Dead-end job

Tem uma “história” de uma experiência MUITO legal que eu assisti uma vez numa palestra do TED, e eu insisto em contá-la de novo e de novo e de novo para TODOS os meus alunos.

Foi uma experiência onde os pesquisadores deram Legos para as pessoas e pediram que construíssem com as peças. E para algumas pessoas, deram os Legos e disseram: “Ei, você gostaria de construir este boneco Bionicle por três dólares? Nós lhe pagamos três dólares por ele.” As pessoas diziam sim e construíam com os Legos. Quando terminavam, os pesquisadores pegavam o boneco e o colocavam debaixo da mesa, e diziam: “Você gostaria de construir mais um, desta vez por $2.70?” Se dissessem sim, davam um outro. E quando terminavam, perguntavam: “Você quer fazer mais um?” por $2.40, $2.10 e assim por diante, até o ponto em que as pessoas diziam: “Não mais. Não vale a pena para mim.”

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Isso era o que eles chamaram de condição significativa. As pessoas construíam um Bionicle depois do outro. Depois que terminavam cada um, eles o colocávamos debaixo da mesa. E diziam a elas que, no final da experiência, pegariam todos aqueles Bionicles, desmontariam, colocariam as peças de volta nas caixas e as usariam com o próximo participante.

Havia uma outra condição. Essa outra condição foi chamada condição de Sísifo. E espero que vocês lembrem da história de Sísifo: Sísifo foi condenado pelos deuses a empurrar a mesma rocha colina acima, e quando estava quase no topo, a rocha rolava para baixo, e ele teria que começar novamente. E essa é basicamente a essência de fazer um trabalho inútil. Se ele empurrasse a rocha sobre colinas diferentes, pelo menos teria alguma sensação de progresso. Há algo sobre essa versão cíclica de fazer algo repetidamente que parece ser especialmente desmotivador.

Assim, na segunda condição dessa experiência, foi exatamente o que foi feito. Perguntaram às pessoas: “Você gostaria de construir um Bionicle por três dólares?” Se dissessem sim, elas o faziam. Então perguntavam: “Você quer construir outro por $2.70?” Se dissessem sim, davam um outro, e, enquanto elas o estavam construindo, separavam aquele que elas tinham acabado de concluir. E quando terminavam, diziam: “Você gostaria de construir outro, desta vez por 30 centavos a menos?” E se dissessem sim, eles davam para a pessoa aquele mesmo que ela tinha acabado de montar, e que o pesquisador desmontaria na frente dela para montar novamente. Assim, esse era um ciclo sem fim em que eles construíam e nós destruíamos diante dos olhos deles.

Bem, o que acontece quando você compara essas duas condições? A primeira coisa que aconteceu foi que as pessoas construíram muito mais Bionicles — elas construíram 11 contra sete — na condição significativa contra a condição de Sísifo. E, a propósito, poderíamos destacar que isso não era tão significativo. As pessoas não estavam curando câncer ou construindo pontes. Estavam construindo Bionicles por uns trocados. E não apenas isso, todos sabiam que os Bionicles seriam destruídos logo depois. Assim, não havia uma oportunidade real de grande significação. Mas mesmo uma significância pequena fez diferença.

Houve uma outra parte dos dados que foi observada. Há pessoas que adoram Legos e pessoas que não gostam. E qualquer um pensaria que as pessoas que adoram Legos construiriam mais Legos, até mesmo por menos dinheiro, porque, afinal de contas, elas têm uma satisfação interna maior nisso. E as pessoas que gostam menos de Legos construiriam menos Legos porque a satisfação que obtêm nisso é menor. E isso foi o que realmente encontramos na condição significativa. Havia uma boa correlação entre amor por Lego e a quantidade de Legos que as pessoas construíram. O que aconteceu na condição de Sísifo? Nessa condição a correlação foi zero. Não havia relação entre o amor por Lego e quanto as pessoas construíram, o que sugere que, com essa manipulação de quebrar as coisas diante dos olhos das pessoas, basicamente esmagamos qualquer satisfação que pudessem ter dessa atividade.

E eu funciono bem assim. Não adianta pagar bem (e eu cobro relativamente bem pelo que faço) se eu não tiver satisfação no que estou fazendo, se eu não vir progresso. A minha felicidade nos meus mil empregos (cada aluno que eu tenho é um emprego) e a minha permanência em cada um desses empregos depende significativamente do que é feito com o Lego que eu monto a cada aula. Se for desmontado na minha frente, sorry, não tenho a menor vontade de montá-lo novamente.

Achei esse experimento tão fantástico e tão explicativo que precisei reproduzir aqui, tornar público.🙂

Se você quiser assistir a palestra, está aqui: Dan Ariely: What makes us feel good about our work?

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