Carta aberta a S. F.

Querida S.,

Soube hoje no começo da tarde do que aconteceu com você. Soube que compartilharam um video seu e do seu namorado. Pessoas que provavelmente nem te conhecem, e filmaram vocês dois sem que vocês soubessem. Pessoas que estavam a espreita, se divertindo às suas custas. E não bastando o fato de eles se divertirem às suas custas, espiando um momento íntimo entre vocês dois, ainda fizeram a cruel gentileza de compartilhar o vídeo com a universidade inteira, viralizando a imbecilidade humana.

Nesse momento, não vem ao caso discutir se o lugar era adequado ou não, ou como a instituição deve lidar com essa transgressão de vocês. À mim, como mulher, me diz respeito te dizer que eu estou do seu lado. Que eu e você, nesse mundo de merda em uma cidade conservadora e machista, somos uma só. E que tem muitas outras mulheres que são uma só conosco. Quero que você saiba que não está só.

Vivemos em uma cidade (em um mundo) onde nós, mulheres, somos julgadas e chamadas de puta a todo momento seja lá o que fizermos. Se fizermos qualquer coisa que fuja do ambiente privado, doméstico, somos transgressoras. Não podemos fugir do script, não podemos tomar iniciativas, não podemos gostar de sexo, não podemos levantar a voz, não podemos pilotar aviões. Sempre vai ter alguém duvidando da nossa capacidade, tentando tirar nosso protagonismo, ou simplesmente julgando todas as nossas habilidades por conta do comprimento da nossa saia.

Especialmente na esfera sexual, sofremos. Mulher que é sexualmente ativa é puta, é desonrada, não presta, não serve para o “mercado matrimonial”, não pode ser levada a sério, merece apanhar, merece ser estuprada. Homem, ao contrário, quanto mais sexualmente ativo, mais é louvado. Por que não estão falando do menino que estava com você, S.? Por que só você errou? Por que só o seu nome e só a sua foto foram divulgados pelas redes sociais?

Aposto que, quando você estava curtindo aquele momento que deveria ter sido tão legal e inesquecível (quem não tem uma história dessas pra contar, que atire a primeira pedra!), você nunca imaginou que esse seria o desfecho. Porque você nunca autorizou que sua vida fosse pública. E não deveria ter sido. Esse machismo, do qual você está sendo vítima hoje, faz muitas outras vítimas todos os dias. Eu também sou puta. Minhas amigas também. Somos todas donas de nós mesmas, e para esses idiotas que estão falando de você e compartilhando o vídeo, mulheres donas de si mesmas são putas.

Mas S., não desanime. Logo isso passa. Agora é que você vai ver quem são as pessoas com quem vale a pena conviver. Você não está sozinha. Estamos de mãos dadas com você.

