Minha declaração de voto: Dilma #13

Aos 45 do segundo tempo decidi declarar publicamente – caso alguém não tenha percebido pelos status no facebook – meu apoio à reeleição de Dilma. Não foi uma estratégia para fazer suspense. É porque a decisão não foi fácil mesmo. Até sexta (ontem) à noite, estava praticamente decidida a anular o voto. Por mil motivos.

O jogo é de cartas marcadas. E não existe possibilidade de reformar ou humanizar o que temos aí, pelo menos não até termos uma reforma política (que tenho pouca esperança de que aconteça – e menos esperança ainda caso Aécio seja eleito). Penso que as minorias e as classes trabalhadoras foram derrotadas já no primeiro turno, não nos restando opção boa – apenas escolher pelo menos pior. Os financiamentos privados de campanha garantem que só tenha chance de ganhar eleições majoritárias quem esteja comprometido a garantir a manutenção do poder nas mãos daqueles que sempre o tiveram: o capital financeiro, as grandes corporações, o agronegócio e as empreiteiras. São eles quem continuarão influenciando diretamente as decisões do governo federal, seja ele PT ou PSDB.

A candidatura de Aécio Neves consegue ser pior pois cresceu na onda conservadora que anda assombrando o país. Apesar dos pesares, a opção pelo PSDB é a pior para a classe trabalhadora, pois aposta no aprofundamento das privatizações, no arrocho salarial, na criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, privilegiando o Estado máximo para o capital e mínimo para os trabalhadores. Seus apoiadores representam a aceleração de pautas ultraconservadoras, como o combate às causas LGBT, redução da maioridade penal, a privatização do sistema carcerário e a criminalização do aborto.

O PCB publicou uma lista de “limitações” do PT que me seduziu muito e influenciou demais minha decisão pelo voto nulo:

a) Não assume a reforma agrária e nem a demarcação das terras indígenas, porque está comprometido com o agronegócio e o desenvolvimento do capitalismo no campo;

b) Não supera a política de superavits primários e a sangria de recursos para os bancos, porque é financiado pelos banqueiros;

c) Não pode assumir a defesa da legalização do aborto e das demandas do movimento LGBT, porque está comprometido com a bancada evangélica e o fundamentalismo que fere o caráter laico do Estado;

d) Não pode reverter as privatizações, porque está empenhado na lógica privatista e mercantil das parceiras público-privadas;

e) Não promove a reversão dos ataques à previdência pública, porque está comprometido com a previdência privada e o capital financeiro;

f) Não pode garantir os direitos dos trabalhadores contra a precarização das condições de trabalho, as terceirizações e a flexibilização de direitos, porque está comprometido com os grandes empresários;

g) Não pode enfrentar a criminalização dos movimentos sociais e a violência policial, porque está comprometido com a garantia da paz burguesa, como demonstram as operações de garantia da Lei e da Ordem e da Lei de Segurança Nacional;

h) Não pode desempenhar um papel de fato progressista na ordem internacional, porque faz da política externa um meio de expandir os negócios dos grandes empresários, empreiteiras e banqueiros, numa clara opção de inserção subordinada ao sistema imperialista;

i) Por fim, não pode mudar a armadilha do pacto social e do presidencialismo de coalizão porque é refém dela, sendo beneficiado pela atual forma política eficiente para se manter no governo, mas cujo preço é o abandono das reformas mais elementares.

O posicionamento do meu partido, PSOL, frente as eleições, assim como seu projeto de nação, está, absolutamente, à esquerda do programa social-liberal ou mesmo neoliberal levado a cabo pelo PT. O PSOL Joinville publicou uma nota que também pesou muito na minha decisão:

O PT tem um projeto de poder que, em total oposição às lutas do PSOL, relegou a um segundo plano as políticas públicas para as minorias – a impensável presidência de Marco Feliciano na CDHM, o atraso nas pautas LGBT, a truculência com os direitos dos povos indígenas, etc. –; manteve o tripé macroeconômico e a sangria do pagamento dos juros e amortizações da dívida pública; avançou muito pouco em relação à reforma agrária; continuou a lógica de criminalização dos movimentos sociais e uma política criminal de encarceramento em massa. 

No entanto, apesar de todos esses pontos que nos afastam do projeto político petista, acreditamos que a volta do PSDB à Presidência da República será um enorme retrocesso para Santa Catarina e para o país

Um governo tucano representa, no esgotamento do modelo político-econômico petista que, apesar dos pesares, diminuiu a pobreza extrema no país, a vitória de uma resposta neoliberal dirigida pelas frações mais conservadoras da classe dominante brasileira. As gestões do PSDB sucatearam as universidades públicas, desmantelaram o Estado, realizaram profundas reformas trabalhistas, arrocharam salários e provocaram desemprego em massa.

A vitória de Aécio significa o triunfo de um projeto elitista e de criminalização dos movimentos sociais. Já aliado às figuras mais conservadoras da política nacional, como Pastor Everaldo, Levy Fidelix, Jair Bolsonaro, entre outros, Aécio trará, se eleito, uma agenda conservadora e de destruição dos direitos sociais, incluindo a redução da maioridade penal, a privatização do sistema penitenciário, retrocessos da política internacional e de avanço do fundamentalismo contrário aos direitos humanos.

Diante deste cenário e do avanço da onda conservadora no Congresso Nacional, o PSOL Joinville opta por se posicionar favoravelmente ao voto crítico em Dilma Roussef, muito menos pelas suas qualidades, mas sim, pelos grandes defeitos de seu adversário. Orientamos nossa militância e eleitores que assim o façam, de forma crítica, transformando o voto no 13 em um veto a Aécio e seus aliados, visando impedir o retorno de um projeto conservador com o qual não temos qualquer identidade.

