Milgram Experiment e a PM de SP

Eu acho uma falha cósmica bem grande que o meu curso de Psicologia Social só vai começar daqui a DOIS MESES. Cadê o timing do Coursera, minha gente? Preciso agora mesmo saber e entender melhor tudo o que está acontecendo.

Enquanto esse dia não chega, andei lendo sobre o Milgram Experiment.

obedience-to-authority-milgram

Essa pesquisa sobre obediência a figuras de autoridade foi o resultado de uma série de experimentos de psicologia social conduzidos pelo psicólogo da Universidade de Yale, Stanley Milgram, que mediu a disposição de participantes do estudo em obedecer uma figura de autoridade que os instruía a agir contra sua consciência. O que ele pretendia era descobrir se os milhões de cúmplices do holocausto estavam apenas “cumprindo ordens”, mesmo que estivessem violando suas crenças morais.

Milgram resumiu o experimento em um artigo de 1974, “The Perils of Obedience”, onde escreveu que a extrema disposição dos adultos de infligir dor em outros (mesmo com os gritos das vítimas ressoando nos ouvidos) é algo que demanda maiores explicações. Ou seja, a maior parte dos sujeitos da experiência preferiu obedecer ordens de uma autoridade do que desistir da experiência e não machucar o outro.

Pessoas normais, que estejam simplesmente fazendo seu trabalho, e sem necessariamente demonstrar algum tipo de hostilidade, podem se tornar agentes em um terrível processo destrutivo. E mais: mesmo que os efeitos destrutivos de seu trabalho se tornem claros, e eles sejam solicitados a dar continuidade a ações incompatíveis com seus padrões de moralidade, relativamente poucas pessoas tem os recursos necessários para resistir à autoridade.

É claro que uma experiência dessa grandeza e com tais resultados tem muitas questões éticas e quase não pode ser comparado com eventos da vida real, principalmente algo como o holocausto. Mas nos faz pensar sobre o quão independente podemos ser do contexto social onde estamos inseridos, e que é preciso muito mais do que “saber” o que é certo e o que é errado para conseguir “fazer” o que é certo e também para se abster de fazer o que é errado. Os tais recursos necessários para resistir à autoridade ali de cima, quem os tem?

Um dos participantes da experiência, que depois acabou indo para a guerra do Vietnam, escreveu para Milgram, dizendo: “Muito poucas pessoas percebem quando eles estão agindo de acordo com suas próprias crenças e quando eles estão simplesmente se submetendo à autoridade.” A gente realmente é acostumado demais a operar no automático.

Tudo isso faz pensar em até onde a polícia pode realmente ser responsabilizada pela truculência nos protestos em São Paulo no dia 13. Sempre tem alguém mandando. E manda quem pode, obedece quem tem juízo. Em corporações militares onde o treinamento para obediência irrestrita é ostensivo, quem podemos então culpar a não ser a liderança criminosa? Em Belo Horizonte ontem os protestos foram pacíficos e ocorreram na maior tranquilidade, mas por que? Porque a Comandante do Policiamento de Belo Horizonte, Coronel Cláudia Romualdo, contrariou a liminar que proibia manifestações de fechar as ruas durante a Copa das Confederações e, por isso, policiais fecharam as ruas e abriram caminho para os manifestantes.

É claro que a gente tem que filmar e postar e xingar a polícia (de um jeitinho mais especial ainda quando eles tacam spray de pimenta em um vira lata desarmado que se aproxima), que é sim corrupta e nojenta em inúmeras situações. Mas não dá pra pensar e agir como se eles fossem seres autônomos.

Enquanto isso, o documentário The Human Behavior Experiments está baixando.

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