Geórgia Martins Faust
Katyane Cristina
Renata Teixeira
Mônica Souza
Ana Claudia Schramm Moser
Cristiane Theiss Lopes
Carla Fernanda da Silva
Fran Schmitz
Rafaela Costa
Carolina Giordano Bergmann
Bruna Kloppel
Aline Cruz
Carol Mariano
Maria Emília
Ana C. Fernandes
Heike Weege
Ana Brow
Aline Cândido
Sally Satler
Hayuni Luiza Schramm
Camila Gebien
Tatiana Anlauf
Camila Michele
Ângela Carazzai
Thayla Walzburger Melo
Eloisa Cristina
Claudia Iara Vetter
Liane Kirsten Sasse
Philipe Ricardo Chiodini Müller
Olívia Camboim Romano Albio
Fabian Melchioretto
Carlos Alberto Silva
Greyce Yara de Boni
Gleica Reinert
Thayene Garcia
Isabela Sanson
Soraia Morgan
Leandro Costa
Movimento Negro de Blumenau Cisne Negro
Cia Carona de Teatro
Casa de Caridade Baiano Zé Pelintra
Casa de Caridade Caboclo Tupinambá
Ana Carolina da Costa
Urda Alice Klueger
Pepe Sedrez
Vanessa Cristina
Neusa Maria Bernardes
Lenilso Silva
Kariane Santos
Jaqueline Marquardt
Juliana Sedrez
Cleide Oliveira
Grupo LGBT Liberdade
Aline Alves de Freitas
Luciana de Bem Pacheco
Daiana Berti
Tairine Gabriela Pereira
Jéssica Pinheiro
Aline Fidélis
Aniele Almeida
Thays Bieberbach
Cyssa Seraphim
Ilze Zirbel
Greyce Boni
Marcelo Labes
Maila Satler
Sara Bohn Bornhausen
Maria Carolina Martini
Barbara Ferraz
Paula Angels
Guilherme Kxopa
Marcia Edite
Clarissa de Paula
Elaine Cristina Borges
Luiz Fernando Berri Wilhelm
Mariana D’Argenio
Jacqueline Samagaia
Carolina Souza
Marileia Schubert
Dária Martins
Carolina de Lima Adam
Grupo Feminista Mais que Amélias
Ligia Mariane Fraisleben Weber
Tulio Vidor
Raul Longo
Laís Hinsching
Ana Maria Bacca
Marcelo Granado Queiroz
Yanae Crepes Soares
Charles Steuck
Glaucia Juliana de Menezes
Ana Carla Faust
Christian Deschamps
Rubens Silva Junior
Felipe Costa
Ana Luisa Kuehn de Souza
Talita Oliveira
Stephanie Ribeiro
Bruna Coelho
Antonella Zanini
Bona Meiryelen Alves
Mabelle Soldadelli
Sônia Matos
Carla Nascimento
Marcos Fernando Passero
Patrick Santos
Aline Camila Kuehn
Elaine Cristina Borges
Dulceli Tonet Estacheski
Vânia Tanira Biavatti
Bruna Luíza Freiberger
Josi Rodrigues
Ligia Mariane Weber
Juliana Ferreira
Glaucia Sedrez Moraes
Célia Bernardes
P
ró-Reitoria FURB
Gicele Maria Cervi
Urda Alice Klueger
Carla Thaiane Guerreiro Venera
Ryana Gonçalves
Vinicius dos Santos de Oliveira
Luciana Alves de Andrade
Suelen Cipriani
Thayse Lopes
Alex Kessler Affonso
Jully Dark
Ana Teresa Carvalho
Cleide Oliveira
Noeli Zettel
Raul Schramm Filho
Marcel Gonçalves Pereira
Cezar da Cunha Tavares
Pedro Tatsch
Camila Romualdo
Lívia Espíndola Monte
Monique Stahnke

Coletivo Feminista Casa da Mãe Joana

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63 comentários sobre “Carta aberta a S. F.

  1. Não vi o vídeo, tampouco me interessa vê-lo. Não baixe a cabeça por fazer sua vontade, não deixe que te julguem. Para que a força pra essa superação não venha só de outras mulheres, dou meu total apoio!

    Se for feita a carta aberta, faço gosto em subscrevê-la.

    • Discordo, apoiar quem faz sexo em publico, ainda é incorreto.

      Querer fazer sexo é uma atitude normal, agora defender o ato com bandeiras de feminismo acho estranho pois nao tem nada a ver com a questão, é pura e simplesmente SEXO entre duas pessoas.

      O que raios tem a ver com Feminismo? ou para ser FEMINISTA é necessario fazer sexo em publico?

      Outra atitude que gera muita estranheza, é agora a guria transforma-se em vitima,
      acho que suas atitudes determinam quem ela é, bem como o cara que estava com ela.

      Fazer sexo em publico inflige os direitos de várias pessoas, sendo crianças, adultos, velhos ou qualquer pessoa que nao quer estar presente ou ver tal ato sexual em publico.

      Neste Blog se prega tanto os direitos de varios grupos, mas nao é levado em conta os direitos já garantidos de outros, então por favor nao entre em contradição ou seja hipócrita quando da defesa da Bandeira Feminista para nao perder sua credibilidade.

      Aparentemente a Guria e o Guri não estava sendo coagidos,
      fizeram por que quiseram, então arquem com as consequências.

      Agora estão sendo perseguidos, processados, punidos, estão com vergonha, e sao considerados vitimas???

      Desculpe, vitimas? Será que as vitimas não seriam as pessoas que presenciaram os fatos e ficaram estarrecidas com tal comportamento em uma faculdade?

      Vitimas, nem ela e muito menos ele com certeza não são, se forem são da sua própria e livre vontade.

      Sobre o video , nao concordo com a divulgação, no minimo a atitude é desprezível,
      mas se voce verificar alguns artigos seus anteriores,
      voce mesmo afirma que apoia esta atitude e cada um faz o que quer com seu corpo,
      seguindo teu raciocinio qualquer pessoa pode fazer a mesma coisa em qualquer lugar e a qualquer hora e esta tudo certo.

      Então teremos mais casos ou como voce diz vitimas.

      Mas por favor seja coerente quando afirmar a ligação com movimento feminista.

      Já pensou se a moda pega, nas salas de aula, os motéis deixaram de existir!!!!

