Ponta de Pedras – Alenquer

No último dia de 2013, o lugar escolhido para passear foi Ponta de Pedras. Uma praia linda, um pouco antes de Alter do Chão, mas menos turística – ou seja, mais deserta. O lugar se chama assim porque realmente tem um costãozinho, o que faz lembrar um pouco as praias de mar. Fomos eu, mãe, namorado dela e nossa anfitriã, Néia. E realmente: é lindo. Como o rio estava em altura “intermediária” (já expliquei o que é inverno e verão na Amazônia, se liga aí), formam-se piscinas por todos os lados. Uma paisagem fantástica, de piscininhas, areia, piscininhas, areia…

IMG_1584

Depois de passear pelas areias e piscininhas, fomos almoçar num dos restaurantes na beira da praia. No cardápio: peixe, peixe, peixe e mais uns dez tipos de peixe. Fiquei na salada, mas não sem antes experimentar o tal do chopão. Chopão nada mais é em Santarém do que o nosso geladinho, só que bem mais grosso. Escolhi o de tapioca (por uma vida regada a tapioca, minha deusa!), e foi simplesmente delicioso! Depois, raspei a salada que acompanhava o peixe dos outros e vi uma rede disponível onde fui tirar um cochilo.

IMG_1536

Só para depois descobrir que o restaurante disponibiliza os ganchos mas não as redes, ou seja: desavisadamente deitei em rede alheia. Logo percebi que uma família enorme se amontou nas mesas ao redor da minha rede. Ignorei e continuei dormindo. Depois a Néia me falou que a rede provavelmente era deles. Oops!

No final da tarde fui passear pela orla e aproveitei para conhecer o Mercadão 2000, em busca de frutas exóticas. Estava vazio… Tinha só umas barraquinhas com as “mandingas” amazônicas, tipo cascas de árvore cura câncer e um milhão de tipos diferentes de xarope para tosse. Como minha viagem ainda tinha longas jornadas pela frente, não quis acumular bagagem tão cedo e não comprei nada. E me arrependi pra caramba, porque acontecimentos diversos me impediram de trazer toda essa bruxaria indígena pra Blumenau.

A noite de reveillon foi muito legal. Jantei um X-qualquer-coisa-sem-carne (a essa altura eu já tinha aberto mão do veganismo em nome da sobrevivência, mas mantive a dieta ovolactovegetariana) numa barraquinha de rua sozinha porque minha mãe sumiu. Porém, isso não me incomoda nem um pouco porque nutro apego zero por convenções sociais onde família tem que estar reunida. Me “arumei” (o que pra mim significa tomar banho + botar roupa) e fomos para a beira-rio assistir o GRANDIOSÍSSIMO SHOW DE FORRÓ. Que foi, claro, ótimo, lindo, muito massa. Eu já falei que adoro música onde as pessoas berram, não importa o tipo de música? Sim, mesmo que isso inclua Bruno e Marrone. Eu gosto de música com emossaum. Procurei feito louca a música que abriu o show mas não encontrei, o que prova que a internet mainstream NÃO SABE NADA do que tá rolando nesse país. A música era ótima. 🙂

IMG_1583

Depois da virada e os 15 minutos de fogos, bem lindos, começou a tocar samba. Mas samba mesmo, de escola de samba. Daí brochei, não fui para o norte para me sentir no Rio (Rio, te amo, só que essa não era a intenção) então fui dormir.

(Observação importante enquanto escrevo esse post encharcada em suor: em nenhum dia, em nenhum momento, em nenhum lugar que estive, tanto no Pará quando no Amazonas, eu senti o calor que sinto em Blumenau. Sim, Blumenau, aquela cidade onde NEVOU há alguns meses. Faz quase duas semanas que o calor está simplesmente insuportável – e é um calor diferente, com um grau extra de insuportabilidade.)

Teve uma coisa interessante que percebi em Santarém que é o jeito de os “nativos” mais roots se cumprimentarem. Eles dão as mãos, daí um beija a mão do outro. Como se fosse um pedido de “bença” recíproco, sabe? Pessoas pra quem contei isso disseram fui que anti-higiênico, mas eu só achei fofo.

No primeiro dia do ano fizemos uma coisa M-U-I-T-O interessante, que foi ir de lancha até o município de Alenquer – duas horas de lancha. Já começou legal porque precisamos usar a Hidroviária. Gente. Uma Hidroviária!

hidroviaria

Dali saem o que eles chamam de lanchas, mas não era bem o que eu conhecia como lancha. Vai bem mais rápido que um barco normal e dentro é igual um ônibus.

hidroviario_1

Com ar condicionado e tudo!

Mas eu tava viajando pelo Amazonas, cê acha mesmo que eu ia ficar trancada ali dentro no ar condicionado e perder a vista do rio e da Amazônia? Cê jura?

IMG_1576

Oi, essa sou eu, com esse encantamento infinito que me acompanhou. Tem umas mil fotos minhas com essa mesma cara, em posições diferentes, porque afinal, foram quatro horas no barco (ida+volta). E depois de duas horas, chegamos na hidroviária:

IMG_1564

Chegando em Alenquer, nenhuma surpresa. Uma cidade pequena, num dia bem mais quente do que o normal. Mas é interessante caminhar pelas ruas das cidades pequenas e observar as pessoas, e ouvir o que elas falam, e ouvir o que elas ouvem… E ver o estilinho das casas, e os cachorros (sempre magros lá no norte) e as crianças empinando pipa. Tipo essa casinha aqui, olha que fofa!

IMG_1579

Onde comer, onde comer? Era 01 de dezembro, tudo fechado. Pedimos informações para alguns moradores e eles nos indicaram o Restaurante Inconfundível, do Cheef Rildo (sic). E qual não foi a surpresa… Além de uma cachorrinha lind que ele recém tinha adotado, várias galinhas correndo soltas no quintal, mesinhas e cadeiras de balanço e o delicioso guaraná Baré:

IMG_1553

E surpreendentemente, foi o primeiro lugar que eu fui em toda a viagem que entendeu o conceito de veganismo e onde comi praticamente perfeito. O Chef fez especialmente pra mim:

IMG_1554

O que dizer da banana frita lá no norte, hein? Alguns me disseram que não é a banana da terra que eu conheci em Vitória-ES ano passado. Que essa banana é OUTRA. Fritinha assim ela não derrete, fica bem consistente, durinha mesmo, e substitui tranquilamente qualquer bife.

Naquele calor, mãe e namorado não quiseram subir a pirambeira pra ver o mirante da cidade, mas eu fui. Porque olhar o Amazonas não cansa.

IMG_1555

IMG_1556

Descendo do mirante fui caminhar pelo centrinho e achei a cidade lindinha, limpa, toda fofa. A praça central, com a igreja e o coreto, especialmente bonitos. Tudo pintadinho em verde e amarelo, um amor!

IMG_1562

IMG_1561

A noite fomos jantar no Massabor (de novo!), o restaurante do trapiche em Santarém. Porque a comida lá era simplesmente deliciosa e muito, mas muito barata. Pizza ótima – tive que ensinar os garçons que pizza se come COM maionese, desculpa aí.

E essa foi a minha despedida de Santarém, porque no dia seguinte de manhã… Lá iria eu de barco para Manaus!!!!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s