Nos EU, mesmo escolas integradas tratam alunos negros diferentemente.

Sim, esse é mais um post baseado na realidade norte-americana – que é bem diferente da brasileira. Mas tem que ser muito míope para não conseguir traçar um paralelo com o que temos nas escolas brasileiras. E nessa semana que passou, da Consciência Negra, acho muito válido que todos tentem refletir um pouco na realidade que as pessoas negras vivenciam aqui, ali e em tudo que é lugar. Você pode ter acesso a matéria original (em inglês) clicando nesse LINK.

Já faz 60 anos do caso Brown v. Board of Education, um marco na Suprema Corte, que dessegregou as escolas Americanas. Sim, até 60 anos atrás negros estudavam em escolas especais. E se você escutar os experts falando sobre o legado de Brown, provavelmente irá ouví-los apontar que escolas hoje são ainda mais segregaas do que nunca, graças a uma combinação de péssimas políticas de habitação, fuga dos brancos para os subúrbios e pouco esforço para aplicar as ordens judiciais de desegregação.

Mas o problema agora não é apenas que muitas escolas reverteram os ganhos com a desegregação dos anos 70 e 80. Mas sim que alunos brancos e negros recebem tratamento diferente – e acabam tendo performances de níveis diferentes – nas poucas escolas em que eles estudam juntos. Em outras palavras, mesmo em lugares onde Brown parece ter sido bem sucedido, uma séria inequalidade racial persiste.

Famílias de minorias exigiram a integração nos anos 50 em parte porque as escolas dos brancos tinham mais financiamentos. Mas, como a maioria dos juizes da Suprema Corte depois concordaria, uma disparidade na distribuição dos recursos não era o único problema. A segregação também tinha uma consequência psicológica nos alunos, fazendo com que a educação fosse inerentemente desigual. Na opinião unânime da Corte, o Chefe de Justiça Earl Warren escreveu que “separar [crianças negras] das outras de idade e qualificação parecidas apenas por conta de sua raça gera um sentimento de inferioridade… que pode afetar suas mentes e corações de uma forma que pode nunca mais ser desfeita”. E acrescentou: “Segregação denota um senso de inferioridde que afeta a motivação de uma criança em aprender.”

Hoje, mesmo em escolhas que tenham conseguido algum nível de diversidde, há evidências de alunos de raças diferentes que ainda estão sendo tratados diferentemente. Um estudo de 2007 do Journal of Educational Psychology analisou dezenas de estudos anteriores, abrangendo mais de três décadas, sobre como os professores interagem com tipos diferentes de alunos. Os pesquisadores descobriram que, de modo geral, as expectativas e falas dos professores variavam dependendo da raça do aluno. Professores dirigiam os comportamentos mais positivos, como perguntas e encorajamento, aos alunos brancos.

Em um estudo de 2012 da American Sociological Association descobriu, “Evidências acadêmicas substanciais evidenciam que professores – especialmente professores brancos – avaliam o comportamento e o potencial acadêmico de alunos negros de maneira mais negativa que o fazem com alunos brancos”. O estudo analisou os resultados do Education Longitudinal Study, uma pesquisa nacional com 15,362 estudantes do segundo ano do high school (equivalente ao Ensino Médio brasileiro), assim como seus pais e professores. Novamente, a evidência mostrou uma tendência entre os professores brancos a favorecer alunos brancos.

Racial diversity, teachers and students

Ironicamente, foi a decisão Brown que levoy ao declínio de professores Afro-Americanos. Os condados que tinham sistemas segregados operavam dois departamentos de educação – um para negros e um para brancos. Quando esses departamentos se integraram, milhares de professores afro-americanos foram demitidos. O quadro de professores de hoje reflete esse declínio na diversidade. um novo relatório do Center for American Progress descobriu que 80 por cento dos professores nas escolas são brancos, enquanto quase 50 por cento dos alunos são de minorias.

Um problema de os professores avaliarem alunos de minorias de maneira mais negativa do que alunos brancos é que aqueles professores, assim como os testes padronizados, são quem decidem os alunos que deverão ir para aulas de reforço. Alunos hipano e afro-americanos tem mais probabilidade de serem classificados em faixas de educação menos competitivos. E, se a evidência estiver correta, não é necessariamente porque esses alunos estão tendo uma performance pior.Um paper de 2005 da University of Illinois Law Review apontou que esse acompanhamento escolar coloca estudantes de cor “em categorias mais baixas de maneira injustificável e desproporcional e praticamente os exclui de classes de aceleração.”

A re-segregação das escolas nos EU recebe bastante atenção – e por um bom motivo. Estudos mostraram que escolas com a maioria de alunos pobres ou de minorias tendem a receber menos recursos, e que alunos negros que frequentam escolas integradas tem desempenho acadêmico melhor que alunos em escolas segregadas. Mas se o objetivo é fazer com que a educação não seja nem separada nem desigual, então os que desenvolvem as políticas públicas também precisam olhar para a forma que os alunos de cor estão sendo tratados em diversas escolas. A desegregação foi a parte mais fácil.

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