Só até você arrumar alguém.

Ontem fui num pedal delícia lá em Rio dos Cedros. 52 km de paisagens lindas, campos, pastos, bichinhos, subidas, descidas, chuvas, eucalipto eucalipto eucalipto… Vou tentar esquecer a parte dos kilômetros e kilômetros de plantações de eucalipto numa das regiões mais lindas do Brasil e me concentrar em outra coisa.

rio dos cedros

Lembrei-me no caminho que há um tempo atrás em outro pedal com outras pessoas, sentamos eu e minha amiga ao lado de dois caras. E os dois caras com aquelas conversas super normais (que às vezes eu passo tanto tempo sem escutar que esqueço que sim, são papos bem normais) entre dois caras: carros, a velocidade que já conseguiram botar em cada carro, e algumas observações em voz bem alta sobre a qualidade dos últimos aviões que voaram para os mais diversos destinos do mundo – porque não tem graça viajar para diversos destinos se o resto do mundo (e do ônibus) não souber – o prazer só é prazeroso de verdade se for compartilhado pelo instagram, se não nem tem tanta graça assim.

Em determinada parte da viagem nossas conversas se cruzaram, não sei se porque era o mesmo assunto, ou talvez eles meteram o bedelho na nossa conversa ou nós na conversa deles… Só sei que logo partiu pras pergutnas de foro íntimo do tipo qual sua profissão, onde trabalha, mora com os pais, blabla.

Depois daquele espanto inicial que eu sempre tenho que presenciar quando as pessoas ficam sabendo da quantidade de gatos que eu fui capaz de resgatar e sou capaz de criar, tive que escutar um:

– Ah, mas isso é só até você arranjar um namorado…

Arranjar já foi uma péssima escolha de palavras, né. Porque aranjar um namorado não é ganhar um, ter um, conhecer alguém. Arranjar é tipo conseguir com dificuldade, resultado de muita procura, luta, investimento, como se eu de fato estivesse super em busca e essa fosse uma coisa mega urgente e prioritária na minha vida. Mas tá.

Então ele continua contando a trágica história da vida dele. Que quando ele conheceu a namorada dele, ela tinha 3 gatos. E ele não gosta de gatos. E em determinado momento do namoro, ele disse: ou os gatos, ou eu. E ele contou isso com um super sorriso estampado no rosto de quem é tão mas tão foda pica-das-galáxias que consegue tudo o que quer da namorada dele. Consegue até mesmo que ela se livre de 3 seres vivos 100% dependentes dela como se fossem LIXO pra poder ficar com ele, por puro capricho.

Nesse caso eu fiquei particularmente irritada porque além de ele ter sido um completo idiota por fazer ela escolher entre duas coisas que ela amava e que podiam muito bem conviver juntas – sim, ele queria só testar ela, uma provinha de amor, não existia motivo real para ele não querer os gatos na vida deles. Mas mais idiota ainda porque mexeu com bicho, mexeu comigo. Como as pessoas ainda podem ter tão cretinas egoístas e inconsequentes a ponto de simplesmente não se importar AT ALL com outro ser vivo, como se ele nao tivesse sentimentos, não sentisse saudade, não fosse apegado ao seu dono? É uma falta de empatia meio assustadora. E eu fico mó triste pensando nos 3 gatinhos abandonados por motivo de PORRA NENHUMA.

Eu fico me perguntando às vezes como é que existem ainda homens tão escrotos com idéias tão patrás, e eu chego a conclusão amiguinhos e amiguinhas, que o problema sempre recai naquilo que eu venho falando há anos e que inclusive me levou pra Globo – essa crença tão antiga e ainda tão presente de que a gente não é nada sem marido, sem namorado, enfim, sem algum tutor pra tomar as rédeas das nossas vidas. E algumas de nós estão sim, ainda, dispostas a TUDO para ter um homem que possam chamar de seu.

2 comentários sobre “Só até você arrumar alguém.

  1. Não sei quem é mais imbecil: o namorado, em fazer esse pedido ridículo (e achando o máximo), ou a namorada, que aceitou! Eu teria dado um belo pé na bunda do indivíduo, e continuado minha vida bem feliz. Sem o babaca. Com todos meus gatos.

  2. Eu tenho a Filó, uma linguicinha que tem sido minha companheira nos últimos cinco anos. Cinco anos nos quais conheci o inferno, os motivos não importam, e hoje navego em águas calmas, e ela sempre esteve comigo. Quando eu estava triste, era ela que ficava comigo. A Filó faz parte da minha vida e, como bem falado no artigo, depende 100% de mim. As pessoas vivem dizendo quando ARRANJAR namorado, você não vai dar atenção para ela. Ou então, já me disseram: se o cara te disser que é ele ou ela, o que vc vai fazer? Vai dar ela para quem? Como vou dar para quem? Começa que se o cara não respeitar o meu amor por animais, e, principalmente, não respeitar, a minha casa e da Filó, não vai se tornar um namorado, no máximo, uma noite, e olhe lá. E, se for insensato o suficiente para fazer essa pergunta, quem vai abrir o portão para ir embora é ele. Acho que os afetos não são excludentes. Posso muito bem gostar dos meus animais de estimação e de um homem. OU uma coisa impede a outra????

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