Self-indulgence.

Procurei feito doida significados para auto-indulgência, em português mesmo, para falar a respeito e não encontrei. Apenas textos falando sobre perdão cristão. Lembro vagamente de ter aprendido sobre a venda de indulgências que foi um dos motivos que levou Martinho Lutero a pregar as 95 teses na porta de uma igreja e dar início a Reforma que levou a Contra-Reforma etc etc etc. Só que não era sobre a Santa Inquisição que eu queria falar.

Era sobre self-indulgence mesmo. Sobre the act or an instance of allowing yourself to have or do things you enjoy very much but which are not essential (o ato ou instância de se permitir ter ou fazer coisas que você gosta muito mas que não são essenciais). Só achei em inglês.

E eu ando vivendo em self-indulgence ultimamente. Presenteando a mim mesma com comidas proibidas ou tardes de folga ou momentos de lazer em horas não-adequadas.

Mas peraê, porque raios eu automaticamente acho que tudo que eu faço para mim é auto-indulgência? Eu só penso isso porque me sinto culpada por me agradar. E viver com culpa é uma merda, né. Pessoas normais trabalham 8 horas por dia e descansam nas horas que restam. E namoram. E vão pra festinhas com os amigos. E assistem um filme. Eu não. Não existia um momento do meu dia em que eu sentava na frente da TV pra fazer N-A-D-A. Ou que eu saía no meio da tarde para tomar um café com uma amiga e jogar conversa fora. Era trabalho-treino-trabalho-cama. Nem no horário de almoço eu sentava pra comer, tomava meu shake trabalhando. Durante a análise por muito tempo ela tentou me convencer que não faz mal nenhum eu não fazer nada em alguns momentos. Acho que acabou desistindo.

E de uns tempos para cá tenho me dado esses luxos. Só não consigo aproveitá-los. Tentar ser uma pessoa “normal” ainda me traz muita culpa. Sim, eu ainda trabalho alucinadamente e faço mil coisas ao mesmo tempo, e sigo com mil projetos, e sou mãe de família. Mas ando me dando alguns luxos, como duas tardes livres por semana (que eu acabo usando para preparar aulas e cuidar da casa, mas já é melhor do que prepará-las tarde da noite e deixar a casa um lixo), comer porcarias, passar mais tempo de qualidade com os gatos e etc. Só não consegui ainda jogar video-game, porque sempre penso no tempo precioso que vou perder jogando enquanto poderia estar estudando. E MEU DEUS EU AMO VIDEO-GAME. Não jogo por culpa. Vê se pode.

Quando eu pensei no tema para o próximo post (que agora é ESSE post) quis falar sobre self-indulgence justamente porque a culpa estava me consumindo naquele momento. Eu só não via como culpa. Eu queria falar sobre o quanto eu precisava me livar de tantos mimos para eu mesma. E queria dissecar esse mecanismo que faz a gente se ocupar tanto de coisas não-essenciais, pra ver se eu voltava a ser focada e dedicada só a coisas que importam. Só que agora, enquanto escrevo, penso: será que o não-essencial realmente não é essencial?

Minha PRIMEIRA psicóloga a uns 15 anos atrás já tinha me dito que primeiro eu preciso arrumar dentro de mim pra depois arrumar a minha casa pra depois arrumar o mundo. Ter preguiça, dormir até mais tarde, jogar video-game, assistir novela, são formas de estar bem por dentro?

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