dano. Para nós, a natureza, gira em torno de dentes e garras. Quando olhamos para o reino animal, esperamos ver nada além de indivíduos indo nas jugulares uns dos outros, independente da espécie.

Mas o fato é que, quando você olha com atenção para o comportamento natural dos animais, você encontra muito pouco disso. Sim, eu sei, os animais comem uns aos outros, usam outros animais como comida, mas humanos também. Se você olhar com atenção para como os indivíduos interagem dentro de sua própria espécie, você verá muito pouca agressão e violência.

Existem alguns bichos que tem armas em seu corpo, que parecem existir especificamente para o propósito de agir de maneira agressiva. Como essa espécie de alce:

bull elk

Esses caras, como você pode ver pela foto, tem armas impressionantes que a seleção natural se esforçou muito para fazê-las afiadas e assustadoras e grandes. Mas se você analisar com que frequência esses alces chegam ao ponto de estraçalhar uns aos outros com essas armas, o que você encontra são muito poucos episódios. Na verdade o que você percebe no comportamento natural deles é uma série de comportamentos diferentes que procuram justamente coibir o uso dessas armas. Os incidentes que levam ao enfrentamento de fato entre dois alces são o resultado de alguns passos anteriores. Primeiro eles fazem algumas coisas bem interessantes, como observar o tamanho um do outro, enquanto caminham em paralelo. Depois, observam a força um do outro, através do uso de vocalizações. Se essas coisas não funcionarem, eles partem para a fase onde medem os galhos um do outro. E somente nos raros casos em que esses passos não dão certo é que eles partem para a agressão. Mas mesmo nesses casos nós não os vemos usando os galhos da maneira que poderiam, com níveis fatais de agressão. Quando a seleção natural dá armas, também dá limitações na maneira com a qual lidar com elas.

Isso levanta a questão: será apenas um caso curioso de armamento animal, ou será o caso onde animais realmente estão tentando evitar o dano desnecessário, ou talvez até tentando ajudar um ao outro?

Animais não-humanos se importam com o sofrimento dos outros?

Eles sentem dor quando os outros sentem dor?

Eles se sentem motivados a ajudar uns aos outros?

Frans De Waal faz um ótimo trabalho articulando essas anedotas em casos onde você vê animais fazendo coisas uns para os outros que sugerem que eles não gostam quando um colega está sentindo dor. Também é o caso quando vemos esse chimpanzé tentando acarinhar outro chimpanzé que se envolveu em uma briga.

chimp

Você vê todo tipo de comportamento pós-conflito como esse, sugerindo que animais não gostam de ver outros com dor e irão agir para tentar remediar isso.

Mas existe alguma prova experimental sobre isso?

Podemos ver isso se colocarmos animais em uma situação experimental onde eles têm que fazer coisas para ajudar uns aos outros. Nos anos 60 muitas pesquisas foram feitas, quando a ética relacionada a experimentação com animais era um pouco diferente. Rice e Gainer fizeram um primeiro estudo sobre isso, analisando se ratos estariam dispostos a ajudar outros ratos. E eles fizeram isso primeiramente treinando um rato para que cada vez que ele apertasse um botão, uma espécie de trapézio pendurado desceria um pouco. E o rato aprendeu que em momentos diferentes o botão era um pouco mais pesado, então às vezes seria mais difícil descer o trapézio, e às vezes mais fácil. Tudo isso era apenas a introdução ao experimento em questão, que era saber se o rato estaria mais motivado a apertar o botão se no trapézio estivesse outro rato pendurado, gritando, pedindo por ajuda.

Será que ele estaria disposto a fazer muito mais força se fosse para ajudar esse outro rato?

E o que Rice e Gainer descobriram foi que, sim, ratos fariam isso. Eles se esforçaram muito mais quando não era apenas um trapézio, e sim um outro rato pendurado nesse trapézio. E a presença do outro rato era necessária, pois testaram também uma situação onde apenas o barulho do outro rato gritando estava ao fundo e apertar o botão cessaria o ruído. Mas eles não se esforçaram tanto apenas com a informação auditiva. Mas ao verem outro rato em desespero fez com que eles tomassem uma atitude.

