Garota-Molico.

Esses dias eu estava voltando para casa meio triste com alguns acontecimentos e me peguei repensando a minha vida. Assim, casualmente, sem um bloco de anotações, sem uma lista de prós e contras, sem decidir mudar de direção. Só pensando.

Lembrei que antes de querer ser advogada (ah, a adolescência besta) porém depois de sonhar em ser empacotadora de presentes, eu quis ser exatamente o que eu sou hoje. Foi legal lembrar disso, legal e renovador. Durante um longo período da minha vida de criança (para uma criança, dias já são um longo período) eu assistia às propagandas do leite Molico e ficava ensaiando como eu ia ser quando fosse adulta.

Eu não lembro exatamente o teor das propagandas do Molico, mas lembro bem a forma que eu absorvia essa mensagem. O que entrava na minha cabeça era uma mulher independente, feliz, magrela, ativa, classe média, chegando em casa depois de praticar algum esporte ou acordando feliz. E nunca aparecia um homem nessas propagandas e eu achava o máximo que ela era feliz só por ter a vida que tinha. E acordava empolgada e fazia a sua vitamina e se arrumava para ir trabalhar e decidia tudo sozinha. Aquelas mulheres (imagino que tenham sido várias porque foram muitas propagandas) transpiravam uma liberdade que eu desejava muito pra minha vida adulta. E eu ensaiava pra isso mesmo, ficava na frente do espelho imaginando que eu era adulta, e era uma das mulheres-Molico.

Depois as propagandas mudaram, ou saíram do ar, e eu meio que deixei isso de lado, parei de sonhar com lifestyles e fui sonhar com profissões.

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Mas nesse dia, triste, assistindo a minha vida como se fosse um filme, lembrei que na minha despensa tem leite Molico. E que sempre que eu escolho o leite para comprar no mercado, vou no Molico porque lembro da propaganda, meio que reafirmando aquilo, sabe? E cheguei a conclusão que já estou lá. E isso me devolveu uma felicidade daquelas genuínas, aquelas que trazem paz. Não sei até que ponto foram mesmo as propagandas que lavaram meu cérebro e contribuíram decisivamente para eu chegar até aqui, mas que elas contribuíram, isso sim.

Fiquei com vontade de perguntar às crianças com quem convivo, enquanto assistimos televisão: o que você pensa quando assiste à essa propaganda?

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