Das oportunidades que a vida nos dá.

Qualquer viagem que eu faça, qualquer mesmo, sempre é mind-blowing. Não importa quão besta ela seja, seja uma semana em Florianópolis ou quatro dias em São Paulo, sempre resulta em revoluções internas que eu tenho vontades infinitas de transformar em revoluções da vida. E ao mesmo tempo que eu sou bicho do mato e sofra toda vez que arrumo as malas pra passar dias longe de casa (sdds dos meus bichos), eu sinto que é o meu jeito de me movimentar, de chacoalhar a bagunça interna que eu sempre me encontro. Às vezes bagunçar tudo é o único jeito de ser realmente obrigada a organizar.

Meu passeio turístico dessa vez foi em Pirituba.😛

Tem alguma coisa em São Paulo que eu odeio, sendo a amazona das florestas que às vezes eu acho que sou. Essa coisa urbana, esses prédios todos, essas gentes todas. E ao mesmo tempo é exatamente essa diversidade que me abre os olhos e me faz ter outras esperanças, aquelas que eu sempre perco quando fico muito tempo trancada em Blumenau. Essa visita não foi diferente.

Eu vivo a minha vida freneticamente. Quem me acompanha sabe. São compromissos de manhã, tarde, noite, carga de trabalho pesadíssima e por cima disso todos os projetos paralelos, a militância partidária, a militância feminista, a militância vegana, a bike, os treinos pra maratona, meus bichos, minha casa, minha horta. Isso tudo me demanda uma energia absurda, mas esses dias que passei em suspenso cheguei a conclusão que não são necessariamente as tarefas todas que são frenéticas. Talvez a frenética seja apenas EU. Porque acho que talvez de repente seria possível viver uma vida a mil por hora e ainda ter a cabeça a 20 por hora. Sabe? Diminuir a velocidade da cabeça mesmo. Pirar menos em cima de todas as coisas que acontecem ao meu redor. Tem gente que faz. Tem gente que realiza mil coisas e ainda assim consegue ser zen, não precisa ficar fritando em cima de casa fracasso ou sucesso ou mudança de planos ou sofrendo quando algo dá errado ou se culpando por não dar conta de tudo.

2015 não tem sido um ano fácil. Na verdade ele é a continuação de 2014, que foi muito mas muito complicado. Uma série infinita de infortúnios, de tretas, de coisas ruins acontecendo (pequenas e enormes também). As últimas semanas não foram diferentes e está sendo muito raro um dia que eu vá para cama pensando: hoje foi um dia bom. Ou simplesmente: hoje foi um dia sem nenhuma tragédia. E agora eu estou simplesmente achando que eu preciso simplesmente parar tudo e olhar mais pro meu próprio umbigo um pouco. Mas naquele sentido ali do último parágrafo. Não tenho como parar de fazer todas as coisas que eu já faço – e nem quero. Mas tenho como parar um pouco a minha cabeça. Fazer as coisas com mais leveza. Deixar com que algumas coisas aconteçam por si só. Sem sofrer com isso.

E é estranho eu ter tido esse insight numa cidade frenética e caótica como São Paulo. Mas foi lá que aconteceu. Não existe a menor perspectiva de 2015 melhorar, então o lance vai ser eu aprender a lidar com a merda que ele é sem me desfazer pelo caminho.

Um comentário sobre “Das oportunidades que a vida nos dá.

  1. Geórgia mediando conflitos internos… MUITO BOM! Parabéns. E caso necessites, vou estar aqui pra dizer: “Ceis tão brigando???” (Você versus sua agitação haha):*

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