Eu também limpo minha própria sujeira.

No meio de toda essa reverberação sobre a PEC das empregadas domésticas, eu lembrei de um post do Thiago Biá que falava sobre limpar a sua própria sujeira e com o qual eu me identifiquei na hora, na época. E continuo me identificando, na real.

Eu, nesse momento da minha vida, não tenho condições financeiras nem para sonhar com uma diarista a cada 15 dias, quanto mais para cogitar a hipótese de ter uma empregada full-time. Mas confesso que há muitos anos já não tenho mais isso como uma hipótese na minha vida. Por motivos desprovidos de embasamento teórico. Simplesmente acho que a sujeira é minha, logo, tenho a obrigação e a responsabilidade de limpar. Daí vem o segundo lugar: acho que é uma profissão extremamente desvalorizada. Portanto, vale muito mais do que se paga hoje em dia por aí. E o preço que vale na minha cabeça limpar um banheiro, eu não estou disposta a pagar. Não nasci pra ser sinhá, definitivamente.

Mas o Thiago explicou lindamente lá nos idos de 2011 e por conta dele eu não preciso me dar ao trabalho de explicar tudo de novo – até porque nunca vai ficar tão perfeito quanto o texto dele.

Você pode ler AQUI,

E o primeiro texto a respeito, AQUI.

Vou confessar: limpar a minha própria casa é um saco, e dá um trabalho danado. Especialmente quando, além de mim, mais 7 felinos residem no mesmo espaço. E por mais que eu tente, eles não me ajudam com o fardo da limpeza. Uma casa tem coisas a manter que eu nunca imaginei antes de morar completamente sozinha. Coisas que eu nunca vi minha mãe fazer, e meu deus, quando é que ela fazia tudo isso??? Tipo limpar o trilho do box do banheiro. Eu fui me ligar que isso existia quando ele estava com uns dois dedos de sujeita preta. Ah, é, tem que limpar issaê também… Ou varrer o teto. Ou tirar os botões do fogão pra ficar um tempão com palito de dentes tirando crostas de gordura nos frizos – o que me fez pensar porque raios as coisas tem TANTOS frizos?!?!? Ou tirar pó de estantes de livros, inclusive ENTRE os livros – como é que o pó entra lá??? Quando eu era criança, minha ajuda na limpeza da casa era passar cera no chão e outras coisas genéricas, nunca tantos detalhes.

Pra não falar da roupa. Odeio cuidar da roupa. E me nego a passar roupas. Não passo. Mesmo. Vai do varal pro guarda-roupas, e ela que desamarrote por lá mesmo. Tem funcionado. Mas tempo é valiosíssimo por aqui, e o que eu puder economizar, economizo. Também não arrumo a cama. E tem também a minha obsessão por alimentação saudável e a exclusão de boa parte de alimentos industrializados que facilitam a vida de quem cozinha. Faço meu próprio extrato de tomate. Faço meu próprio catchup. Fazia até meu próprio queijo e iogurte, até algum tempo atrás. Faço meu próprio caldo de legumes e meu próprio pão de queijo. Faço meus hamburgueres de PTS e minhas massas de pizza integrais. Faço meu próprio pão também. Sempre tenho um estoque de N coisas no freezer para nunca precisar recorrer a um Lamen nojento. Lutei muito para ter a minha própria horta, mas o instinto destruidor dos gatos venceu. Não compro nem como praticamente nada pronto, congelado, pré-cozido.

E penso: cuidar da casa é chato, é um trabalho ingrato porque todo dia está desfeito, mas… preciso mesmo de ajuda para isso? Acho que bem administrado, bem organizado, dá pra levar. O tempo que eu não gasto com a roupa acabo gastando na cozinha, e é um puta tempo, mas não vejo porque outra pessoa precisaria andar atrás de mim limpando o que eu vou sujando. No final do dia dá um orgulhinho, uma sensação a mais de autonomia. Eu odeio mas gosto. 🙂

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