Ajudando o amigo do Carlinhos

Mas se você leu o post com o vídeo do Carlinhos e no final pensou: é mesmo, existem meninos de rua, existem crianças abandonadas, existem jovens sem apoio ou assistência nenhuma, e o que é que eu estou fazendo aqui tentando engravidar?

Considere a adoção.

A prática da adoção é bem mais antiga do que se imagina, na verdade não houve nenhuma época na história sem algum tipo de prática de adoção. O que mudou (vem mudando) é o interesse por trás das adoções. Enquanto antigamente a adoção servia apenas para atender aos desejos dos adultos (por exemplo, para casais inférteis), hoje a prioridade é buscar uma família para a criança, atendendo as necessidades e interesses DELA.
Por isso hoje em dia (digamos que apenas de uns 10 anos para cá), priorizam-se as adoções tardias, de grupos de irmãos, de portadores de necessidades especiais, portadores de HIV, de raças diferentes, etc. Para que isso se torne uma realidade no NOSSO dia-a-dia, precisamos de famílias “modernas“, que aceitem o diferente, que ADOTEM o diferente de verdade (sabe o que eu odeio? “esse é meu filho de criação” – mas sobre isso eu falo depois).

As mudanças nas leis de adoção são realmente muito recentes – quase não acredito em quão recentes elas são! Até 1917, a adoção não existia na lei. Mas, na prática, existiam os filhos legítimos, os ilegítimos e os apadrinhados (seriam esses últimos os “de criação“?). Mas a partir de 1917 podiam adotar “oficialmente” os maiores de 50 anos que não tivessem filhos. Essa adoção ainda assim era revogável (tirou nota baixa na escola? não é mais meu filho!) e vista com preconceito – afinal, esso não é o jeito certo de se constituir família. Em 1957 a idade mínima para o adotante passou para 30 anos, a diferença de idade entre adotante e adotado tinha que ser no mínimo de 16 anos e o adotado a partir desse momento PODERIA usar o nome dos adotantes. Mas, mesmo assim, havendo filhos legítimos, o adotado não teria direito a herança.

Pensa que em 1965 melhorou? Bem, em 1965 começaram a exigir um período de convívio de 3 anos antes de legitimar a adoção, que agora passou a ser irrevogável – 3 anos de estágio probatório, mijou fora do penico nesse período, tchau! Havia o rompimento com a família de origem, o nome do adotado poderia ser modificado – mas ainda assim, havendo filhos legítimos, o adotado não tinha direito a herança. Tem mais! Só podiam adotar casais que comprovassem estar tentando engravidar há pelo menos 5 anos sem sucesso ou que comprovassem sua esterilidade.

Hoje, somente hoje depois que saiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, é que a criança está em foco.
Algumas pesquisas revelam que o brasileiro prefere adotar recém-nascidos, de mesma cor de pele e do sexo feminino, afinal, mulheres são mais “dóceis e de fácil adaptação a novos ambientes” – puxa vida, não parece que estamos escolhendo um cachorrinho? Crê-se profundamente que crianças mais velhas trazem consigo maus hábitos, defeitos de caráter da sua família de origem ou abrigos – essas não têm mais jeito.

Tem mais pesquisas! Sabe por que os casais preferem gastar milhões em clínicas de reprodução assistida ao invés de simplesmente adotar uma criança? Há! Eu digo!
1. identidade feminina: ser mãe é condição especial para ser mulher;
2. realização pessoal: maternidade é uma forma de reallização;
3. filho biológico: somente um filho biológico concretiza plenamente a maternidade.

Essa forte associação entre ser mulher e ser homem com a necessidade de procriação renderia um super post feminista, né não? E são essas mesmas razões que fazem o filho biológico ser mais importante do que o adotivo. Já viu aqueles casais que não conseguiam engravidar por anos, daí adotaram e engravidaram 2 meses depois? Vários casos… Então, eternamente eles vão diferenciar os filhos como o “filho de verdade” e o “adotado“. O adotado é de mentira, sabe, não é bem filho.

Esse instinto de “passar os seus preciosos genes para frente” é algo realmente muito presente na nossa vida. É incrível! São coisas nas quais você provavelmente nunca parou para pensar. Mas pense! Por que VOCE quer ter filhos biológicos? Por que? Porque só assim vai ser mulher? Porque só assim vai segurar o marido de vez? Porque só assim vai passar os genes para frente? Porque quer um “mini-você” andando por aí? Porque você acha que com a sua carga genética seu filho vai ser mais inteligente, mais educado? Todas essas razões que eu mencionei são estúpidas demais para serem levadas em consideração enquanto há tantas crianças sem lar!

Sério, pense, por que?

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