Nossa sociedade corrompida

Eu nunca fui tão a favor do divórcio como sou hoje.

Antigamente eu escutava falar das sociedades e culturas onde a taxa de divórcio é baixíssima, tipo entre judeus ortodoxos ou indianos religiosos, ou cristãos fanáticos tipo Mel Gibson e admirava: puxa vida, que sociedade evoluída, onde a família prevalece, onde os filhos tem pai e mãe presentes e unidos num grande clã… Quem sabe um dia evoluímos e chegamos a esse estágio.

A verdade que eu vejo HOJE, é justamente o contrário desse raciocínio.

São sociedades, em geral, sexistas ao extremo. Onde cada gênero tem o seu papel permanente e imutável, e principalmente onde a mulher TEM que ter espinha (para se curvar). Ter espinha não é uma opção, a mulher simplesmente tem espinha. Todas elas. Sabem se curvar, sabem obedecer, sabem “aproveitar” as benesses que o pai ou marido pode oferecer, se regozijando nas migalhas que recebem e agradecendo a oportunidade de receber tais migalhas. Afinal, sem marido, o que elas teriam?

Estou vendo a nossa sociedade, essa aqui mesmo, de valores invertidos, promiscuidade, crianças sem pai e lares desfeitos, como a mais evoluída possível, a mais evoluída dos meus sonhos. Aliás, em vias de melhorar ainda mais…

Simplesmente porque EU NAO SOU OBRIGADA A ENGOLIR DESAFORO DE NINGUEM.

Ontem minha amiga comentou comigo que acha que os pais dela vão se separar. Não vão. Eu sei que não vão. Ela só quis dizer que estão em crise feia, que não se dão bem faz tempo. São 20 anos de casamento e uma bela espinha que a esposa sustenta e da qual tem o maior orgulho. Ela, criada nos moldes mais tradicionais do universo, por mais infeliz que esteja, jamais irá tomar uma iniciativa dessas. E ele, criado idem, jamais vai deixá-la depois de todos esses anos de servidão dedicação. Pronto. Essa é a receita do casamento indissolúvel. Dependência total e absoluta, financeira e emocional, que obriga ambos a se aturarem ad eternum. Não é um exemplo a ser seguido?

Eu sempre quis ser dona de casa, sempre. Não dessas com espinha, mas sim porque sempre tive o sonho de CUIDAR MESMO da minha casa, ter um jardim, saber cozinhar bem, criar meus filhos sem depender de babás malucas ou creches nojentas. Queria ter a profissão de dona de casa porque são tarefas que eu gosto de ter e fazer. Mas nunca quis ser empregada de marido, ser submissa, ser “obediente”.

Hoje vejo que isso praticamente não é possível. Eu sou OBRIGADA a trabalhar fora, eu sou OBRIGADA a adiar meus planos de maternidade até ter uma super segurança financeira que me permita prover os melhores cuidados aos meus filhos, eu sou OBRIGADA a ralar pacas simplesmente para não ter que depender de homem nenhum, pois esse é o pior destino que uma mulher pode ter na vida. Eu simplesmente não quero, daqui a 20 anos, estar num relacionamento terrível e pensar que não há nada que eu possa fazer quanto a isso, que vou ter que amargar o resto dos meus dias ao lado de alguém que já não me faz feliz.

Hoje, na nossa sociedade, essa mesmo, de valores invertidos, promiscuidade, crianças sem pai e lares desfeitos, eu posso simplesmente me encher o saco e ir embora. E ele também. Tem sensação melhor do que essa??? Ok, por enquanto as mulheres que fazem isso vivem com o estigma de “separada”, “mãe-solteira”, “solteirona”, “encalhada”. Mas tá, aos poucos isso também muda. E prefiro isso a aquela outra alternativa lá, a de amargar um relacionamento fracassado por não ter chance de pós-vida depois do fim dele.

Isso é maravilhoso ou o que?

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