Je vais apprendre le français!

Da série coisas bobas para muitos mas que deixam uma cabra feliz!

Capricórnio

Entrar no curso de francês já era uma das minhas metas pra 2014, o ano-que-deveria-ter-sido-e-não-foi. Enchi infinitamente o saco da diretora da Aliança Francesa aqui em Blumenau mas não teve jeito: nenhum horário deles para iniciantes encaixava com os meus. Ficou para depois. Agora, em novembro, fechando os meus horários de aulas para 2015, decidi colocar o francês na agenda PRIMEIRO, antes do restante. E essa decisão encaixou com uma semana gostosa mas estranha, de muito saudosismo. Minha primeira travessia no mar, com a minha mãe tietando e me chamando de minha garotinha, e mais algumas memórias de tempos bons (acho que já falei aqui que minha infância foi simplesmente fantástica, não?).

Assim como a natação, o francês foi outra pendência da minha infância. A GRANDE diferença é que natação eu nunca quis fazer loucamente, fiz porque tinha, porque era legal, tanto que no final das contas em poucos meses desisti sem nem ter aprendido a nadar. Acho que eu não era TÃO capricorniana na infância. Agora o francês… Deosa, como eu quis aprender francês… Eu era absolutamente obcecada com a ideia de falar francês, essa é definitivamente a coisa que eu quis mais ardentemente durante mais tempo na minha vida.

Mas por que, Geórgia, por que você nunca foi atrás disso, se quis tanto? Depois de tanto curso, tanta faculdade, tanta coisa, por que nunca o desejado francês?

Eu lembro como se fosse ontem do dia em que eu deixei esse sonho de lado.

Como eu disse lá em cima, eu era absolutamente apaixonada pela ideia de estudar francês. Eu pensava nisso o tempo todo. Eu queria ser francesa. Eu não sei como isso começou, de onde eu tirei essa ideia, só sei que achava lindo, chic, e bastava. Um dia abriu (pra logo depois fechar, como quase tudo em Blumenau) um restaurante francês em Blumenau e eu devia ter uns 11 anos (lembro porque eu ainda estava com permanente nos cabelos HAHA). Quando minha mãe falou que ela e o pai iriam me levar lá eu tenho certeza absouta que devo ter chorado, porque bem, eu sempre choro. Isso era o mais perto que eu iria chegar de algo francês na minha breve existência. Me arrumei toda, com meu vestido trapézio preto e colar de pérolas (bolas brancas, ok) e onda no cabelo, com direito a foto saindo do FIAT 147 roxo no estacionamento do lugar. Não lembro o que comi, mas lembro que me senti soberana do universo.

Mas voltemos ao assunto: O dia em que me dei conta de que JAMAIS aprenderia francês.

Eu insistia constantemente que queria fazer curso de francês. Minha mãe achava inglês mais importante, e eu já estava fazendo inglês na Cultura Inglesa há uns dois anos. Mas eu queria francês. E, óbvio, não tínhamos dinheiro pra isso. Aliás, eu só fazia inglês porque minha mãe, jornalista na época, fez permuta com o diretor da Cultura Inglesa. Ela escrevia o jornalzinho da Cultura Inglesa, e em troca eu fazia o curso. Ou seja: grana zero.

Um dia estávamos comendo numa lanchonete na João Pessoa onde hoje é o Manjericão e de repente, do nada, it hit me. Cara, somos pobres. Somos tipo super pobres. Onde é que eu estou com a cabeça pensando que em algum momento vamos ter condições de pagar um curso de francês para mim, tendo tantas outras prioridades? Francês é caro. É coisa de gente rica, de quem não precisa escolher entre botar uma fatia microscópica e transparente de queijo OU mortadela no sanduíche. O que eu estou pensando? Daí comecei a passar mal de tristeza e decepção, e fui para o banheiro e chorei infinitamente – tempo de criança, deve ter sido 5 minutos, mas a tristeza era absurda. Sei que fiquei tanto tempo no banheiro chorando que meus pais foram me procurar e voltei pra mesa com os olho inchados e falei que nunca ia conseguir fazer francês. E imagino que tenha rolado aquele discurso Lua de Cristal de que tudo o que eu quisesse eu poderia fazer um dia. Mas não me convenceu. Nunca mais toquei no assunto, nunca mais pensei no assunto. Morreu.

Fico agora pensando no tão hardcore podem ser esses choques de realidade para quem tem uma vida muito mais fudida do que a que eu tinha, sabe. No quanto deve dar raiva de quem vem com o discurso meritocrático de que é só querer que você consegue. Não, não é só querer, a vida é foda e nosso psicológico é mais foda ainda. Levei 20 anos pra desenterrar esse meu desejo de aprender francês lá do meu inconsciente bloqueado trancado a sete chaves. Isso eu, que, dentro das limitações, fui uma pessoa muito privilegiada a vida inteira. Nunca passei fome, não precisei trabalhar até os 16, nunca precisei andar com tênis furado.

Desenterrei esse sonho e estou matriculada.

francês

Na mesma escola que eu sonhava estudar até os 11 anos. Não teria a menor graça se fosse em qualquer outra.

Agora é contagem regressiva para a primeira aula, em março. 🙂

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