O PSOL continuará fazendo oposição de esquerda ao governo federal, pressionando para que a reforma agrária, a reforma política, a democratização dos meios de comunicação, a desmilitarização da PM, a defesa dos direitos LGBT, das mulheres sejam efetivados. Assim como, pautaremos uma agenda positiva para o país, que taxe as grandes fortunas, realize a auditoria da dívida pública e tenha como horizonte uma sociedade mais justa, fraterna, democrática e socialista.

Então é isso. O PT não é santo, e por isso não fez, não faz e nem fará milagres. É um partido praticamente tão corrupto quanto o PSDB – e quanto qualquer outro partido com tais dimensões. O PT não representa mais a esquerda que diz ser, e deixou muito a desejar para nós, mulheres e a comunidade indígena, negra, campesina, LGBT (e quantos outros?!?).

Entretanto…

Eu me vi sem saída, porque apesar de todos os MUITOS pesares, foi o PT que se comprometeu na luta contra a miséria. Essa mesma luta que agora Aécio diz que o PSDB criou e vai manter e ampliar – penso na confusão que deve estar a cabeça dos eleitores de Aécio que sempre chamaram o bolsa-família de bolsa-esmola ou bolsa-vagabundo nesse momento.

E Alex Castro lacrou minha decisão:

dilma e o pt não são perfeitos. seu modelo ainda se baseia em um ciclo insustentável de mais capitalismo, mais crescimento, mais energia elétrica. não existe saída possível sem questionarmos o consumo.

mas agora, hoje, as opções são essas:

um homem que, aos 17, trabalhava para um dos ditadores militares, contra uma mulher que, aos 17, arriscou a vida para lutar contra essa mesma ditadura, foi presa, torturada e quase morreu.

e, hoje, tantos anos depois, o primeiro continua defendendo o receituário neoliberal-conservador e a segunda está dando prosseguimento ao primeiro governo que já tivemos a priorizar os mais pobres.

com todos os seus enormes problemas e contradições, quem fez a opção por defender os mais fracos foram os governos do pt.

por isso, no domingo, voto em dilma.

E ainda bem que acaba amanhã. Não aguento mais tanto preconceito, tanta ignorância, tanto argumento raso, tanto racismo, machismo, homofobia, elitismo, tanta coisa tudo de ruim que os eleitores de Aécio andam destilando na minha timeline – que já foi higienizada dezenas de vezes. Eleitor do Aécio que argumenta corrupção do PT como motivo pra votar no Aécio é apenas burro e mais nada. Mais nada. Até tentei fazer debate em timelines alheias, falar q podres são ambos, e tentar discutir propostas. Porque serio, at this point se teu único critério de voto é corrupção, vc perdeu o bonde: deveria ter votado Luciana Genro. Agora ou anula ou escolhe o menos pior. Mas não adianta. Lula inventou a corrupção, só o PT é corrupto, Aécio é o anjo salvador q vai livrar o país junto com o resto do tucanato. E os argumentos rasos, subterfúgios e links da Veja quase fizeram minha cabeça explodir. E eu tentei ser civilizada. Tentei argumentar, dezenas de vezes, desenhando o mesmo ponto do jeito mais educado possível e só recebi gaslighting e xingamentos de volta. E no final das contas, a Mariana Fôlego fez uma observação que eu endosso completamente. Há um tempo atrás, acho até que antes do primeiro turno, ela publicou um status perguntando aos eleitores do Aécio o que os levava a votar nele – mas pedindo argumentos além do #foraPT. Das poucas pessoas que responderam (realmente pouquíssimas pessoas tem motivos para votar no Aécio que saiam do discurso #foraPT), os motivos que levantaram foram de fazer o coração sangrar:

Há um tempo eu pedi para que eleitores do Aécio me mostrassem argumentos para escolhe-lo que não estivessem embebidos no puro ódio contra o PT, que fossem mais pró seu candidato que contra a oposição.

Naquele post nenhuma razão objetiva foi me dada, contudo no tempo que se seguiu ouvi alguns pouco eleitores do PSDB com argumentos que vão além do ‪#‎foraPT‬ e similares. Entre esses argumentos estão, o fortalecimento do liberalismo econômico, o combate a inflação mesmo que a custa de medidas impopulares, um maior critério na distribuição de programas sociais, e ainda a defesa das privatizações.

Quando confrontados com as possíveis consequências dessas medidas, como o aumento do desemprego e das desigualdades sociais, além da contra argumentação em favor dos governos petistas, demonstrando o quanto estes fizeram pelas pessoas mais carentes, de como o Brasil se tornou um país mais justo em oportunidades, que saímos do mapa da fome da ONU, que o acesso a educação superior é uma realidade mesmo para os mais pobres, a resposta vem sempre carregada de individualismo, é notável como para essas pessoas pouco importa se as pessoas não passem mais fome, o que vale é acumular cada vez mais riqueza, mesmo que para poucos.

Disso concluo que prefiro os eleitores comprados pelas midias e cegos pelo ódio, que os racionais individualistas que se cagam pras minorias.
Os primeiros, pelo menos, tem o perdão da ignorância.

dilma

Peço mil desculpas pelo post cheio de citações, mas foi bem assim que tomei essa decisão: ouvindo os amigos, lendo, pensando. Agradeço a todos que contribuíram, tentando me convencer de uma coisa ou de outra, tendo paciência para conversar. Tamo aí, Dilmando muito amanhã, e depois que ela for eleita, volto correndo pra oposição ferrenha, que é o meu lugar. E algo que li algumas vezes e amei: alternância de poder é isso – a elite governou por 500 anos, agora a esquerda por mais 500. O choro é livre.

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