Mulher filma o próprio aborto para mostrar que não é tão assustador

Artigo que saiu ontem aqui: http://thinkprogress.org/health/2014/05/05/3434285/woman-filmed-abortion-story/

Emily Letts, uma conselheira para abortos em uma clinica em New Jersey, sabia que queria usar sua própria história de aborto para ajudar outras mulheres a tomarem suas próprias decisões sobre interromper ou não a gravidez. Prirmeiro, ela pensou em escrever um post em seu blog sobre sua experiência. Mas então ela teve a ideia de filmar.

Emily Letts

Em um artigo publicado no site Cosmopolitan.com, Letts explica que ela decidiu filmar seu procedimento depois de não ter conseguido encontrar um vídeo de uma cirurgia abortiva online. Existe um vídeo no YouTube de uma mulher tomando uma pílula abortiva, que é a alternativa não-cirúrgica para interromper uma gravidez em seu estágio inicial, mas apenas isso. Então, Letts decidiu que ela queria fazer o procedimento cirúrgico — a opção mais assustadora para muitas mulheres — para ajudar a educar as pesoas sobre como realmente é.

“Nós falamos tanto sobre aborto e mesmo assim ninguém sabe de verdade como é,”, Letts escreve no site da Cosmopolitan. “Um aborto no primeiro trimestre leva de três a cinco minutos. É mais seguro do que dar a luz. Não há cortes, e o risco de infertilidade é de menos de um por cento. Mesmo assim, mulheres vêm à clínica sempre aterrorizadas com a ideia de que serão cortadas, convencids de que não poderão ter filhos depois do aborto.”

As poucas representações de abortos em filmes são fictícias, e elas tendem a retratá-los de forma extremamente negativa. Uma recente análise de estórias fictícias de aborto em programas de TV concluiu que o procedimento é tipicamente retratado como muito mais perigoso no que é na verdade. Na tela, mulheres geralmente morrem depois de abortar, mesmo que mulheres na vida real tenham praticamente chance zero de morrer com o procedimento legal. Em última análise, a cultura pop ajuda a promover o mito de que o aborto é sempre perigoso, dramático e violento.

Então Lett se propôr a oferecer uma narrativa diferente com sua própria história.O video dela, que não é gráfico, se concentra na metade superior do seu corpo. Mostra ela respirando profundamente e murmurando durante o curto procedimento, e conversando com a equipe na sala. “Estou bem. Estou pronta”, ela diz depois que o prrocedimento termina.

Aproximadamente um mês depois de seu procecimento, Letts conta à câmera que ela tem refletido sobre sua experiência. “Eu não me sinto uma pessoa má. Eu não me sinto triste,” ela explica, destacando que muitas das mulheres que chegam à sua clínica presumem que todo mundo se sente culpado depois de fazer um aborto. “Eu sabia que o que eu iria fazer estava certo – era certo para mim e para mais ninguém.”

A história pessoal de Letts obviamente é apenas uma história. Mas algumas das coisas que ela expressou são bastante comuns entre mulheres que interrompem uma gravidez. De acordo com uma pesquisa sobre o assunto, a absouta maioria das mulheres que decidem abortar dizem que essa foi a decisão certa para elas. Abortos podem certamente inspirar um mix complicado de emoções, incluindo emoçoes negativas como culpa e luto. Mas a emoção mais comumente relatada pelas mulheres é alívio.

“Eu sei que há mulheres que sentem um enorme remorso. Eu vi as lágrimas. O luto é uma parte importante do processo para muitas mulheres, mas o que eu realmente queria a respeito em meu video é sobre culpa,” Letts escreve. “Nossa sociedade alimenta essa culpa. Nós a inalamos de todas as direções. Até mesmo mulheres que chegam à clínica totalmente certas de sua decisão de abortar dizem se sentir culpadas por não se sentirem culpadas… Elas mesmas se pressionam a se sentir mal por isso.”

Estudos mostram que essas emoções negativas tipicamente têm como fonte um estigma profundamente enraizado a respeito do aborto que ensina as mulheres que ele deve ser algo secreto e vergonhoso. Os ativistas pelos direitos reprodutivos estão tentado acabar com esse estigma ao encorajar as mulheres a contarem suas histórias. Esses esforços como a 1 in 3 Campaign — que tem esse nome por conta do fato de que uma em cada três mulheres americanas irão abortar uma vez na vida — tem a intenção de ajudar as americanas a entender que essa é uma questão que afeta um grande número de pessoas por todo o país. Assim como mulheres jovens como Letts têm histórias importantes sobre como um aborto cirúrgico pode ser relativamente indolor e simples, mulheres mais venhas também têm suas próprias histórias sobre como foi ter um aborto ilegal e perigoso antes de Roe v. Wade.

O estigma do aborto certamente tem um impacto sobre a forma como os políticos legislam sobre o procedimento, então os ativistas esperam que o fato de um número cada vez maior de mulheres compartilhando suas experiências pessoas possa lentamente ajudar os políticos a tomarem decisões diferentes sobre restringir ouo não o acesso ao aborto. Por exemplo, a história de Lett ajuda a demonstrar o fato de que o aborto não é um procedimento bárbaro que necessita de regulação adicional para torná-lo mais seguro.

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