Podemos ver os mesmos tipos de comportamento de auxílio em muitas outras espécies. Masserman e outros pesquisadores fizeram isso com um famoso conjunto de experimentos com macacos rhesus, algo muito parecido. Eles permitiram que macacos rhesus recebessem sua comida do dia ao apertar uma alavanca. E o macaco aprendeu que cada vez que ele apertasse, ele ganhava comida. Depois de aprender isso, um dia o macaco chega e percebe que há outro macaco lá. Quando ele apertava a alavanca, ele recebia a comida exatamente como anteriormente, mas dessa vez, cada vez que ele apertava a alavanca, o outro macaco levava um choque elétrico forte.

O que esse pobre macaco faz? Ele está pegando sua comida quando aperta a alavanca. É assim que ele se alimenta. Será que ele pararia de se alimentar para não machucar o outro macaco? E a resposta foi sim. A grande maioria dos macacos que Masserman testou realmente parou de apertar a alavanca que dava choques em outro animal. E em alguns casos os pesquisadores descobriram que os macacos chegaram a ficar em torno de doze dias sem se alimentar, que foi quando decidiram parar o estudo. Passaram fome apenas para não machucar o outro macaco.

É importante destacar o quão impressionante é esse comportamento, especialmente quando você compara com o tipo de coisa que humanos fariam em estudos semelhantes. Foi exatamente esse tipo de experimento que Milgrim (falei sobre o Milgrim Experiment AQUI) e colegas fizeram com participantes humanos. O resultado de um dos experimentos foi que, quando havia uma figura de autoridade assustadora, participantes humanos ficavam até felizes em dar choques uns nos outros, inclusive choques fatais (que não eram fatais de verdade, mas aquele que era responsável por aplicar o choque achava que sim).

Há diversas maneiras de perguntar para criaturas que não falam se eles estão dispostos a ajudar outros indivíduos. O trabalho de Felix Warneken mostrou que crianças humanas muito jovens estão dispostas a ajudar, e que animais não-humanos, em especial os chimpanzés, também. Ele fez um estudo onde um humano estava tentando fazer alguma coisa, esfregar um bloco por alguma razão, e perde a esponja. O que se viu foi que chimpanzés eram super dispostos a ajudar aquele humano a encontrar a esponja.

Esse estudo foi sobre chimpanzés ajudando humanos, mas e quanto a chimpanzés ajudando outros chimpanzés?

Warneken também conduziu uma série de estudos onde chimpanzés podiam ajudar outros chimpanzés. Colocaram um chimpanzé em uma sala, com comida do outro lado, e a passagem interrompida por uma porta trancada. E o que Warneken descobriu foi que esse outro chimpanzé que também estava na sala o ajuda a abrir a tranca para que o primeiro possa entrar e pegar a comida. Incidentalmente, o chimpanzé que está ajudando não ganha nenhuma comida por fazer isso, então ele faz isso unicamente por uma motivação de ajudar outro.

E quanto a casos de ajuda de verdade? Não ajudar outro a atingir um objetivo, mas realmente dar sustento a outros indivíduos assim como fazemos quando doamos comida?

Essa foi uma longa linha de estudos em primatas, com resultados diversos, mas algumas espécies mostram evidências de realmente querer compartilhar e doar comida a outros indivíduos. Frans De Waal e colegas fizeram a seguinte pergunta: se você der a macacos-prego a escolha de fazer algo pro-social ou algo egoísta, qual eles escolheriam?

E eles deram aos macacos-prego as opções de pegar uma de duas moedas para trocar com um pesquisador humano. Uma das moedas era uma moeda egoísta. Os macacos perceberam que, quando eles escolhessem essa moeda, eles ganhariam comida e ninguém mais ganharia. A outra moeda era uma moeda pró-social. Os macacos perceberam que, toda vez que eles escolhessem essa moeda, eles ganhariam um pedaço de comida e outro macaco ganharia igualmente. Então, na prática, para o macaco não faria diferença qual moeda pegar, ele ganharia comida de qualquer jeito. Será que eles estariam dispostos a ajudar outro indivíduo? E quando ele tivesse que decidir e outro macaco estivesse lá com ele, ele escolheria a moeda pró-social e a entregariam para o pesquisador, ou iriam escolher a moeda egoísta?