      • Isso tem TUDO a ver com feminismo.
        O ponto da carta toda nem foi se o que ela fez estava errado ou não. É óbvio que é errado, que é proibido, que é fora da lei. A GRANDE questão que eu tentei levantar, e pelo jeito sem sucesso, é o fato de que em situações como essa sempre, sempre, sempre a mulher é responsabilizada e punida. Todos sabem quem é essa menina, o nome dela, onde estuda, onde mora. E o nome do menino, ninguém. Entende? Não é sintomático isso? Que as culpadas sejamos sempre nós?

  2. eu assino e espero que a hipocrisia se reduza a pó. a transgressão está em todos nós, mas o Outro que aponta não se julga transgressor. é muita hipocrisia.

  3. não moro em Blumenau, não vi nem quero ver,mas apoio a carta e a discussão.só acho que deveriam perguntar p/ a garota se ela quer que discutam. tb. assino a carta.

    • Não, não pode.
      Comentários misóginos, ignorantes, imbecilóides, machistas não passarão.
      Crie um blog pra você e vá espalhar suas ideias de ódio entre seus amiguinhos.
      Isso aqui NÃO É UMA DEMOCRACIA.

  4. Entendi perfeitamente o texto, porém não posso concordar que um termo pejorativo seja comparado a causa e as conquistas das mulheres ao longo da história.

  5. Já disse a blogueira, longe de mim querer apoiar e ou condenar a moça, nem a conheço, porém Sartre ja dizia, que as nossas escolhas levam as nossas angustias.

    Enfim a angustia neste momento não é outra coisa senão fruto de uma escolha.

    • Existe aqui algumas questões que merecem reflexão:

      É certo que o casal agiu inadequadamente ao escolher um lugar público para uma relação íntima; é certo que aqueles que filmaram e divulgaram o vídeo publicamente agiram com total falta de humanidade. No entanto, ainda mais certa e infeliz é a reação das pessoas à situação, compartilhando as imagens por puro lazer, fazendo acusações, vestindo-se de juízes do outro ao invés de julgarem seus próprios atos. Isso demonstra que ainda estamos vivendo como selvagens, que se comprazem do sofrimento de seu igual e usam esse sofrimento para diminuir o outro numa forma de se sentir superior.

  6. Estou com vc querida! Fico com pena da humanidade e sua falta de educação e de ocupação, se tivessem alguma coisa pra fazer não ficariam se metendo na vida dos outros. Abraços

  7. Angústias em relação a nossas escolhas é uma coisa, outra é um contexto sociológico repressor, inviabilizante. Leia mais Sartre!

    Meu total apoio,

    Carolina Souza de Carvalho

  8. “As nossas escolhas levam as nossas angustias.” Pois bem, Luis Carlos Machado, você escolheu vir até este blog, ler tudo o que está escrito aqui e se irritar com o que viu. Você se angustiou sozinho e porque quis. Aproveite bem os ensinamentos de Sartre! E não esqueça… “Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação.”

    • Querida… Não pretendo ir nem longe nem perto, não tenho ambição nenhuma, então tua “ameaça” não me faz nem cócegas!

      Esse post é uma carta PRA ELA, de apoio À ELA, para que ELA se sinta menos lixo e possa voltar a ter uma vida normal, consiga sair de casa, possa cogitar a hipótese de voltar a estudar. Então não, eu não vou aprovar teu comentário anterior, eu não quero gente como você aqui pra reforçar o que ela já tem lido nas redes e ouvido nas ruas.

      Sério, isso é um desserviço. Leia bem o post: em nenhum momento eu coloquei o assunto em debate. Não me interessa quem tem opinião contrária, não quero ouvir “o outro lado”. Quero acolher a menina. Ponto.

      E digo mais: o blog É MEU. Meu blog é um espaço pessoal todinho meu e eu tenho total autonomia de permitir apenas publicações que eu acredite ser legítimas pra seja lá qual causa eu esteja defendendo. Se você quer exercer seu direito de cidadã de expressar sua opinião, te dou TOTAL LIBERDADE de abrir um blog só pra você e divulgar suas ideias de puritanismo e comportamento ideal para mulheres. Tente também pra ver se voc~ê talvez “vá longe”. Pode deixr: no seu próprio blog, eu não vou te censurar e nem vou te denunciar e muito menos vou lá te encher o saco. Respeito o teu direito de se expressar.

      Beijos!

      • Bom dia!

        Recentemente percebi interesse de minha filha pelo seu blog e comecei a ler também,
        creio que por vezes seus comentários sao felizes e pertinentes e com alguns acertos mas,
        por exemplo a garota em questão fez SEXO EM PUBLICO, até onde entendo é crime,
        independentemente de sexo, credo raça ou cor.

        Consecutivamente a lei se aplica, e também suas consequências, como o fato ocorreu em ambito publico e nao privado esta garota deveria, mas nao o fez, pensar nas consequências de seus atos e dos demais que estavam no recinto.

