Nova dieta – Raw Till 4

Não sei se sou só eu que encaro quase tudo nessa vida como um jogo de vídeo game onde a gente vai passando de fase, passando de fase, supostamente evoluindo, mas com o veganismo também tem sido assim. Decidi virar vegana quando descobri meu amor incondicional pelos animais, e por todos eles. OK, alguns eu não amo, mas definitivamente respeito o direito que eles têm de viverem e não serem explorados por mim. E naquele momento em que me dei conta que não era direito meu explorar qualquer animal que fosse foi quando decidi transicionar minhas dietas aos poucos, de uma maneira que eu sofresse o mínimo possível. Porque eu não queria tomar uma decisão radical que fosse ser um sacrifício de manter para depois de alguns meses recair e voltar a estaca zero.

Então fui mudando as coisas aos poucos. Fui cortando carne de porco da dieta, depois embutidos, depois isso depois aquilo, até ficar 100% ovolactovegetariana. Depois procurei ajuda da nutricionista (a melhor do mundo, aliás) para fazer meu plano alimentar de transição do vegetarianismo para o veganismo e acabou dando super certo. Me arrisco a falar que a transição toda levou cerca de 10 anos. Sim, muito lentamente.

E conforme eu ia conhecendo mais sobre a filosofia vegana e sobre as questões de saúde também, fui traçando outros objetivos dentro do veganismo, e um deles era o de me tornar crudívora e depois frugívora. Quando virei vegana e atleta minha amiga me indicou a Freelee The Banana Girl como exemplo de pessoas veganas com corpos maravilhosos.

Fiquei com essa meta engavetada no cérebro para avaliar quando fosse oportuno. A transição para o veganismo é um lance assim que virou a minha vida de cabeça para baixo, só que em câmera lenta. Não é só mudar o que você come, é destruir e reconstruir o seu paladar, é destruir e reconstruir seus hábitos de consumo, o jeito de limpar a casa e lidar com insetos, rever até questões feministas e os amigos e os círculos sociais onde você se insere. E ainda acho que eu esteja em transição, porque volta e meia ainda descubro alguma coisa não-vegana no meu dia a dia, como o dia que me liguei que tintas de tatuagem bem como os equipamentos também são testados em animais ou feitos com derivados de animais.

Enfim.

Virar frugívora era tipo o topo da minha jornada vegana. Mas como eu faria isso? Eu na verdade nunca tinha pesquisado a fundo como funciona o rolê, mas já tinha o medo de não conseguir bancar essa mudança com a quantidade de atividade física que eu faço. Pensei que não teria como me manter de pé o dia inteiro correndo 12K de manhã e ainda trabalhando ritmo normal numa dieta baseada em frutas. De qualquer maneira, fiquei com preguiça de pesquisar isso mais a fundo no meio dos treinos porque não botava fé que existia essa possibilidade.

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MAS DAÍ…

A Geórgia quebrou o pé.

Quebrei meu pé num treino de domingo, e estou imobilizada e impossibilitada de fazer atividades físicas por três semanas. E isso me deixa maluca, imagina, a pessoa que acorda todos os dias as 5h da manhã para nadar correr pedalar malhar e agora estava justamente querendo começar a patinar… De repente não poder fazer nada. NADA. Não dá. Então a capricorniana sempre acha uma maneira de ter uma nova meta e um novo desafio, né.

