“O dia mais triste da minha vida foi na escola.”

Ontem passei a noite e boa parte da madrugada com meu tipo de gente preferido: adolescentes. Sim, eu sei que andei falando mal deles AQUI, mas já passou. Gosto desses seres misteriosos e bipolares, gosto de vê-los crescendo e se desenvolvendo e mudando de idéias e errando e acertando e decidindo e des-decidindo. Acho lindo, e divertido, e uma experiência quase divina estar ao lado deles, de mãos dadas, ou empurrando, ou liderando, ou seguindo.

E em determinada hora chegamos àquele momento fantástico das reuniões adolescentes: o jogo da verdade. Ok, o segundo momento mais fantástico, perde pra música lenta no final da festa, mas não se faz mais isso nos anos 2000, né?

Minha surpresa… Não, não foi surpresa, foi só tristeza. Minha tristeza foi perceber que a maioria das nossas crianças (até os dezoito anos pra mim é criança SIM) vivem os piores momentos de suas vidas na escola. Eu já havia ouvido relatos semelhantes, mas por parte de pessoas mais distantes de mim, sem rosto, sem nome, figurantes em documentários ou em materiais didáticos anti-bullying. O que ouvi ontem veio de crianças reais, cujos nomes eu sei, cujos pais e professores eu conheço, e partiu meu coração.

Eu não vou contar detalhes das histórias que ouvi porque mesmo que eu não esteja citando nomes não desejo constranger ninguém. Mas as três perguntas que foram respondidas e que tiveram a escola como local em comum foram qual foi a situação mais constrangedora que você já tevequal foi a coisa mais triste que já aconteceu na sua vida e qual foi o pior sentimento que você já teve com relação a alguém.

E então eu fiquei lembrando de todos os idiotas que hoje repetem que bullying é invenção da cabeça dos psicopedagogos, porque também me zoavam na escola e olha só como eu sou normal. Então das duas uma: ou não, você não é tão normal assim (e aliás, defina normalidade, né?) ou você estava do outro lado da equação, praticando bullying. Eu fico sempre abismada com a falta de empatia das pessoas, de refletir sobre como outros podem se sentir em determinados contextos, e especialmente quando esse outro é uma criança, essa pessoa-humana ainda em formação.

Se hoje, mulher feita, adulta, auto-suficiente, independente, se HOJE eu fosse submetida a essa tortura cruel que é o ambiente escolar para algumas pessoas, realmente não sei como reagiria e que tipo de efeitos isso teria na minha cabeça e na minha vida. Isso eu. A person who knows better. Então eu não aceito que se minimize o trabalho com relação ao bullying e subestimem os efeitos que ele causa na cabeça dos nossos futuros-adultos. Infelizmente, hoje na escola o trabalho contra o bullying basicamente se resume a esperar-algo-acontecer e então repreender (claro, imagino que em algumas instituições deva existir um trabalho sólido e constante, mas isso não é geral).

Vim aqui dizer que hoje é um dia triste pra mim. E não sei se isso que eles passaram melhora com o tempo, não.

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