Santarém – Alter do Chão

Santarém é aquela cidade linda, diferente, gostosa, com ventinho, com uma beira rio que mais parece beira mar.

Santarém me conquistou de cem maneiras diferentes. É uma cidade um pouco maior do que Blumenau (em número de habitantes e imagino que em território também – aliás, em território deve ser milhões de vezes maior – sabia que o Amazonas INTEIRO tem só 62 municípios enquanto Santa Catarina tem 295?), porém com uma carinha de cidade do interior, uma gostosura por todos os lados, nas pessoas, no sotaque, no jeito que eles levam a vida…

No dia 27 de manhã MUITO cedo saí para correr pela orla e achei uma delícia todas aquelas pessoas se movimentando de manhã cedo.

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Muitas gentes fazendo atividade física, caminhando mas muito mais gentes se arrumando para ir para algum lugar de barco. Barco lá é como carro. Tem muita loja na Beira-Rio que vende para quem está abastecendo os barcos que vão, por sua vez, abastecer os mercadinhos de outras cidades, então vendem tudo em fardos. Inclusive roupas. Você compra um fardo de roupas sem saber o que tem dentro, por uma mixaria, e vem de tudo – roupas de adultos, crianças, íntimas…

Por toda a orla, ambulantes vendendo café da manhã. E eu, sem carregar dinheiro, não pude provar nenhum. Mingau, principalmente – de tapioca, de banana – em panelas enormes, e café. Aparentemente lá eles só tomam café de manhã mesmo – sempre com leite, sempre muito adoçado. Senti dificuldade em encontrar café nas lanchonetes depois do horário do almoço. E muita banana. Gente, muita banana. Muita mesmo!

Durante o dia minha mãe e o namorado não estavam se sentindo muito bem e passaram a tarde no hotel, e eu fui bater perna pelo centro. A rua principal é calçadão (quando é que Blumenau vai fechar a rua XV, hein?), e o que reina por lá são as lojas populares. Tem um milhão de lojas estilo tudo por R$ 10,00 e de repente no meio de tudo aquilo… Uma Hering. Totalmente fora da identidade visual do lugar. Também pelo centro, muitas barraquinhas que parecem de camelô, vendendo de tudo. Comidas, redes, capinhas para celular. O mercado informal é enorme lá. Dá a impressão que todo mundo vive disso – de atravessar coisas, comprar de um lugar pra vender em outro.

Fui numa lojinha de produtos “típicos”, chamada Muiraquitã, cheio de badulaques e artefatos indígenas que quase me deixou louca. Tudo muito barato, em Santarém achei tudo barato demais. A noitinha fui num bar bem delícia no trapiche chamado Massabor e experimentei a melhor bebida da viagem: suco de taperebá (cajá).

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Uma delícia. Lembra um pouco manga. Mas muito melhor.

A noite encontrei com um amigo, andamos pela orla de novo (sério, não se cansa de andar por aquela orla), e experimentei o segundo ponto alto culinário: Tacacá.

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Tacacá é uma coisa fantástica. Que ninguém gostou (nem mãe nem namorado dela), só eu. Mas gostei por nõs três. É feito com um caldo fino e bem temperado (tucupi) colocado por cima da goma de tapioca, mais camarão seco e jambu. O meu, claro, sem camarão. Tanto o tucupi e a tapioca (da qual se prepara a goma), são derivados da mandioca. Essa goma aí não é o que nós aqui conhecemos. É uma geleca (lembra da geleca que a gente brincava quando criança?) que pelo que entendi é feita cozinhando farinha de tapioca na água – um mingau bem mais espesso. E o que falar do jambu, aquelas folhas escuras que aparecem na foto? Eita folhinha fantástica, que adormece a boca e dá uma sensação indescritível… Amei muito.

No dia seguinte, dia 28, fomos para a famosa Alter do Chão. Famosa mesmo. Não entendo como ninguém tá ligado desse lugar aqui pro sul. Como é que eu nunca tinha ouvido falar? O jornal The Guardian inclusive elegeu (sei lá como foi feita essa eleição, se quiser saber pesquise) Alter como a primeira das dez praias mais bonitas do Brasil (entre praias tanto de água doce quanto salgada) e a praia de água doce mais bonita DO MUNDO. Eu acredito.

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Fica tipo a meia hora de carro de Santarém. Chegando lá tem um centrinho lindo, fofo, que me lembrou um pouco Paraty. E uma praça cercada de restaurantezinhos. Para chegar na ilha, tem que pegar um barquinho que custa R$ 4,00. Isso porque agora é inverno lá (inverno = época de chuvas), então o rio está subindo. No verão, com as águas mais baixas, dá para atravessar a pé. VALE INFORMAR QUE… O verão na Amazônia começa em agosto e vai até dezembro, sendo os meses de setembro e outubro os mais quentes do ano, quando as temperaturas facilmente ultrapassam os 40 graus. O inverno, que vai de janeiro a maio, tem os meses de fevereiro e março como os mais chuvosos. A temperatura, embora um pouco mais amena, ainda fica por volta dos 32 graus.

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Passamos o dia sentados nas mesinhas na beira do Tapajós e eu espertamente decidi não passar protetor solar pra ver se eliminava as marcas brancas de top e shorts. Sapequei de um jeito cruel que me fez sofrer bastante nos dias seguintes. A água é uma delícia, temperatura perfeita, o atendimento é meia boca (óbvio, praia cheia, o que você esperava?) e o pôr-do-sol simplesmente magnífico. Pra mim, ali em Alter, a viagem já tinha valido a pena.

No dia 29 pegamos um passeio de barco para ver o Encontro das Águas.  Emocionante, claro, já falei no outro post sobre a minha obsessão pelos rios da Amazônia.

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Além de ir até onde o Amazonas encontra o Tapajós, esse passeio também dava umas voltas em Igarapé Açú, uma localidade que pertence a Santarém. A cada cinco minutos de barco podíamos ver uma casinha de madeira erguida sobre palafitas. E, em todas elas, um cachorro. E aves, muitas aves. Eu que nunca fui muito encarnada em fazer observação de pássaros (ornitologia?) mas quem curte ia ficar malucão lá. Fiquei mais vidrada mesmo em observar os cachorros, acompanhando os donos nos barquinhos ou nadando no rio ou simplesmente deitados esperando o dono voltar da cidade.

Mas nada, nada, nada me deixou mais de cara nese passeio do que quando paramos em um posto de gasolina flutuante. Com jardinzinho e loja de conveniência e tudo!!!

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Um amigo me disse que por lá cada um se identifica com um rio e o escolhe pra si. Algo como escolher seu santo padroeiro ou seu animal preferido. Eu não conheço todos os rios da região, mas já sei que meu <3, depois de tudo o que aconteceu, pertence ao Tapajós.

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