Não importavam as condições, os macacos-prego mostraram ser incrivelmente pró-sociais, dispostos a dar comida a outros indivíduos, ao menos em casos onde não havia prejuízo algum para eles.

Apenas em duas condições os macacos escolheram não ser pró-sociais. E esse resultado é interessante pelo que falam sobre as limitações do senso moral em outros animais. Uma condição foi que os macacos não agiram pró-socialmente quando o recipiente era um macaco que eles não conheciam. Nesse caso, o que os macacos fizeram foi escolher aleatoriamente. Eles não necessariamente escolhiam a moeda pró-social, mas também não demonstraram preferência pela moeda egoísta. Simplesmente não se importavam. O círculo de doação para os macacos-prego é, portanto, relativamente limitado. Até mais limitado do que o nosso, já que nós às vezes damos comida para estranhos.

Mas a segunda condição foi ainda mais surpreendente, que foi quando o segundo indivíduo era anônimo. Em outras palavras, você está jogando esse jogo, mas o outro indivíduo com quem você está jogando não consegue ver você, e não sabem a escolha que você está fazendo. Nesse caso, os macacos-prego não foram apenas indiferentes, eles na verdade foram estatisticamente anti-sociais. Os macacos-prego estrategicamente foram babacas assim que se viram em uma posição onde o outro indivíduo não sabia o que eles estavam fazendo.

Com relação ao domínio da hierarquia e autoridade… Esse é um setor onde nossa intuição sugere que vamos mesmo encontrar similaridades. Porque, como sabemos, as sociedades humanas são extremamente hierárquicas e nós temos categorias, posições e etc. E o mesmo é verdadeiro para um bocado de outras espécies. Podemos olhar através de uma série de condutas e encontrar o mesmo arranjo que vemos em corporações e sociedades humanas. Tem aquele cara no topo, notoriamente fazendo coisas não tão legais com os caras na base.

Será que os animais moralizam as hierarquias da mesma forma que algumas culturas moralizam hierarquias humanas e status humanos?

Eles acham que é uma violação moral não respeitar um membro em posição mais alta do seu grupo?

São perguntas difíceis, se os animais se importam com status e dominância e se eles respeitam autoridade nesses termos morais. O que já sabemos sugere que há importantes semelhanças que talvez não esperássemos entre humanos e outros animais. Uma dessas coisas que já sabemos é que há muitas evidências de que animais se importam com status.

Meu experimento preferido sobre isso é: animais pagam para receber informações sobre outros indivíduos de status mais alto?

Nós, em nossa espécie, fazemos isso o tempo todo. O fato é que nos importamos com indivíduos em altas posições, nós queremos informações sobre eles e estamos dispostos a pagar por isso. Deaner e colegas fizeram essa pergunta: os macacos rhesus estariam dispostos a pagar por informações sobre indivíduos em posição mais alta?

E montaram a tarefa. Eles deram aos macacos rhesus a opção de escolher um de dois alvos diferentes que daria suco a eles. Quando eles escolhessem o alvo número (1), eles ganhavam suco como recompensa. Tudo certo. E quando eles escolhessem o alvo número (2), eles ganhavam quantidades variáveis de suco, mas também poderiam ver a imagem de outro macaco. E os pesquisadores variavam, às vezes a imagem era de um macaco de alta posição hierárquica ou alguém de status menor, alguém com quem eles não se importassem por serem hierarquicamente inferiores a eles. E o que eles puderam medir foi se haviam fotos que os macacos pagariam em suco para olhar. Ou seja, eles escolheriam ganhar menos suco com foto ao invés de mais suco.

E outro questionamento: haveria outros indivíduos que os macacos teriam que ser pagos para ver? Em outras palavras, eles somente escolheriam a opção com foto se ganhassem suco extra?

Esse foi o arranjo. E o resultado foi que houve uma tendência onde os macacos se importam muito com status, e realmente pagaram mais para ver fotos de macacos com maior status e tiveram que ser pagos para ver fotos de macacos de baixo status. Também houve outra variação do estudo, onde o que aparecia eram fotos de pornografia de macacos, imagens das partes reprodutivas, que eles aceitavam pagar bem caro para ver. Pouca diferença em relação aos humanos.

Então, ver rostos de macacos com status alto é muito, mas muito importante para eles. Eles depositam muito esforço nisso. Outra coisa que sabemos é que eles também se esforçam bastante para respeitar os tipos de hierarquia em que se encontram.

