Como é bom ser homem!

Ontem, por conta do meu treino para a minha primeira maratona, tive que correr 25,7K. Em pleno domingo. E apesar de bater uma preguiça desgraçada sempre antes desses treinos longos, depois que a coisa engrena eu curto muito. São aquelas poucas horas na minha semana em que eu não estou fazendo nada. Posso pensar na vida, nas minhas metas, no segredo do universo, no sentido da minha existência porque não estou estudando nem trabalhando nem preparando aulas nem limpando a casa.

Quando estava passando na frente da entrada da Rua Pedro Krauss, de repente, simplesmente, pensei: como é bom ser homem!. Claro, tendo em mente o padrão vigente de masculinidade: homem, branco, heterossexual, classe média. Como é confortável viver essa vida de homem na sociedade que temos hoje. Quase entendi a resistência completa deles ao feminismo, esse monstro que quer tirar deles os privilégios mais básicos.

Pensei que eu tive que abrir mão de muitas coisas na minha vida para ser quem eu sou e fazer a minha vida ser só minha. Tipo ter uma família, ter filhos, segurar o amor da minha vida. Eu não quis nada disso para mim porque eu preferi viver do meu jeito. E eu nunca conseguiria trabalhar como trabalho, correr como corro, cuidar dos bichinhos como cuido, ter alguma relevância política como tenho, fazer cursos como faço se eu tivesse seguido o caminho convencional, se eu me encaixasse no padrão feminino.

Enquanto os homens… Os homens não precisam abrir mão de nada. Porque esse homem “padrão” sempre encontra uma esposa/namorada que vai abrir mão da vida DELA para que ele possa realizar as coisas dele.

E sim, esse ponto pode ser considerado relativo no mundo atual, onde ainda conseguimos encontrar casos onde os “papéis se inverteram”. Mas não foi no meu, e não é no das pessoas com quem eu convivo. São raros, para mim raríssimos, os casos de mulheres que realmente conseguem e podem conciliar a vida de esposa/mãe e seus sonhos. Para mim, esses casos raros são a exceção que prova a regra.

Todos os grandes atrasos que eu tive na vida aconteceram por conta de relacionamentos. Onde eu abri mão do que eu queria para dar infra para que ele pudesse fazer e acontecer. E sim, isso envolve escolhas pessoais que eu fiz conscientemente também, mas não dá para não problematizar essas nossas escolhas pessoais. Se tudo fosse apenas uma questão racional e livre da cultura de escolhermos o que consideramos melhor e pronto, teríamos números semelhantes de homens donos de casa e mulheres altas executivas. Mas não temos. Ou seja: impossível descolar nossas escolhas do meio onde vivemos – estamos sempre, sempre sendo influenciados pela nossa criação e pelo que achamos que a sociedade espera de nós como mulheres. Não são apenas escolhas, elas não acontecem no vácuo.

E ainda assim, essas escolhas são escolhas que nem entram em questão para os homens. Eles nem precisam pensar no assunto. Não vemos palestras e livros explicando para os homens como conciliar carreira e família. Porque não existe esse dilema para eles. Eles não têm que equilibrar tudo.

Pensei em fazer uma pesquisa rápida para descobrir quantos competidores amadores de IronMan são casados e quantas mulheres o são. Quis saber sobre IronMan porque é uma prova que exige demais dos competidores, com treinos diários, longos e exaustivos. E levando em conta que os competidores amadores também levam vidas “normais” além dos treinos – trabalho, vida social etc, é praticamente impossível se dispôr a esse desafio sem uma bela rede de suporte. Presumo que não seja impossível para um pai de família competir um IronMan já que sua esposa fica responsável pelo cuidados com os filhos e a casa, prepara as refeições do atleta, e dá todo o apoio possível e impossível. Será que esposas também teriam tamanho suporte dos maridos? Não encontrei essas informações, sobre o estado civil dos competidores. E claro que muitos outros fatores influenciam a decisão de fazer uma prova como essa, mas achei tão sintomático que homens sejam 92% dos competidores da prova desse ano em Florianópolis…

InscritosporSexoIronBrasilFLN2014

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10 comentários sobre “Como é bom ser homem!

  1. “Us zômi” não conseguiriam fazer, planejar e organizar a vida de uma família simplesmente porque eles não conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo! Aliás, pode ter certeza que enquanto você treina e pensa em tudo isso aqui, eles tão simplesmente treinando… #sóacho.

    Quanto a tua personalidade, é indiscutível. Tu és dona de ti e de tudo aquilo que você tem vontade. Se amar é o melhor remédio!

  2. Eu entendi o que você escreveu lá no blogueiras feministas, mas é bom lembrar que os homens já nascem com ormonios que os deixam mais competitivos e agressivos, o que não impede que uma mulher nasça com estas características mas que não é comum no gênero feminino. As pressões morais existem mas a cada ano são levadas menos a sério, hoje em dia as mulheres já estão sendo e fazendo o que querem e uma prova disso é você mesma.

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