Por direitos iguais, vote diferente

O Lula falou hoje (e desculpa, não consigo não gostar do Lula por mais que o PT seja tudo o que é hoje blablabla): Se a gente quiser mudar a política, só tem um jeito, é entrando nela.

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Tive alguns eventos significativos que incentivaram e marcaram a minha entrada na política partidária. O primeiro deles foi a minha viagem à Brasília no ano passado. Até pisar em Brasília (leia sobre minha visita à Câmara dos Deputados AQUI) eu simplesmente não tinha interesse nenhum em partido político nenhum. Acreditava que a revolução seria nas ruas e acreditava mais ainda que política de fazia em ações individuais e em coletivos locais. Eu já estava inserida em tudo isso, na militância política nesse sentido, pelos animais, pelas bicicletas, pelo veganismo e, principalmente, pelas mulheres. Em Brasília eu descobri que não sabia NADA sobre política, sobre democracia representativa, sobre nada de nada nenhuma e havia ignorado durante 31 anos o quanto ESSA política, essa suja, que ninguém quer meter a mão, é sim aquela que mais impacto tem sobre as nossas vidas.

E me caiu a ficha de que, apesar de eu achar a tal da democracia a coisa mais linda do mundo, eu queria muito que o povo soubesse mais sobre isso, e sobre que tipo de gente colocar lá dentro para que seja REALMENTE REPRESENTATIVA, sabe? Esses deputados que estão lá, eles não representam o povo. Eles representam A ELITE. Eles ganharam votos do povo porque fizeram a campanha certa, com grana de grandes empresas que financiaram suas campanhas, ganharam porque têm visibilidade, têm dinheiro, fazem pose de bons mocinhos e a gente cai, e a gente vota, porque a gente não sabe o que eles defendem no fundo no fundo porque a gente não sabe o que são partidos políticos e o que cada partido quer pro Brasil.

Cheguei em Blumenau e uma semana depois estava filiada ao PSOL. Sim, eu tomo decisões rápidas. Hoje, aliás, é meu aniversário de filiação. Parabéns para mim!

O segundo evento que marcou aconteceu já esse ano, em abril. Até eu dar o discurso para a Câmara Mirim em Blumenau, eu estava decidida, sim, a continuar na política partidária, militando, porém nos bastidores. Deus-me-livre dar a cara para bater, me expôr, perder dias e noites em campanha eleitoral. Queria quadros e queria trabalhar no Setorial de Mulheres para viabilizar mais candidaturas femininas e trabalhar feminismo dentro do partido – na esperança que depois isso fosse reverberar fora, com as mulheres que seriam eleitas.

E nessa vibe de pensar em política e trabalhar na política e na tristeza de saber que Blumenau só teve quatro vereadoras mulheres, comecei a repensar também no MEU papel dentro disso tudo. De que adiantaria ficar bradando para que mais mulheres viessem para a linha de frente e ficar eu ali, escondida atrás das barricadas? Covardia? Existe, de verdade, em vários graus, uma relação problemática entre mulheres e o espaço público, que ultrapassa o não-querer das mulheres – então não vale o argumento de que teríamos mais mulheres em instâncias de poder se ao menos elas se candidatassem. Se antes havia claros meios institucionais e legais para impedir a ação política feminina, agora há meios mais sutis e menos visíveis que agem no sentido de desestimular e deslegitimar a participação política feminina, tornando a luta contra a desigualdade de gênero mais difícil. As que conseguem algum espaço no campo político, sofrem as formas mais sutis de violência simbólica. Estaria eu pronta para encarar essas violências que virão junto com uma vida pública?

Foi revendo meu discurso na Câmara Mirim que eu levei o tapa na cara de mim mesma.

No final do discurso eu encerrei falando:

Vocês, que hoje estão aqui na Câmara de Vereadores Mirim, são os jovens que tem grandes possibilidades de serem líderes no futuro. Hoje vocês são em 15 vereadores, seis meninas e nove meninos. Mas dentre vocês, quantos realmente serão líderes políticos? Vocês já se perguntaram por que hoje não temos nenhuma mulher vereadora entre os adultos? Por que as mulheres acabamos optando em ficar com posições nos bastidores, ou com os cuidados da casa, ou absorvidas em qualquer outra ocupação que não receba destaque? Deixo essas perguntas para vocês refletirem.

Qual motivo exatamente me levava a recusar de forma veemente a possibilidade de assumir protagonismo na política, me envolvendo de maneira mais direta – dentro do meu partido e numa futura disputa eleitoral?

Depois dessa conclusão, no final de maio, conversei com o presidente estadual do partido sobre o que ele acharia se eu me candidatasse. Obviamente ele ficou super entusiasmado. E em seguida, ainda movida por uma insegurança de quem não tem certeza absoluta de que vai ter culhões para aguentar a barra, consultei os amigos, pedindo opiniões. Todos, TODOS, foram favoráveis. Claro, apoiar a minha candidatura não significa votar em mim posteriormente. Mas saber que, além de mim, mais pessoas acreditam que ainda é possível transformar a realidade TAMBÉM por via eleitoral (a transformação real envolve muito mais que isso) me deu a segurança que eu precisava para colocar meu nome a disposição.

No dia 15 de junho minha candidatura foi homologada pelo partido, no dia 06 de julho pelo TRE. E hoje estou aqui. Agora candidata. Penso que dispenso apresentações já que esse blog inteiro fala bastante sobre mim. Mas preciso – e vou – publicar aos poucos o programa político, que está sendo construído como um projeto coletivo lindo, com os amigos e apoiadores da minha candidatura. Abaixo, você pode assistir o vídeo do meu pronunciamento no Congresso Eleitoral do PSOL:

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2 comentários sobre “Por direitos iguais, vote diferente

    • Considero essa questão de extrema urgência.
      Mas também não adianta ser qualquer mulher: tem que ser feminista. Porque se for para entrar uma mulher que não vá priorizar a pauta feminista e viabilizar a entrada de mais mulheres nos espaços de poder e decisão, não adianta!

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