Japanese+Macaque+Monkeys+Relax+Hot+Springs+JLoDCv8qWdWl

Esses macacos que estão na imagem são um pequeno grupo de macacos que podem entrar na fonte de água quente. Já que essas fontes de água quente são algo do tipo um clube exclusivo, onde somente os indivíduos com alto status podem entrar, isso significa que os indivíduos com status mais baixo tem que ficar do lado de fora, no frio, e geralmente na neve. Esperando, enquanto a realeza dos macacos fica lá dentro relaxando. E a pergunta é: por que os macacos que ficam de fora, de baixo status, não se rebelam e lutam, ou simplesmente entram? Não temos a resposta para essa pergunta, mas o que vemos é um tremendo respeito pela hierarquia, mesmo em casos onde ficar do lado de fora pode significar morrer congelado.

É difícil medir o que isso realmente significa para os macacos. Quanto eles acham que precisam andar na linha quando estão lidando com indivíduos de alto ranking que decidem o que eles podem e não podem fazer?

Horner e colegas tentaram chegar a essa resposta de um jeito diferente. O que eles tentaram fazer foi perguntar se nesse caso, chimpanzés estariam dispostos a andar na linha quando tivessem informações sobre como conseguir comida, com uma ferramenta simples. Esse trabalho foi conduzido no Yurkey’s Field Center.

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Os chimpanzés estavam em um grande grupo, do lado de fora observando, e foram ensinados sobre essa nova ferramenta que estava em um dos lados na jaula. Dois chimpanzés estavam do lado de dentro usando os objetos. E os chimpanzés nesse arranjo depois que entrassem podiam depositar fichas diferentes dentro desses objetos para ganhar comida. Os dois objetos onde eles podiam colocar fichas funcionavam, e os chimpanzés podiam escolher quais deles eles queriam usar.

A pergunta é: quem você viu usando cada um dos dois objetos antes de você entrar?

Um desses indivíduos que já estava dentro da jaula enquanto os outros observavam do lado de fora era uma fêmea-alfa do grupo, e ela estava usando o objeto da esquerda. O outro indivíduo era uma macaca com baixo status, e ela estava usando o objeto da direita. A questão é, os outros macacos sabiam e viram que ambos os objetos funcionavam. Ambos davam comida, mas o que se descobriu foi que os chimpanzés não agiam como se soubessem disso. O que aconteceu foi que 90% das vezes eles imitaram a fêmea-alfa, sugerindo que: (1) eles tem a sensação de que aquele objeto vale mais; (2) eles estavam tentando agir como os membros com alto status; (3) eles simplesmente achavam que deveriam agir dessa maneira; ou (4) achavam que essa era a coisa moral a se fazer. Não sabemos exatamente as razões, mas vemos que pelo seu comportamento, os chimpanzés prestam muita atenção no que os outros indivíduos fazem.

E que eles se adequam ao que eles vêem os indivíduos de alto status fazendo, mais ou menos da mesma forma comportamental que vemos humanos fazendo em muitas sociedades. E isso é o que sabemos sobre normas hierárquicas em animais não humanos, e o que vimos é que, claro, muitos indivíduos parecem se importar com hierarquia.

O que não sabemos é se animais não-humanos também tem algumas características que temos em nossa própria sociedade onde eles realmente moralizam essa estrutura de autoridade. Não como algo que eles tenham que fazer por temer alguma punição, mas como algo que eles devem fazer e outros indivíduos também.

A respeito de justiça e reciprocidade, assim como sofrimento e dano, é uma área onde podemos pensar que humanos são completamente diferentes de não-humanos. Provavelmente nenhuma outra espécie estaria disposta a pagar o preço da igualdade que nós vemos pessoas pagando. Como por exemplo os protestos do Occupy Wall Street há alguns anos atrás, onde pessoas ficaram dias debaixo de chuva protestando contra coisas que consideravam violações de justiça e equidade que aconteciam por lá. Não importa a sua opinião com relação a isso, mas sim que humanos fazem coisas bastante custosas quando o assunto é lidar com suas próprias normas de equidade.

Nós podemos encontrar esse tipo de coisas em outros animais também?

Animais se importam com reciprocidade?

