Encontrei um caderninho de anotações.

Encontrei um caderninho de anotações. O nome dele era Anotações Diárias Debie e Gê. Basicamente era a ferramenta que eu e minha melhor amiga da época (oitava série, 1995) usávamos para trocar bilhetes durante a aula. Muitos bilhetes, a aula inteira.

Depois das horas de diversão relendo e relembrando e às vezes até revivendo tudo que tava escrito nele, só ficou uma palavra na minha cabeça: deprimente. Explico.

Percebi que, desde sempre, desde que eu soube o que era “se apaixonar”o padrão tem sido o mesmo. O padrão de dar meu coração para quem nem sabe que ele existe – ou simplesmente não o quer.

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Dirão vocês: Freud explica! Explica mesmo, os alguns anos de análise explicaram bastante coisa.

Mas achei outro uso para Freud nesse caso. Uma vez li em algum lugar que ele nem era tão otimista assim com relação aos resultados da psicanálise para nos transformar em pessoas felizes. Ele, quando começou a vida profissional (ai amigues, corrijam se eu estiver errada), começou a teorizar: o que fazia os seus pacientes sofrerem era o passado. É o passado que nos faz doentes. E entendendo a nossa história nós temos uma chance maior de viver uma vida com menos sofrimento e mais possibilidades de felicidade e amor e trabalho. Opa, pera, nem tanto. Eu acabei de dizer que ele não era muito otimista com relação a alcançarmos a felicidade. O que ele falou exatamente foi:

“My goal is to reduce hysterical misery to common unhappiness.”

Pois é. “Meu objetivo é reduzir a infelicidade histérica para a infelicidade comum.” Entender nossas histórias não faz com que nos livremos dos nossos desejos, mas é o caminho para que significados sejam dados aos nossos desejos e, então, encontrarmos uma chance de ser menos infelizes. Entender porque desejamos o que desejamos nos dá o mais próximo que se pode chegar da liberdade.

Ou seja: não existe um meta-princípio, uma doutrina religiosa, um ideal moral que vá nos fazer automaticamente felizes. O que existe é nós aprendermos a “nos negar” menos para aumentar a probabilidade de encontrarmos significado naquilo que fazemos, e satisfação naquilo que fazemos.

E a porra do caderninho? Pois é. Eu descobri o que me faz sofrer. Ler o caderninho me fez cair fichas infinitas (JACKPOT!). A minha hysterical misery começa invariavelmente quando me apaixono loucamente. E todos os momentos da minha vida em que eu lembro de ter sido MAIS feliz (ou com a almejada infelicidade comum) foram aqueles onde eu estava sozinha, sem nenhum tipo de relacionamento afetivo. Eu, meus amigos, às vezes minha família (é, só as vezes, minha família também é fonte de sofrimento). E quando eu penso no pior ano da minha vida (2008), foi justamente o ano que girou em torno do meu relacionamento da época. O pior ano da minha vida.

Eu fiquei um pouco triste quando cheguei a essa conclusão. Eu nunca me importei de ficar sozinha, mas chegar a conclusão que você é humanamente incapaz de amar sem sofrer, que as duas coisas invariavelmente andam juntas para mim é triste mesmo. Porque aquelas borboletas no estômago que todo mundo gosta de sentir, para mim são o prenúncio do inferno que eu vou viver. E eu vivi. Um inferno atrás do outro. Por ANOS.

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