        Agora divulgar estas imagens esta errado, nao concordo.

        Mas acho mais estarrecedor as tuas palavras quando voce escreve que ela nao autorizou as imagens,
        que estava curtindo um momento legal e que ninguém imaginava o desfecho da historia.

        Fico imaginando como e apoiar esta questão, se pensarmos assim um ato sexual pode ser feito,
        na biblioteca, na universidade, na escola, no ônibus, na praça, hora pois então por que os filmes pornos sao de censura 18 anos e por que sexo em publico é considerado crime.

        Mas pelo que pude observar se qualquer pessoa apresentar argumentos racionais ou éticos nao sera ouvido.

        De qualquer forma sugiro que antes de apoiar qualquer situação neste sentido pense,
        mesmo porque esta atitude lhe contraria em outros textos por voce escrito.

        Grato pela atenção,

        Flavia Alvarenga da Silva Mendes

      • Obrigada pelo feedback, Flavia!
        Mas o ponto da carta toda nem foi se o que ela fez estava errado ou não. É óbvio que é errado. A GRANDE questão, para mim, é o fato de que em situações como essa sempre, sempre, sempre a mulher é responsabilizada e punida. Todos sabem quem é essa menina, o nome dela, onde estuda, onde mora. E o nome do menino, ninguém. Sabe? Não é sintomático isso? Que a culpada sejamos sempre nós?
        E quando eu falei que ela estava “curtindo um momento legal”, quis descrever o que ela achou no momento, mas não que minha opinião é a de que fazer sexo oral em biblioteca seja “um momento legal”. A guria estava pensando em se divertir, transgredir alguma regra (quem de nós nunca fez sexo em algum lugar ~proibido~? se não fez, está perdendo), se aventurar de alguma forma. Certamente não estava pensando em virar alvo único de chacota na universidade inteira. A reação ao ocorrido obviamente foi desproporcional à trangressão dela. E uma reação direcionada SÓ a ela, né. O menino não estava lá? Não consentiu? Talvez até foi ideia dele, aliás.

  9. É muito importante que S.F. receba também apoio masculino para que não imagine que só existam homens idiotas ou incapazes de compreender as naturalidades. Nem todos os homens são irracionais hipócritas, como provavelmente ocorra até mesmo entre algumas colegas femininas da S.F.; Só o que as difere de seus semelhantes masculinos é que talvez não usem essas imagens para alimentar suas frustrações. Talvez… Provavelmente não sejam poucas as que invejem S.F. Já a irracionalidade e hipocrisia de seus colegas masculino, pode estar certa. São todas plenas de frustração e S.F. não pode nem deve permitir que a mesquinhez de seus colegas lhe apequene a vida. Continue amando e continue estimulando e usufruindo de seus prazeres. Esta é a melhor resposta a estes pobres infelizes e frustrados hipócritas animalescos.

  10. Olá! Não se pisoteia assim o coração de ninguém. Não se pode transformar alguém em motivo de execração por conta de uma invasão ao seu momento. Era público o lugar? Mas o momento e as ações, a afetividade e a intimidade não o eram. Eram pessoais, particulares, e deviam ser respeitados. E a repercussão está para além do previsível, por conta de uma carga enorme de hipocrisia da sociedade, sempre atenta a execrar e punir, ainda mais a quem tem prazer. A sociedade não suporta o prazer e a felicidade alheias, e as mulheres são vítimas preferenciais deste processo maldoso e nefasto, talvez pela tamanha capacidade que elas tem de dar e receber amor e prazer. Quero deixar minha solidariedade aqui marcada. Se puder, inclua meu nome! Obrigado

  11. E digo mais: o blog É MEU. Meu blog é um espaço pessoal todinho meu e eu tenho total autonomia de permitir apenas publicações que eu acredite ser legítimas pra seja lá qual causa eu esteja defendendo.

    Apoiada…

    Assino em baixo… É fácil julgar os erros dos outros…

  12. Parabéns pelo texto.
    Vivemos em uma sociedade machista, que ainda julga mulheres de forma diferente que os homens.
    Patético é a perseguição que fizeram questão de fazer com a garota, mais ainda é ver mulheres fazendo isso… compartilhando e julgando a garota como puta, por ter tido um descuido, ou um mal julgamento de ter um momento intimo com seu namorado achando que ninguém veria… Patético a vida dela atual ser estragada por um erro minimo… e ele continuar a vida dele normalmente, provavelmente sendo elogiado por ser “pegador”

    Nada define melhor a sociedade brasileira machista de hoje.
    Patéticos

    Assino a carta

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