Por que eu quero lecionar apenas para mulheres

De todas as minhas metas para 2014 (sim, elas já estão sendo elaboradas há tempos), a que eu mais tenho certeza a cada dia que passa, além de correr a minha primeira maratona, é a meta de lecionar apenas para mulheres.

Talvez esse seja um post generalizante, preconceituoso, sexista, misândrico. Chame como quiser. Mas existem algumas coisas que eu venho percebendo nesses 12 anos de sala de aula e que tem sido mais incômodas nos últimos tempos com relação a “personalidade” dos homens com quem tenho contato.

Sim, eu sei, personalidade não é natural, é cultural, é fruto de educação, tem homens legais e tem homens babacas assim como tem mulheres legais e mulheres babacas (apesar de eu ter mais paciência com uma mulher babaca do que com um homem babaca, mas isso não vem ao caso). E sim, somos produto desse caldeirão no qual estamos inseridos, somos fruto de toda a exposição à midia, de uma educação que também é sexista e o resultado é isso aí. E eu sei que em diversos espaços eu devo ser mais compreensiva e perceber essas nuances e blablablawhiskassachetblablabla.

Foda-se toda essa teoria, o que eu vejo na minha sala de aula são homens como pessoas extremamente resistentes ao aprendizado, com tolerância baixíssima para o fracasso, e com dificuldade extrema de aceitar a mim como autoridade pedagógica. Quando o aluno é homem, eu sinto constantemente que ele está duvidando de mim, ou achando tudo que eu faço e falo inútil ou sem graça. Talvez seja mesmo sexismo, talvez eles não se sintam bem com uma mulher mandando eles fazerem coisas e role uma insubordinação. Eles são os que mais não fazem a tarefa, são os que mais cancelam e desmarcam aulas, são os que mais não entram nas brincadeiras e, no final das contas, são os que mais desistem rapidamente do curso. Não consigo evitar de pensar que não é a toa que mulheres andam arrasando na vida acadêmica, mestrando mais e doutorando mais. Os mano não toleram um errinho e já se acham burros o suficiente a ponto de desistir!!!

Talvez eles tenham sido muito bem adestrados na escola, e por isso parece que não dão valor NENHUM a tudo aquilo que sai da rotina “gramática-quadro-caderno”. Olham para mim com aquela cara de você tá enchendo linguiça, né? Respondem a todas as perguntas monossilabicamente. Não se entregam, não se envolvem. Não consigo me conectar a eles. Dando aula para homens muito raramente consigo dar aquela risada gostosa de quem não está apenas trabalhando mas também se divertindo.

E depois de um certo tempo isso me desgasta muito. Porque, cê sabe, eu não faço isso só por dinheiro, eu faço porque gosto. Gosto de ENSINAR e de ver a pessoa aprendendo. E a maioria dos caras que chegam aqui parece que não querem aprender mesmo mesmo de verdade, sabe? Parece que vêm mais por obrigação, porque o chefe mandou, porque acham que o mercado exige. Daí acham tudo um saco e me largam no meio do semestre.

(Eu sei que tudo isso pode ser pura incompetência minha também, talvez EU é que não saiba me moldar ao meu público. Mas se for isso mesmo, na prática não muda nada. Quero dar aula só para mulheres.)

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5 comentários sobre “Por que eu quero lecionar apenas para mulheres

  1. Entendo o seu ponto de vista. Acredito que você teve péssimos alunos do sexo masculino e agora generaliza. Os melhores professores que tive foram mulheres, isso mesmo, professoras. Também tive muitos colegas que não queriam nada, do jeito que você citou no texto e também tive colegas muito esforçados. Os colegas são de ambos os sexos, mas infelizmente a maioria esmagadora de homens, pois sou da área de exatas.

      • Hahaha! Já estou aprendendo umas coisas no seu blog. Sou um “aluno à distância”. Eu estava lendo um livro hoje e tem um trecho que eu lembrei desta postagem: “estava farta de ter Jaime contrariando-a. Nunca ninguém contrariara o senhor seu pai. Quando Tywin Lannister falava, os homens obedeciam. Quando Cersei falava, sentiam-se livres para aconselhá-la, contradizê-la e até se recusarem a fazer o que ela queria. Tudo porque sou mulher. Porque não posso lutar com eles com uma espada. Tinham por Robert mais respeito do que têm por mim, e Robert era um bêbado desmiolado.”
        Realmente acho que algumas pessoas não aceitam uma mulher como superiora, seja uma chefe, uma rainha Cersei ou uma professora. Como não é o meu caso, eu não faço ideia se é algo tão frequente. Agora estou pensando nos pseudo estudantes que não respeitavam as professoras, se era porque eles eram chatos mesmo ou se porque ela era uma mulher.

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