Estatuto do nascituro. WTF?

Eu andava com uma idéia meio fixa, quase uma obsessão, de que não existe mais a menor possibilidade de uma pessoa como eu morar em um apartamento. Não faz sentido. Não combina. Toda a explicação sobre isso vale outro post, não vou desvirtuar a discussão. Queria dizer aqui, publicamente, que estou com medo de me mudar para o meio do mato. Sabe por que? Porque temo que, a qualquer momento, vou ser acusada de bruxaria e ser queimada em praça pública.

É sério, Brazyl. Eu tô com a certeza dentro do meu coração de que, a cada dia, andamos mais para trás. Cada vez mais pra trás. Idade Média descontrol mesmo. A aprovação do Estatudo do Nascituro ontem pela Comissão de Finanças foi uma facada no peito que eu simplesmente não consigo acreditar. Entre outros absurdos, o projeto prevê que o Estado uma espécie de “bolsa-estupro” às mulheres que engravidarem de um estupro, e dá direito de paternidade ao estuprador.

estatuto

Eu até pensei em escrever sobre isso, mas minhas amigas e divas foram tão mais rápidas que sinto que não conseguiria explicar a altura e com tamanha propriedade. Então selecionei os links.

Antes de tudo, assine a petição do Avaaz clicando AQUI.

Depois, leia o post da Clara Averbuck, que mastigou tudo para você: Estatuto do Nascituro: a mulher que se foda

Nunca ouviu falar do Estatuto do Nascituro? Basicamente é o seguinte: um ÓVULO FECUNDADO vai ter os mesmos direitos que eu, que a sua mãe, que a sua irmã e que a minha filha e todas as outras mulheres do Brasil. Se, digamos, minha filha de nove anos fosse estuprada e engravidasse, não teria direito a fazer um aborto; teria de manter o filho do agressor. Se caso não tivesse recursos para sustentar a criança (!!!), o Estado se responsabilizaria com a apelidada BOLSA ESTUPRO até os 18 anos do filho – isso caso o estuprador não fosse identificado e RESPONSABILIZADO. Aborto de anencéfalo? Esquece. Risco de vida pra mãe? Foda-se a mãe. Trauma? Foda-se a mãe. 

Daí tem a Lola Aronovich, no post Estaturo do nascituro pode calar todas as discussões sobre aborto

O Brasil já tem uma das leis mais retrógradas do mundo em relação ao aborto — unicamente por sermos a maior nação católica do planeta e por não vivermos num Estado laico. Por enquanto, o aborto só é permitido em casos de estupro, de risco de vida pra gestante, e no caso de fetos anencéfalos (o que só foi aprovado ano passado). Com o Estatuto, nem isso. Além do mais, o mesmo projeto institui a bolsa-estupro.

Então, a Gabriele Talaia falou inclusive sobre como essa naba vai influenciar até a vida dela, cadeirante, no post Aprovação do Estatuto do Nascituro e porque isso me afeta (sim!) como deficiente físico.

Os estudos sobre células troncos retiradas de embriões terão problemas para acontecer (e futuramente, quem garante que não será proibido?), pois fere o novo Estatuto do Nascituro, que protege os embriões congelados.

Homens também escreveram.🙂 Pedro Munhoz, no Bhaz, assina o post Estatuto do Nascituro: o projeto “pró-vida” que sentencia à morte.

O projeto se insere no preocupante contexto de avanço de forças conservadoras e do fundamentalismo religioso no Brasil, tentando transplantar para a esfera política e legal crenças de substrato religioso, que podem sempre ser seguidas livremente por aqueles que dela compartilham.

No Geledes – Instituto da Mulher Negra, saiu um post falando especificamente da bolsa-estupro: BOLSA ESTUPRO: Criança nascida de violência sexual terá direito a pensão, diz comissão

O projeto também proíbe o congelamento, a manipulação ou o uso do nascituro com experimento, com pena de um a três ano de prisão, mais o pagamento de multa. Também poderá ser preso pelo período de um a seis meses aquele que referir-se ao nascituro com palavras ou expressões depreciativas.

No site Sul21, a Marília Moschkovich assina o artigo Útero, serviço à sociedade?

Um mundo onde as mulheres férteis são corpos a serviço do Estado. Elas servem para gerar bebês, reproduzir a espécie. Seus corpos são assunto público. É dever delas e de toda a sociedade cuidar desses corpos, mantê-los em boas condições. Elas são um serviço. Atentar contra este serviço é crime: qualquer ameaça a sua integridade física é punida severamente, quer venha delas mesmas ou de outrem. Por isso, são confinadas em espaços ultra-seguros, numa rotina rígida que inclui todas as práticas que a medicina considera apropriadas antes, durante e depois de uma gravidez. A vida destas mulheres vale menos do que os óvulos ainda não fecundados em seus ovários, e menos ainda do que a existência da potencial pessoa, ainda em forma de feto enquanto estão grávidas.

Por penúltimo, saca só o que aconteceu em El Salvador: Após aborto negado, parto de anencéfalo é feito em El Salvador

E acompanhe a porra toda pelo site da Câmara dos Deputados, PL 478/2007.

Um comentário sobre “Estatuto do nascituro. WTF?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s