Para as mulheres bocudinhas.

Os homens tem especial interesse em desqualificar as feministas. Como suas esposas se contentariam com a falta de talento na cama, a inutilidade masculina nos assuntos domésticos, a ausência paterna na criação dos filhos se fossem feministas? Os homens teriam que crescer, amadurecer se as mulheres fossem feministas. É muito mais fácil ter uma Barbie dentro de casa que uma mulher feminista. É bem mais fácil ser uma marionete pois assim não se é questionada. Sem ser questionada sempre se tem a sensação de estar fazendo a coisa certa, o “natural”.

Tirei daqui.

Achei interessante, porque há tempos atrás tive uma discussão semelhante com um amigo meu. Estava encantada com Backlash, livro da Susan Faludi, e minha mania era mencionar dados do livro ou trazer a tona assuntos dele por aí para, sei lá, questionar o status quo.

Então ele comentou que num fórum alguém postou que homens casados sofrem mais ataques cardíacos do que os solteiros. E eu, pá, falei do que tinha lido no livro, que na verdade os homens solteiros sofrem (em geral) muito mais do que os casados. Isso falando em depressão, tentativas de suicídio, melancolia, etc. E que os homens separados/divorciados demoram significativamente mais tempo para se reerguerem e se sentirem felizes de novo do que as mulheres.

E daí, conclusão minha – nada disso no livro – falei que obviamente, em culturas onde a mulher é mais submissa, os homens casados são mais felizes. Ou seja, a infelicidade do homem casado é algo “ocidental”, ou “moderno”. A resposta dele? Essa me quebrou: “É óbvio que o homem casado com a ‘mulher moderna’ (leia-se feminista) vai ser infeliz. Porque ele já está preocupado com mil coisas, trabalho e dinheiro e etc, e ainda tem que aguentar uma bocudinha, insolente, insubordinada, realmente essa é a pior desgraça que pode acontecer na vida de um homem.” (ele não usou a palavra insolente e insubordinada, mas é que não lembro exatamente as palavras e no fundo, foi isso aí mesmo)

Interessante que, mesmo para pessoas que eu considerava mais abertas aos direitos das mulheres, as vezes o instinto ainda prega uma peça dessas. Sem querer, por 5 segundos, ele deixou escapar toda essa crença que andava escondidinha lá no fundo, de que o homem tem que mandar mesmo, de que a mulher tem que obedecer, e que a mulher que não obedece e defende suas opiniões se resume a uma bocudinha, insubordinada. E que para o homem ser feliz, tem que estar com uma mulher-pastel, que não tem opinião, que não tem personalidade, que se mescla ao marido a tal ponto que ela nem sabe mais se frango a parmeggiana é o prato preferido dela ou dele. E nesse raciocínio não importa se a mulher é feliz ou não nesse tipo de relação, porque a felicidade DELE é mais importante, saca?

Próximo passo da conversa, que até então ainda era pacífica, falar sobre essa construção de papéis, de como o homem acredita que “é natural” para ele mandar e ser obedecido e ter o dinheiro e ser o chefe da casa. Defendi que isso é cultural, é construído, não é genético. E que o homem também seria mais feliz se se livrasse dessa idéia de que TEM que ser o provedor, e TEM que ser o mais forte, e TEM que ser o dominador. A liberdade é benéfica para ambos os sexos, será que é difícil entender? Falei isso para não falar do que está escrito lá em cima, no trecho que retirei do blog Café Velho. Porque daí qualificaria agressão, e eu não estava exatamente afim de briga, só de uma discussão saudável.

E, depois dessa, escutei o supra-sumo do discurso conservador detestável: por que vc se preocupa tanto se essas coisas todas são construídas ou não? Você não vai mudar nada mesmo!

Pois é, eu acho que vou. Se não mudar o mundo, mudo pelo menos a minha vida. O que já é o suficiente, pois meus tempos de supermulher já se foram faz tempo. (e mesmo se a mudança fosse impossível, discutir deixa de ser legal???)

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