Sobre o meu separatismo, aquele que é meu e de mais ninguém.

Eu nem sei se eu deveria falar sobre isso por aqui, já que tenho uma pequena noção do quanto isso vai despertar o horror em muitas pessoas, que tentarão arduamente me convencer da minha loucura, dizer que estou entendendo tudo errado e afirmar que nem todo homem é assim. Ah, esqueci: e que vão me chamar de hipócrita (usando várias palavras diferentes significando exatamente isso: hipócrita) porque eu não sigo a minha própria regra a ferro e fogo (porque ainda me rrelaciono sexual e afetivamente com homens).

Então é isso. Eu não vou puxar teóricas radicais feministas da gaveta porque não me importa nesse EXATO momento o que elas falam, e provavelmente porque nesse exato momento eu não vou nem concordar com boa parte do que elas falam. Eu só posso falar do meu lugar, do lugar que eu estou construindo, a partir daquilo que sinto e experiencio no meu dia-a-dia. Que possivelmente será diametralmente oposto do seu lugar, que você construiu com um sem-número de experiências que viveu e foram totalmente diferentes das minhas experiências.

Eu aprendi a não me arrepender de todas as merdas que fiz no passado quando percebi que a Geórgia de hoje também é resultado das merdas. Eu aprendi a perdoar os erros da minha mãe quando me dei conta que a Geórgia de hoje também é produto desses erros. E meu, se eu gosto tanto dessa Geórgia que eu conheço, eu só tenho a agradecer todas as experiências – tenham sido elas boas ou de merda. E o que eu sinto hoje e os objetivos que eu tenho a partir dessa perspectiva de hoje também são resultados do meu microcosmos e de alguns perrengues que passei e algumas conclusões que tirei.

Mais ou menos é essa a introdução. A minha fórmula de sucesso não vai ser sucesso pra mais ninguém além de mim – até porque minha ideia do que constitui sucesso provavelmente é diferente da sua. E a minha receita de fracasso também não vai funcionar da mesma forma para você. É tão óbvio, mas tão óbvio, mas eu ainda assim me sinto na obrigação de explicar, para evitar aquele comentário de sempre.

Eu tenho sentido, de verdade, e talvez isso seja nóia minha (eu sempre levo a sério a possibilidade de eu simplesmente estar louca) de que várias formas de opressão, reais ou simbólicas, acontecem quando estou perto de homens. Homens, aqueles homens clássicos, os namorados dazamiga, os pais dazamiga, o zelador do meu prédio, o aluno. Eu me sinto constantemente silenciada, desprestigiada, desvalorizada. CONSTANTEMENTE.

Sendo assim, eu tenho tentado reduzir ao mínimo possível o meu convívio com homens. Isso coincidiu com o fato de eu ter caído no papo da sororidade.

Meu feminismo de boutique e que eu de fato consigo fazer no meu dia-a-dia é o feminismo do empoderamento. É o que tenho conseguido. As minhas transgressões são essas: ser balzaca, solteirona, pedalar de vestido, morar sozinha. E sinto que fica mais difícil para mim me sentir empoderada e empoderar em ambientes mistos. Me sinto, hoje, mais a vontade entre mulheres.

Então, ainda não sei teoricamente o que isso significa, só sei que na minha prática, que é só minha e de mais ninguém, isso tá sendo super bonito e legal de vivenciar. Tenho amado muito e me sentido muito amada.

E ainda assim, nessa escolha tão pessoal e que não interfere praticamente em nada na vida de ninguém exceto eu mesma, consigo ofender algumas pessoas que simplesmente não aceitam. Não sei, sabe, talvez seja devaneio meu, mas eu sinto que tenho o direito de estar somente em ambientes onde me sinta acolhida, confortável e livre para me expressar e ser eu mesma. Se esse ambiente for no meio do mato, ou entre gatos, ou num shopping, ou conversando pelada ou conversando de burka, serião, me deixa.

Porque eu quero empoderamento e amor, e não invisibilidade e violência. E se tem alguém no mundo que sabe o que me empodera e me “visibiliza”, esse alguém sou eu. Já cansei de tretar por um direito que considero praticamente fundamental.

“Ah, Geórgia, mas tem homem legal.” Aham, tem. Conheço, um ou dois. Mas justamente por eu não ter como avaliar todos os homens do mundo não advogo (ainda) pelo extermínio de todos (mas sei que todos são, potencialmente, agressores), Só quero paz, e a chance de ter essa paz aumenta conforme minha assimilação diminui. Se o nome disso que eu to sentindo e fazendo não é separatismo, se separatismo TEM que ser lésbico, não sei. Talvez eu não seja separatista então. Mas tento me separar. O que eu quero não tem nome.

(E eu fico pensando, trazendo de volta o papo da sororidade, se será que todas as meninas que dizem ah, mas eu sempre tive bem mais amigos homens não são justamente vítimas dessa cultura que nos ensina, desde sempre, que mulheres são concorrentes, inimigas.)

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2 comentários sobre “Sobre o meu separatismo, aquele que é meu e de mais ninguém.

  1. Conheço bem isso! É aquele momento em que a sensibilidade fala mais alto. Concordo com você, nenhum homem tem a sensibilidade e a forma de expressão das mulheres. Nem mesmo os mais afeminados, rsrs.

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