Eles têm essas intuições sobre justiça e sobre como ela funciona?

E talvez, mais importante, eles estariam dispostos a punir aqueles que se comportam de maneira injusta?

Há o caso dos morcegos vampiros, que agem com reciprocidade vomitando sangue da boca de um para outro. O que acontece é que esses animais se importam com trapaças: depois de vomitar compartilhando sua comida, é comum que eles esfreguem a barriga uns dos outros para conferir se o estômago está distendido. Porque o morcego pode mentir sobre o que jantou, mas o estômago não mente, e se o estômago estiver grande, então há a expectativa de que ele irá vomitar. Claramente há algo de reciprocidade acontecendo comportamentalmente.

Mas há outros exemplos de olho por olho e reciprocidade no reino animal. É o caso do peixe black hamlet. Esses peixes são hermafroditas, então quando eles querem cruzar precisam decidir quem vai ser o macho e quem vai ser a fêmea. Não é apenas um problema de razões sociais, mas um problema reprodutivo, pois é ruim ser a fêmea no sentido de que seu esforço reprodutivo é dar um óvulo, que é muito grande, e é reprodutivamente custoso. É muito mais fácil ser o macho e dar apenas um único esperma. Então o que eles fazem é revesar, um é a fêmea e depois o outro e depois ambos vão embora, e não vão mais cruzar um com o outro no futuro.

Então nós vemos esses casos de reciprocidade nos animais, mas podemos ver exemplos de verdadeiro senso de justiça empiricamente? Não apenas anedotas de comportamento, mas casos reais onde podemos ver isso.

E mais uma vez, Franz De Waal e colegas conseguiram responder essa pergunta com os macacos-prego. Eles encontraram fenômenos onde os macacos-prego realmente estavam dispostos a compartilhar comida uns com os outros. Por exemplo, em situações onde há uma grande tigela de comida para um macaco e um outro indivíduo sem comida, às vezes aquele primeiro macaco vai escolher comer perto do segundo e ocasionalmente deixando cair alguns pedaços de comida no chão para que o outro possa pegar, ao invés de sentar o mais longe possível para não comer perto do outro.

O que Frans disse foi que talvez possamos tirar proveito desse compartilhamento de comida para perguntar se os macacos se importam com pagamento justo por trabalho. E eles fizeram isso ao colocar essa tarefa de puxar uma alavanca. Ambos os macacos tinham que trabalhar juntos para ganhar acesso à comida, mas só um deles ganharia comida. Eles estabeleceram duas condições diferentes para descobrir se esses macacos-prego iriam de fato compartilhar e também se eles iriam compartilhar de maneira justa.

Uma das condições era cooperativa. Então os dois macacos tinham que trabalhar juntos.O sujeito-macaco que ganhou a comida foi ajudado pelo outro. A segunda condição era solo, o segundo macaco não ajudava de modo algum, só ficava lá do outro lado da jaula enquanto o primeiro fazia todo o trabalho.

A pergunta é: será que o macaco-prego leva isso em consideração quando decide quanta comida compartilhar? E a resposta é sim. Em ambos os casos, em diversas ocasiões diferentes, os macacos-prego estavam dispostos a compartilhar mais quando ajudados pelo segundo.

Eles também observaram o segundo macaco, será que ele também teria expectativas de receber um pagamento justo pelo seu trabalho? Isso aconteceu em outra série de estudos, feita por Brosnan e De Waal, tentando observar se os macacos esperavam receber a mesma quantidade de comida que outro macaco.

Nesse arranjo, os macacos trocariam fichas por pedaços de comida, mas receberiam quantidades diferentes. Um macaco receberia uma comida muito saborosa, uma uva ou outra coisa deliciosa. O outro macaco receberia algo ok, alguma coisa que em outras situações ele acharia legal, tipo uma pimenta verde, um pedaço de pepino. E a pergunta é, embora saibamos que em situações normais os macacos achariam ok ganhar essas comidas, será que eles reagiriam negativamente a elas quando percebessem que outro macaco estava recebendo um pagamento melhor?

E o que eles descobriram foi que macacos-prego se importam muito com isso. Nos casos onde eles receberam pagamento menor e outro recebeu mais, eles viram situações onde os macacos se recusaram a trocar as fichas com os pesquisadores. Também viram situações onde eles se recusaram a aceitar a comida, jogando ela no chão.

