Experiência antropológica

Deixei para comprar a passagem de avião em cima da hora (uma semana antes, na verdade) e eis que de R$ 250,00 a viagem me custaria R$ 650,00. Obviamente não poderia pagar esse valor absurdo, e mesmo se tivesse dinheiro sobrando, não pagaria.

Então, descobri um jeito.

Estou contando como se fosse uma super novidade porque realmente, pra mim, foi uma super novidade.

Eis que em Blumenau algumas empresas de transporte fazem viagens praticamente diárias para São Paulo para levar muambeiras. Muambeiras são donas de “boutiques” que compram as bugigangas por R$ 10,00 na metrópole e vendem aqui a R$ 100,00 como se fosse ouro. Pois é. Essas empresas lotam tipo um ônibus por dia (e são pelo menos 3 empresas, pelo que eu soube nas minhas investigações) de pessoas, homens, mulheres, donos e donas de lojinhas, pagam uma escolta armada para fazer a segurança dessas pessoas (que geralmente levam altas somas em dinheiro já que a maioria das lojas e barracas em São Paulo só aceitam dinheiro e trazem grande quantidade de produtos) e levam essas pessoas até os pontos altos de compras.

E lá fui eu. Com um desses ônibus com uma dessas empresas.

Um mundo inexplorado. Eu nunca, nunca, nunca, em meus mais loucos devaneios, imaginei que essas coisas existissem e principalmente  que funcionassem assim. Eu fiquei tão embasbacada admirando esse ecossistema tão diferente do meu que nem parecia que éramos todos da mesma cidade, que provavelmente frequentávamos os mesmos lugares, conhecíamos pessoas em comum. Sério.

O ônibus saiu das 18h do pátio da empresa, e já vinha de Rio do Sul, de onde saiu as 16h, acho. A maioria das pessoas já estava dormindo, inclusive. Parada em Joinville no Rudnick, para jantar. Ninguém falava com ninguém, o que por si só não é estranho, mas se você pensar que essas pessoas provavelmente viajam juntas com frequência, me deixou com a pulga atrás da orelha. Seria por serem todos “concorrentes”?

Chegamos às 4h30 da manhã num tal Shopping Vautier. Como eu teria que estar em Campinas só as 9h, resolvi dar uma voltinha por ali, ver se encontrava alguma coisa legal pra mim. Eu não sei exatamente se esse Shopping Vautier É a feirinha da madrugada ou não, só sei que ele também funciona de madrugada e é simplesmente UM LIXO. Serião. Em todos os sentidos. Sujo, barracas amontoadas, roupa de tudo quanto é tipo (menos os tipos bonitos) amontoadas sem nenhuma lógica de cor tamanho ou modelo (tá, algumas barracas eram organizadas, vá lá), e só encontrei uma atendente que falava português. Numa das barracas em que encontrei uma japona baratinha que me interessou, expliquei com todos os gestos possíveis que meu tamanho é P (porra, olha bem pra mim, meo!) e a moça pediu para eu esperar 5 minutos que ela ia buscar no estoque (ela na real falou isso para outro cara que interpretou para mim). E 5 minutos depois ela voltou sim… Com uma japona XXXL!!! Porra, olha bem pra mim, meo! Expliquei de novo meu tamanho, apontei pra mim, pra minha cintura, pra minha barriga, pros meus peitos, fiz mais uns 10 gestos diferentes e ela apontou pra outra japona, dessa vez XL. Desisti.

Feirinha da Madrugada / Shopping Vautier

Feirinha da Madrugada / Shopping Vautier

Obviamente não havia a menor condição de eu me alimentar ali, os quiosques e barracas que vendiam comida ou eram pé-sujo ou simplesmente não dispunham de opções sem carne. O que aconteceu com o pastel de queijo, Brazyl?

No final, OK, saí com um casaco comprido de veludo cotelê (A-M-O veludo cotelê) pelo qual paguei 50 mangos. Até que valeu a pena.

Ao voltar para o ônibus para pegar minhas malinhas e tomar meu rumo pra Campinas, encontro uma senhora que eu já tinha achado BEM bizarra no ônibus e ela me revela: Menina, me deu uma dor de barriga que eu até tive que trocar de calcinha!

?????

Ainda bem que eu sempre trago calcinha extra…

OK, hora de ir embora, ufa. Esse universo paralelo definitivamente não me pertence. E se tem uma coisa que eu aprendi nessa viagem é a NUNCA MAIS reclamar dos R$ 100,00 que elas cobram para qualquer produto que custou R$ 10,00. Porque pra elas encontrarem coisas maizomenos bonitas, sério, é um trabalho árduo de garimpo mesmo. Tipo MESMO. Porque as coisas bonitas estão muito, mas muito bem escondidas. Tem que ser Jiraya.

(No fim do dia voltei para São Paulo para encontrar o ônibus que então estaria na 25 de março. Como cheguei quase atrasada e a 25 de março fecha cedo, não tenho muita coisa a comentar, não deu tempo de olhar muito nem de comprar nada, só atravessei ela a passos rápidos para não perder o busum. Mas olha: se você já foi à 25 de março e é desses que diz que lá é um inferno, uma bagunça, gente por todos os lados, perigo em todo lugar, loucura total, sujeira… Trust me, você não imagina o que é esse Shopping Vautier. Eu achei a 25 um paraíso, na boa.)

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