E lembrei da Freelee. E fui fuçar os vídeos dela e o site e o FAQ e o forum e o facebook e tudo mais de maravilhoso que a internet possa oferecer. Confesso que o apelo me pegou muito mais pela forma física dela do que qualquer outra coisa. Corpo igual o dela é meu sonho, e mesmo sabendo que dificilmente vou conseguir já que cada corpo é um corpo e o meu tem essa forma aqui mesmo, pensei que essa pode ser uma forma de pelo menos chegar perto. Por mais que eu tenha seguido a dieta funcional por três anos totalmente à risca eu nunca consegui alguns objetivos que eu tinha para o meu corpo na questão peso e forma, e por mais gostosa que fosse a dieta havia dois problemas para mim: (1) é uma dieta extremamente cara. As tais super foods são um absurdo para o bolso. Goji berry, maca powder, bolachas de arroz, suplementos vitamínicos, alfarroba, açúcar de coco, óleo de coco, coisas gluten-free, sal do himalaia, quase todos os ingredientes básicos custam uma pequena fortuna. E ser vegana agravava ainda mais, porque o protein powder vegano é mais caro, o BCAA e glutamina vegana só comprando nos Estados Unidos, etc. A única coisa que escapava desse fator preço era a aveia, muita aveia, e aveia é barato. (2) o tempo. Tempo para mim realmente é dinheiro, e eu gastava muito do meu tempo cozinhando, todos os dias no almoço, lanche da tarde e jantar, pratos coloridos e balanceados. Não, eu não tenho nada contra pratos coloridos e balanceados, mas para quem não tem dinheiro para almoçar fora todos os dias, preparar toda essa abundância morando sozinha (acredite, cozinhar para um nesse caso acaba sendo mais difícil do que pra dois ou mais) era um desgaste incrível. Mais agora perto do final eu peguei o hábito de fazer marmitas para a semana, o que no final das contas também não me deixou feliz. Experimenta comer na sexta a salada que você preparou no domingo e me diga se sentiu prazer nessa refeição.

Continuando.

Vi que essas três semanas de molho seriam a oportunidade perfeita para testar a dieta Raw Till 4 e ver se meu corpo se sustenta. E depois que tirar meu pé da imobilização posso voltar às atividades físicas aos poucos sentindo a resposta do meu corpo e vendo se realmente me adapto e se isso é pra mim. E comecei.

Mas comecei do meu jeito. Li todos os tutoriais que consegui e assisti o máximo de vídeos possível e decidi não cortar logo de cara a cebola, o alho e o café. Porque seria muito sofrimento e de restrição já me bastam os três anos que passei sem batata inglesa. E a recomendação é que o carboidrato da noite seja alguma raiz cozida ou assada não industrializada mas eu quis aproveitar pra matar as saudades de batata frita e polenta congeladas (na air fryer, gente).

A ideia é simples: somente frutas, cruas ou em sucos, com açúcar a vontade (mas não o refinado, pode ser demerara, mascavo, açúcar de coco ou tâmaras) até as 16h e depois uma janta quente, incluindo o prato de verdinhos (me contento só com alface pq odeio todos os outros verdinhos). Essa janta quente pode ter legumes e carboidratos a vontade, especialmente os de raizes. Batata inglesa, batata salsa, inhame, aipim, etc. O que dizer da saudade que eu estava de comer todas essas coisas a vontade?

Está nos meus planos começar a traduzir todos os guias da Freelee e postar aqui caso haja outra pessoa maluca querendo tentar essa dieta (ou pros críticos de plantão que vão encher de dúvidas e perguntas), mas a princípio é isso. Hoje foi o dia 05 e estou muito feliz, super disposta, e sempre me sentindo muito satisfeita. Estou ansiosa para voltar aos treinos e ver qual vai ser o impacto da dieta no esporte (ou do esporte na dieta).

4 comentários sobre “Nova dieta – Raw Till 4

  1. OI bom dia! estou transicionando para o veganismo vindo de uma história muito parecida com a sua e comecei os testes na raw till 4 também! me surpreendi como tem pouco material e gente falando sobre isso aqui no Brasil… também estou amando os efeitos no corpo e principalmente a digestão. sempre tive problema para ir ao banheiro regularmente e agora… menina, que potencia! hahahahaha! gostei muito do post, também corro e pela primeira vez estou com assessoria de corrida, bom saber que tem alguém que pratica bastante atividade na mesma dieta que eu! vamos trocando figurinhas por aqui então… bjs!

    • Oi Beatriz!

      Entao, nao deu certo pra mim! Aparentemente meu estomago eh pequeno, e apesar da promessa da Freelee que com o passar do tempo eu iria me acostumar a comer enormes quantidades de frutas em cada refeicao, eu nunca consegui. Enquanto ela almocava 6-8 mangas, eu comia so duas – e sofrendo!
      Acho que esse pequeno problema com o passar dos meses foi me causando alguma deficiencia nutricional, eu estava engordando porem me sentindo sempre fraca e cansada, adoecia com facilidade e nao tinha energia pras minhas atividades fisicas… Acabei voltando para a dieta funcional vegana!!!
      So quero destacar que nao acho que a RT4 seja uma dieta ruim, acho que o problema maior foi meu de adaptacao mesmo. Tenho muitos amigos frugivoros que se dao super bem!!!

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