Faltam 11 dias para a Maratona de PoA

É.

Faltam apenas onze dias.

Desde o momento em que botei meus pés em Blumenau, depois das minhas férias incríveis no Norte do país, só tenho pensado e vivido para isso. Coloquei tudo o mais da minha vida em segundo plano. Treinos, treinos, treinos, alimentação, suplementação, pesquisas, academia, treinos. Dormir cedo pra acordar as 5:15 todos os dias, inclusive sábados e domingos. Desde 20 de janeiro não matei um dia sequer, não teve preguiça que me mantivesse na cama. Acho que nunca levei nada tão a sério. Mentira, eu sempre levo tudo muito a sério, faz parte do meu jeitinho Capricórnio de ser, mas acho que nunca nada demandou tanta atenção minha durante tanto tempo.

E agora o dia está chegando. Sexta-feira que vem embarco para Porto Alegre.

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Eu vivo em função de metas e objetivos, e quando decidi no ano passado abandonar a Fundação Municipal de Desportos – não que a Fundação fizesse muita questão de me ter no “quadro”, mas enfim – precisava encontrar uma nova meta. Decidi sair do esporte profissional quando me caiu a ficha de que já tenho uma profissão, profissão que eu amo e que não pretendo abandonar tão cedo. Sendo assim, jamais poderia me dedicar no nível necessário para realmente ter alguma chance no mercado do atletismo. Então decidi correr por prazer, e não mais por obrigação.

Há uns seis anos atrás, quando ainda estava na vid4lok4, quando ainda bebia – e bastante! – conversava com uma pessoa-mais-que-especial-ai-que-saudade e falava que um dia eu ainda iria correr uma maratona. Mas falava da boca pra fora – tanto que ele era a única pessoa com quem eu conversava sobre meus planos de quem realmente se acha imortal. Porque sempre achei lindo, a dedicação envolvida, a superação dos próprios limites e o esporte em si. É lindo. Naquela época mal andava de bicicleta, quem diria. E essa pessoa-mais-que-especial-ai-que-saudade acreditava plenamente que esse dia iria chegar mesmo. Coincidentemente, ele também é a única pessoa que acredita na minha imortalidade. Nunca pensei que o que eu falava da boca pra fora na mesa de um buteco com a cerveja mais gelada da cidade um dia iria se concretizar.

Até acho que já contei essa história antes. Mas é que hoje eu estava escutando a minha música preferida dos últimos tempos, que no refrão diz que I am a marathon runner, and my legs are sore, and I’m anxious to see what I’m running for e fiquei imaginando o grande dia e as 4 horas e meia que passarei correndo à exaustão e imaginando como vai ser completar a prova e receber a medalha de finisher e fazer pose pro fotógrafo do Foco Radical e daí escorreu aquela lagriminha solitária.

Então. Continuando depois de suspirar um pouco.

Decidi sair da Fundação. Concluí que precisava de uma nova meta. Já tinha corrido três meia-maratonas, então o próximo passo ficou óbvio para mim: MARATONA. Pronto. Como fazer, por onde começar?

Eu não estava mais disposta a treinar em equipe. Gosto de correr justamente porque é algo que eu posso fazer sozinha. E eu super curto fazer coisas sozinha. E também porque discordava de alguns métodos do meu técnico e queria fazer isso por conta, dessa vez. Acho que no post onde expliquei como comecei a correr mencionei que comprei treinos de um cara chamado Todd, americano que tem o site RunningMate. E curti muito. Percebi que poderia encontrar mais coisas online para me ajudar, e complementar pesquisando aqui, perguntando ali…

Já tinha trocado de app para trackear meus treinos. Larguei do NikeRun e fui para o RunKeeper. Infinitamente melhor. A única coisa do app da Nike que eu sinto falta é que ele avisava quando o treino chegava na metade – eu não precisava ficar calculando onde teria que virar a volta. Mas o RunKeeper é lindo, perfeito, completo pra tudo o que eu preciso. Então. Paguei pela assinatura de Elite, que me deu acesso a diversos programas de treinamento. É bem interessante, porque tem treinos desenhados para várias necessidads: completar provas de várias distâncias, perder peso, queimar gordura. Escolhi o treino Beginner Marathon – To Finish, que é um treino só para me deixar pronta para completar a prova mesmo. Sem ambição nenhuma de tempo. Enfiei na cabeça que não quero sofrer – mesmo que TODO MUNDO me diga que o sofrimento será inevitável.

E fui seguindo o programa bonitinha e a única adaptação que fiz, aconselhada pelo meu preparador físico, foi o de incluir um longão de 32K (a maior distância no programa original era 26K) quando faltasse um mês para a prova. Tive a sorte de não adoecer durante esse período de treinos (sorte = Karina Dotta, minha nutricionista) e a sorte de não lesionar (sorte = Mauro). Mas os treinos em geral foram tranquilos, a não ser quando eu mesma me empolgava e corria mais rápido do que o indicado – porque um amigo prometeu que iria me prestigiar em Porto Alegre caso eu melhorasse meus tempos, tamo pagando pra ver issaê.

O esqueleto básico do treino era: nas terças, um treino curto (entre 6 e 8K) geralmente terminando com três a cinco tiros intervalados de 20 segundos. Nas quintas, um pouco mais longo (entre 10 e 12K) fartlek (lento-rápido-lento). Nos sábados, entre 10 e 12K lento. E nos domingos, os longuinhos que foram aumentando a distância até se tornarem longões. O pico foi o treino de 32K que fiz no dia 20 de abril (que não estava previsto). Depois do pico, as distâncias estão reduzindo para que eu possa me recuperar e estar 100% para os 42K.

O tal treino de 32K foi incrivelmente tranquilo, muito mais do que eu sonhei. Acordei, tomei minha água morna com limão espremido + glutamina (agora que me acostumei com essa nojeira não consigo mais parar), passeei com a Simone, comi tapioca com banana + chia e melado, 3 BCAA, vesti o cinto de hidratação e fui.

32K

Durante a corrida, a cada 50 minutos tomei uma bisnaga de carbogel, o que fez toda a diferença DO MUNDO. Sério, era como ressurgir dos mortos. A pior parte com certeza foi entre o km 16 e o 22, que era só rodovia pra Gaspar, no acostamento, com pouca água (aliás, sou super a favor de ter torneiras “públicas” nas ruas principais) e um trechinho chato mesmo, sem muitas variações na paisagem – também porque eu odeio ida-e-volta, parece que cansa muito mais. Terminei o percurso super bem, caminhei ainda mais 1,3K até chegar em casa, alonguei, tomei banho e caí na cama. Não consegui comer. Não puxe minha orelha. Mas não consegui. Só fui catar algum resto na geladeira a noite. Mas fiquei super satisfeita por não ter sentido dores horríveis e por ter conseguido andar no dia seguinte. Realmente não esperava. Lembrei com orgulho da minha primeira meia-maratona, que me deixou dois dias encarangada sem conseguir andar… Como o condicionamento físico muda…

Bom. Só para me sentir um pouco mais segura, complementei a minha dieta da Karina Dotta com uma consulta na Dra. Mara Cunha, nutróloga. Fiz cents exames de tudo o que se pode imaginar, cujos resultados foram simplesmente perfeitos, e ela mudou toda a minha suplementação, acrescentando multivitamínico, hormônio e mais uma pá de coisas que vou passar os próximos meses pagando.

Agora é isso. Lutar contra a ansiedade, começar a arrumar as coisas para não esquecer nada, e mais cinco treinos curtos.

corassaum

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Um comentário sobre “Faltam 11 dias para a Maratona de PoA

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