Da série coisas que aprendi com Brasília: motorista da paz.

Passei uma semana em Brasília e voltei perdidamente apaixonada. Não chega a ser uma novidade, já que eu me apaixono perdidamente por todos os lugares que visito. Sou muito turista-encantada-achando-tudo-lindo-ou-exótico.

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Meu amigo e anfitrião disse que eu iria sair de Blumenau Geórgia De Esquerda Faust e voltar Geórgia Patriota Faust. Pois é. Ele estava certo. Brasília foi desenhada pra provocar isso nas pessoas. Provavelmente eu não teria tido essa sensação de embasbacamento completo se não tivesse a companhia dele, que conhece tudo tão bem e me encheu de detalhes sobre todos os monumentos, prédios, ruas, bairros (acho que nem se chama bairro lá, mas enfim).

Mas a primeira coisa que aprendi, a mais marcante, a mais óbvia e escandalosa, é a questão do relacionamento entre carros, ciclistas e pedestres. Sim, talvez não seja exatamente desse jeito, talvez venham muitas pessoas dizer que são pedestres e já foram desrespeitados. Caguei. Só sei falar sobre a minha experiência e como essa MINHA experiência marcou a MINHA relação com Brasília.

Lá em toda faixa de pedestre existe uma pintura escrita DÊ SINAL DE VIDA. Ou seja, balance a mão e os carros param. E param mesmo. E eu testei fora da faixa e eles pararam também – apesar de não ser recomendado. Um ônibus que me viu correndo desesperada para chegar ao ponto parou antes para eu entrar. Foi lindo. Para quem vem de anos de maus tratos no sistema público de transporte de Blumenau, aquilo foi um sopro de civilidade – mas já me falaram que esse tipo de coisa não era comum e talvez o motorista tava afim de mim. Fine.

Tem ciclovia por tudo. Por todos os lugares que eu passei tinha ciclovia. Não tinha tanta gente assim de bicicleta, mas tinha ciclovia. Isso é até interessante, porque muito escrotão em Blumenau argumenta que não tem que ter ciclovia porque pouca gente usaria. Pois é, não interessa. Tem que ter ciclovia. Ponto.

O trânsito de lá me pareceu super bem planejado. Claro que há horários de pico, situações em que engarrafa, mas nada que faça com que o tráfego seja motivo de stress como o é em tantas outras cidades.

Nesses cinco dias de observação, como pedestre, como usuária do transporte coletivo e como passageira de carro, pude observar tanto, e pensar tanto sobre a minha cidade e Brasília e minhas atitudes com relação a tudo isso. Cheguei a conclusão que, mais do que nunca, o trânsito sou eu. E que apesar de eu criticar o comportamento de muitos motoristas e ciclistas e pedestres, eu não estou muito perto de ser um exemplo. Faço tudo certo, nunca levei multa, nunca bati, nunca me meti em confusão. Mas não sou exatamente o que se pode chamar, quando diringido, de uma motorista-pro-ativa. Eu não agrido ninguém, mas também não costumo agir com muita bondade.

E foi pensando no número de motoristas que pararam para mim só por me ver na faixa, mesmo antes de eu movimentar meu braço, que eu percebi que eu raramente faço isso. Aliás, eu percebi uma coisa que já tinha lido em algum texto de algum blog há muito tempo (prometo que vou procurar): a rua É DO PEDESTRE, ele a CONCEDE aos motoristas. Voltei com isso muito forte na minha cabeça. Com essa parada da vulnerabilidade (preferência maior para os mais vulneráveis: pedestre first, ciclista, motociclista, carros de passeio and so on) e com o fato de que eu, quando ciclista ou quando motorista, estou usando um espaço que não é meu. O tal #vemprarua, porque #aruaénossa.

E daí eu decidi que eu vou olhar mais ao meu redor. Eu já olho ao redor o suficiente para, em 13 anos de volante, nunca ter atropelado um animal sequer. Mas agora com um olhar mais carinhoso com os pedestres e mesmo com outros motoristas. Comecei a minha mudança hoje apenas, parando nas faixas SEMPRE que há pedestre esperando (a rua é dele!!!), dando a vez para outros carros passarem com mais frequência, saindo de casa mais cedo para poder dirigir mais devagar (pressa no trânsito é uma merda) e… (ai que vergonha de admitir isso…) Parando definitivamente de usar o celular enquanto dirijo.

Quero menos stress, quero mais amor. E sem querer, apesar de não poder ser considerada uma motorista agressiva, eu estava contagiada por atitudes que muitas vezes nem se percebe. Que eu nunca percebi.

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