Então, aparentemente, macacos se importam com casos onde eles recebem menos que outro indivíduo. Mas isso parece ser verdade não apenas com macacos-prego, mas se estende de maneira muito mais ampla. Range e colegas pesquisaram cachorros, e se eles teriam o mesmo tipo de aversão à injustiça. E eles fizeram isso com comandos de dar a pata. Primeiro eles fizeram isso com um border collie, que recebeu uma recompensa muito baixa. Depois outro cachorro fez o mesmo gesto e ganhou um pedaço de comida muito bom.

border intrigado

Dá para ver na foto a expressão do border collie à esquerda, tipo “como assim, o que tá acontecendo?” A pergunta é se vamos ver a mesma reação do macaco-prego, uma recusa em participar ou recusa em comer sua recompensa, e de fato isso é o que acontece.

border collie

E a conclusão é que você vê esses tipos de comportamentos dentro do reino animal, você encontra essas reações pelo menos à um tipo de injustiça, a injustiça desvantajosa – que é quando você, o sujeito, está se dando pior do que outro indivíduo e por conta disso reage negativamente.

Mas esse é o limite. Se você observar o reino animal, você não vê casos de aversão a injustiça vantajosa –  quando há a injustiça mas é você quem está se beneficiando dela. Alguém está ganhando menos do que você e isso não é justo. E esse é o tipo de aversão que temos com muita frequência, como as pessoas do Occupy Wall Street, pessoas como o filósofo Cornell West ou o produtor musical Russel Simmons. Esses caras não estão sofrendo ou sendo despejados de suas casas, mas ainda acham que tem algo de injusto nisso. E embora eles possam estar se beneficiando de alguma forma do que acontece em Wall Street, eles ainda estavam dispostos a protestar.

E isso é algo que não vemos nos outros animais. Nesses dois casos descritos acima, você pode perceber. O cachorro que recebeu menos tem uma reação de indignação, mas o que recebeu mais não está fazendo balbúrdia e começando um protesto, ele está totalmente feliz em seguir com a situação onde ele está ganhando uma recompensa maior.

Sarah Brosnan relata o mesmo tipo de coisa com os macacos-prego. Ela diz que algumas vezes quando o segundo macaco (o que recebeu menos) joga sua recompensa fora, o primeiro macaco (que recebeu mais) recolhe a recompensa para si, “se você não quer, tudo bem, eu fico com elas…”

Mas tem outra diferença no domínio de igualdade e justiça que eu considero realmente importante. E é o caso de perguntar será que os animais estão dispostos a punir essas violações de justiça, algo que humanos fazem o tempo todo, como nas experiências com o Jogo do Ultimato. (Em resumo, o jogo do ultimato ocorre da seguinte maneira: A banca concede um prêmio a uma pessoa, o líder, que deverá dividi-lo com uma segunda pessoa, o receptor, oferecendo-lhe uma oferta. Porém se o receptor recusar essa oferta, a banca não pagará nada a nenhum dos dois.)

Então, se você estiver jogando esse jogo, e seu parceiro recebeu toda essa grana, e estava disposto a dar a você somente $2,00, você pode rejeitar a oferta e os dois ficam com nada. Você pagaria o preço (ficar sem $2,00) para punir o seu colega egoísta.

E um grupo de pesquisadores em Leipzig, Alemanha, fez a mesma coisa com chimpanzés. O primeiro chimpanzé podia escolher algumas diferentes opções de divisão de uvas passas para ele e o colega. A primeira opção de divisão das 10 uvas passas era de cinco para cada e a segunda era de oito para o primeiro e duas para o segundo. O chimpanzé que escolhia a divisão geralmente era injusto e escolhia ter mais uvas passas. E o que o receptor fazia? O que descobriram é que os chimpanzés não jogam o jogo como os humanos, mas sim como economistas. Ou seja. eles nunca rejeitam o que lhes foi oferecido. Desde que o primeiro chimpanzé oferecesse qualquer coisa acima de zero, eles estavam dispostos a aceitar.

