Mulheres Vereadoras em Blumenau

Eu já tinha falado sobre mulheres na política AQUI, mas acho que esse é um assunto que não se esgota. Prometi e aqui está. Pesquisei só para me frustrar e descobrir que, desde que o mundo é mundo, Blumenau só teve quatro – sim, QUATRO – mulheres na Câmara de Vereadores.

  • Maria do Carmo Carl 1977-1983 e 1983-1988
  • Yara Luef PMDB 1989-1992, 1993-1996
  • Alzina Micheluzzi PT 1997-2000
  • Maria Emília PT 2005-2008

mulher-na-política

Triste, super triste, mega triste. Mas saca só: esse processo, o de fortalecimento da representatividade feminina, tem que ser uma construção contínua. Existe hoje, uma cota de 30% de candidatas mulheres que devem ser preenchidas pelos partidos. Essas cotas mínimas para candidatas mulheres são um incentivo, mas não fazem tudo. Afinal, muitas vezes elas são preenchidas apenas para cumprir a lei, de modo que a maioria das candidaturas femininas não recebe o mesmo apoio dos próprios partidos que as candidaturas masculinas, o que faz com que mesmo que 30% dxs candidatxs sejam mulheres, não tenhamos 30% de mulheres eleitas. (Aliás tô aqui de boas pensando que essas cotas talvez não deveriam ser apenas para candidaturas, mas para preenchimento das cadeiras nos legislativos…)

Precisa mostrar para os homens que mulheres estão preparadas para a vida pública e podem ser votadas. Mas, principalmente (e minha preocupação sempre é com as mulheres), empoderar as mulheres para também acreditarem que podem sair do ambiente doméstico. E quando falo em ambiente doméstico não estou apenas me referindo às mulheres que trabalham em casa. Refiro-me ao ambiente privado – os trabalhos domésticos sim, mas também os de cuidado, destinados quase que exclusivamente às mulheres, e justamente por isso, subvalorizados. A divisão sexual do trabalho que rola desde sempre, base social da opressão e da desigualdade. A gente aprende, desde que nasce, que existem trabalhos de homem e trabalhos de mulher. E também aprende a hierarquizar esses trabalhos, onde os trabalhos ditos masculinos sempre valem mais do que os ditos femininos. A gente naturaliza e biologiza a diferença entre os sexos (onde, também, a mulher está abaixo do homem nesse ranking) e baseado nisso atribui a umas e outros as ocupações adequadas à sua natureza.

A presença das mulheres é urgente, necessária e fundamental nas instâncias de decisão das organizações. Sejam essas instâncias os partidos políticos tradicionais, ou os sindicatos, ou as organizações sociais de militância onde estão inseridas. E essa presença não é algo fácil. É um caminho que deve ser aberto a facão mesmo. O espaço político é masculino por natureza, não apenas pela presença masculina majoritária mas até por ter sido concebida e organizada no masculino, sendo bastante hostil para qualquer uma que se aventure.

Existe, de verdade, em vários graus, uma relação problemática entre mulheres e o espaço público, que ultrapassa o não-querer das mulheres – então não vale o argumento de que teríamos mais mulheres em instâncias de poder se ao menos elas se candidatassem. Se antes havia claros meios institucionais e legais para impedir a ação política feminina, agora há meios mais sutis e menos visíveis que agem no sentido de desestimular e deslegitimar a participação política feminina, tornando a luta contra a desigualdade de gênero mais difícil. As que conseguem algum espaço no campo político, sofrem as formas mais sutis de violência simbólica. Em Blumenau, cidade extremamente sexista e conservadora, é normal que se tente de várias formas atingir as mulheres que se dedicam à política (quem lembra das acusações horríveis, espalhadas à boca pequena, sobre a moral de nossa última candidata a prefeita?) E, claro, muitas vezes para escapar de toda essa represália, as próprias mulheres que se aventuram na política se curvam ao pensamento dominante e assumem atitudes no sentido de buscar um comportamento  político feminino, ou seja, vendendo sua imagem de mulher com uma postura de mãe, mais ética, carinhosa, delicada. E o que costuma acontecer? Suas ações acabam limitads a algumas áreas também consideradas naturalmente femininas, como os serviços sociais, o que acaba impedindo a tomada de posição mais ativa frente a outros problemas também urgentes, como políticas de contracepção e de saúde pública, aborto, violência contra a mulher…

Espero, muito, e luto, mais ainda, para que ainda nessa vida eu consiga ver alguma melhora para nós, mulheres, nesse mundo dos homens.

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2 comentários sobre “Mulheres Vereadoras em Blumenau

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