3 anos de bike

Ontem fez 3 anos que eu comprei minha bicicleta. Foi no dia 16 de outubro de 2011. Três anos. Confesso que fiquei surpresa – e aposto que você também deve estar. A impressão que eu tenho é a de que eu pedalo há anos, ANOS. Bom, sim, eu pedalo há muitos anos, eu aprendi a andar de bicicleta lá pelos 6 ou 7 anos de idade. Mas assim, desse jeito, com essa paixão, com essa bandeira – política, acima de tudo -, só 3 anos.

934617_10200868341445302_1698748714_nA compra da bike foi o resultado de duas necessidades: precisava PARAR de usar transporte público, que em Blumenau é um lixo e estava me desgastando muito. E queria fazer alguma atividade física. Sim, eu sei, você está surpreso, faz apenas três anos que eu deixei de ser absolutamente sedentária para ser essa pessoa louca que queria poder passar o dia inteiro praticando atividades físicas. Um amigo recém-separado me ofereceu a bike da ex, por um valor maior do que eu estava afim de pagar, mas parcelado em algumas lindas vezes. Incrível, aliás, como eu achava que bicicleta era algo que poderia ser barato. Não, não é. Ainda hoje algumas pessoas me perguntam que bicicleta comprar e me dizem que estão afim de gastar, sei lá, 300 dilmas. Primeiro passo é desconstruir essa ideia de que alguma bicicleta de 300 reais vale a pena. Não vale não. Pode desembolsar um pouco mais – especialmente se a ideia é pedalar diariamente.

Então. Comprei. E naquele dia minha vida mudou completamente de formas que eu jamais imaginei que mudaria. No sentido mais óbvio, claro, de que minha locomoção ficou muito mais facilitada e muito mais divertida. E também reverberou em diversos outros aspectos da minha vida, como a minha aproximação ainda maior com a esquerda e melhor entendimento sobre algumas bandeiras políticas que me são muito caras hoje, como a mobilidade urbana e, de um modo mais amplo, o acesso à cidade. Porque não dá pra você ser ciclista urbano, pedalar diariamente nas loucas ruas blumenauenses disputando espaço com carros e pedestres, e não repensar a maneira como o rolê todo está estruturado, para privilegiar algumas pessoas em detrimento de outras, para invisibilizar uns que justamente são os mais vulneráveis.

bike

Acho que a possibilidade de solução para os problemas de trânsito, especialmente em Blumenau, passam sim pela ampliação do uso da bicicleta. Acho também que muitas pessoas não a usam porque não existe estrutura para abrigar os pedalantes, porque esse estilo de vida é mais perigoso mesmo. Acho que minha cidade ainda está imersa num raciocínio que eu detesto, a de que carro = status, então você precisa ter um e usar ele até mesmo para ir até a padaria para se sentir alguém que venceu na vida. Acho, muito mais ainda, que esse problema da pouca adesão à bicicleta está muito, mas muito enraizado em problemas muito maiores do que a simples alternativa de meio de transporte. Acho que isso passa até pelos padrões de beleza impostos às mulheres. Numa sociedade em que uma gerente de banco só é respeitada (isso QUANDO é respeitada) se estiver impecavelmente maquiada, com os cabelos escovados, vestindo terninho e calçando scarpim, como eu vou convencer essa mulher a pegar a bicicleta de manhã e pedalar, sei lá, 6km para ir ao trabalho? Tem a própria questão das empresas, que também não estão preparadas para que seus funcionários venham de bicicleta. Não há bicicletários nos estacionamentos, não há vestiários com chuveiros. Enfim. Queria dizer que não adianta ter um plano de mobilidade urbana foda, receber verbas infinitas do governo federal, construir uma malha cicloviária impecável ligando todos os pontos a todos os pontos, ainda assim andar de bicicleta será algo para poucos transgressores.

Masssss tem os transgressores por aí, isso me anima. Tem iniciativas legais aparecendo pela cidade de quando em vez. Blumenau não é mais aquele espaço homogêneo de outrora. Tá, a minha mãe vai vir me corrigir e dizer que Blumenau nunca foi o espaço homogêneo que a gente pinta porque ela já está aí transgredindo há 53 anos (53 anos sendo completados hoje, aliás!). Mas não sei, eu vejo algo de diferente nessa galera que está transgredindo hoje. Algo que enche meu coração. Não de esperança que eu vá estar viva para ver mudanças reais acontecendo, mas pelo menos me animo para seguir lutando.

Feliz bikeversário pra mim. 🙂

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s