Voltando para o começo, desde Darwin nós sabemos que temos uma visão conflituosa sobre os animais como agentes morais. Essa ideia de que é óbvio que somos diferentes dos animais menos evoluídos, e é óbvio que nosso senso moral é a coisa mais importante que nos separa deles. Mas ao mesmo tempo, esperamos que os animais tenham algum tipo de senso moral, e qual seria esse senso?

Agora já sabemos que pelo menos algumas características das preocupações morais humanas universais são encontradas também nos animais. Eles se importam com hierarquia, em ajudar os outros a se sentirem melhor. Se importam em compartilhar comida e informação sobre onde as coisas estão. E também vemos importantes limitações em todos esses domínios diferentes. Como no caso dos macacos-prego, onde é importante saber para quem você está fazendo coisas legais e para quem a injustiça é relevante. E outros animais também se importam com injustiça, mas somente em casos onde a injustiça se aplica a eles mesmos. Eles se importam com situações desvantajosas, mas não com as vantajosas.

E também podemos ver aquela que talvez seja a diferença mais importante, que é: embora animais tenham todas essas características que demonstram que eles têm uma preocupação moral, nós não vemos nenhuma evidência de que eles se rebelam quando essas preocupações morais são violadas nem estão dispostos a pagar o preço para punir outros indivíduos. Parece que apenas nós somos capazes de fazer isso, e apenas nós podemos fazer isso por razões interessantes. E esse é o motivo de termos cérebros capazes de inibir desejos prepotentes, como “ah, faça o que for mais fácil!” No mais, nós realmente precisamos lidar com o fato de que compartilhamos um legado com os chimpanzés no que diz respeito a violência intergrupo, um legado que não aparece no resto do reino animal.

Existe uma parte preocupante nessa história evolucionária com a qual precisamos lidar, que é que os chimpanzés têm todo o mecanismo psicológico e as ferramentas, e a força e o tamanho, mas nós humanos vamos além de todas essas coisas. Porque parte da nossa própria evolução humana é o desenvolvimento de nossas próprias armas, e essas armas são muito mais poderosas que as armas que vemos no reino animal. Nossas armas são capazes de agressão letal real. Como um holocausto nuclear. Nós podemos fazer isso acontecer com as armas que desenvolvemos.

E a coisa especialmente assustadora é que nós desenvolvemos essas armas muito rapidamente no tempo evolucionário. Em um piscar de olhos. E fomos de apenas humanos com gravetos para humanos com armas nucleares. E isso significa que provavelmente não tivemos o desenvolvimento evolucionário que outros animais com armas tiveram, que foi o de desenvolver limites através da seleção natural para lidar com os comportamentos que nos fazem chegar ao ponto de usar essas armas. Aqueles alces não estão dispostos a usar suas armas. Eles pasam por trajetórias bastante cuidadosas até decidirem quando o uso dessas armas é adequado, e eles estão sempre se contendo para não fazer aquilo que podem fazer. Não está claro que os humanos tenham construído os mesmos mecanismos evolucionários para lidar com nossas próprias armas.

A mensagem esperançosa disso tudo é que temos muita flexibilidade cognitiva que podemos usar. Podemos pegar os velhos mecanismos que usamos para agressão e talvez mudá-los para algo mais positivo. Poderíamos usar nosso controle inibitório para cessar a proliferação de armamento. Já que não temos as habilidades dos alces para evitar o conflito, talvez devêssemos usar nosso lóbulo frontal para reduzir o armamento. Outra coisa que provavelmente deveríamos fazer é sermos mais criativos com nossos grupos. Criar grupos de coalizão que realmente façam sentido de modo a inibir a violência letal intra-grupo. Fazer novos tipos de coalizão entre grupos até hoje separados de modo a promover uma espécie mais pacífica, mais moral.

E, finalmente, e quem disse isso não fui eu, mas o Richard Wrangham:

Se você perguntar o que precisaríamos, como espécie, para atingir uma utopia moral, o que ele disse é que simplesmente temos que nos livrar de todos os machos. E então estaríamos vivendo uma utopia moral.

Essa é uma ladeira escorregadia sobre a nossa espécie, mas não é exatamente o tipo errado de ideia, porque devemos mesmo pensar em formas de fazer com que o poder político seja mais igualitário. É um objetivo que vale a pena para que nossa espécie atinja a equidade, e seja a espécie verdadeiramente moral que sei que podemos ser.

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