O maior desafio da minha vida

O maior desafio da minha vida não foi me formar no segundo grau depois de 3 anos de adolescência BEM conturbada e três anos de quase reprovação, nem assumir para a minha família e amigos que iria sim ser professora para sempre, nem terminar um relacionamento abusivo e dependente que tomou 8 anos da minha vida, nem estar concluindo finalmente o ensino superior, nem tornar-me atleta aos 30 anos de idade e – acredite se quiser – o maior desafio da minha vida não foi completar uma meia maratona (algo que fiz em novembro de 2012).

O maior desafio da minha vida é o de largar o cigarro.

E já é difícil admitir isso publicamente, pois tenho me esforçado muito nos últimos dois anos para ser um exemplo de bons hábitos, boa saúde, boa alimentação e muitas pessoas que não convivem pessoalmente comigo nem sabem que eu sou fumante. Pois é. Eu sou.

Interessante notar que justamente o que me “levou” a fumar foi o atletismo. Na sexta série do Ensino Fundamental eu havia sido “descoberta” por um professor de iniciação esportiva da Fundação Municipal de Desportos e os treinos eram na associação de um clube perto da escola. Na real eu não curti muito nada daquilo de correr sem motivo, pular até as pernas doerem, jogar objetos pra longe e marchar rebolando bobamente. Daí, eu falava para a minha mãe que ia pro treino e ao invés disso, me metia com uns amigos no bosque da associação para fumar escondido. Nossa, que transgressora.

E desde então, desde os meus 11 anos, nunca parei. E nunca QUIS parar. Sempre achei fumar bonito. Quando criança e adolescente, me sentia mais adulta. Depois de adulta, me achava mais cool. Que o Pirulito não leia isso, mas o cigarro foi meu grande amigo de todas as horas durante esses vinte anos. Nas horas de comemorar e de chorar, sempre um cigarro na mão.

Tentei parar sim, mas sem vontade. Por 1 ano. O pior da minha vida. Crises absurdas de irritabilidade que destruíram uma união estável ao ponto da separação definitiva. Depressões, mau humor, raiva, explosões. E, claro, muitas mas muitas recaídas. Então nem dá pra dizer que parei de verdade durante aquele tempo.

Quando fui descoberta novamente para o atletismo, já aos 30 anos, meu “caça-talentos” avisou ao meu técnico que eu fumava. Ele respondeu: deixa ela fumar. Ela vai parar. Dê liberdade e autonomia para uma mulher e ela realiza coisas inimagináveis. Sim, ele falou isso. Um fofo. E só por ele ter falado isso já fez a ficha cair: eu ia ter que parar de fumar. Não dá pra ser atleta e fumante. Ou melhor, eu nem queria ser atleta e fumante. Costumava falar brincando que não iria parar de fumar porque estava batalhando por um patrocínio da Souza Cruz. Aquele jeito de fazer humor pra tirar a própria vergonha do foco, sabe?

Tracei como meta para 2013 parar de fumar. Mas não estava com pressa. 2013 acaba só em 31 de dezembro, não é? Sabia que esse seria meu ano, e que tudo seria bem mais lindo e vitorioso se conseguisse tudo o que queria sem um cigarro na mão. Depois diminuí a meta para 1 mês antes da meia maratona de Blumenau, competição onde tenho metas ambiciosas de tempo. Depois recebi a notícia de que seria federada e representaria Blumenau em uma competição de cross-country em abril. Então reduzi novamente a meta para final de março, uns 15 dias antes da tal competição.

Mas acho que esse é o tipo de coisa para a qual não dá pra planejar muito. Das histórias que ouvi de pessoas próximas de mim que já pararam de fumar, todas foram muito semelhantes: estavam fumando um cigarro, e pensaram não quero mais. E pronto.

Quando meu maço de cigarros acabou há 13 dias atrás, eu estava procurando as chaves do carro para sair e comprar mais e achei melhor não sair de casa. Estava meio chovendo, meio frio, era quase hora de dormir. E se eu simplesmente não saísse de casa? Que tal? Será? Sem muitas ambições. Um dia de cada vez. Será que assim daria certo?

Não fui.

Os 3 primeiros dias foram tranquilos, no quarto dia eu comecei a pirar de mau humor e decidi resistir. Não tinha bem crises de abstinência, mas pensava em cigarro o dia inteiro. Tipo adolescente apaixonada. No sexto dia me rendi aos adesivos de nicotina, antes que chegasse ao ponto de matar alguém. E, minha nossa, que bem que eles me fizeram… Hoje é o dia 13 sem cigarro para mim, e estou realmente otimista de que essa decisão foi tomada para sempre. Não estou necessariamente feliz ainda, sinto falta do meu amigo, mas estou bastante orgulhosa de mim.

E queria compartilhar essa imagem abaixo, que está sendo um guia para mim, de como estarei bem melhor em pouco tempo.

Boa sorte para aqueles que, como eu, estão tentando.

Ah, a partir de quantos dias/meses posso me chamar de ex-fumante? 🙂

Parar de fumar

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